Cilhão do Arreio de tiro à inglesa, para 8 cavalos, da Carruagem da Coroa (monograma de D. Maria II)
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Museu: Museu Nacional dos Coches
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Nº de Inventário: A 3579
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Meios de transporte
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1825/1850
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Dimensões (cm): Alt. 55 x Larg. 20 x Prof. 30
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Descrição: Cilhão para arreio à inglesa para serviço dos coches reais. Em couro preto com guarnições de metal dourado representando as armas reais portuguesas ladeadas pelos dragões brigantinos, coroas reais e elementos fitomórficos.
Pertence a um conjunto de tiro para 6 e 8 cavalos respectivamente.
O cilhão descrito em seguida é parte do conjunto de tiro de 8 cavalos, que difere em alguns pormenores decorativos do conjunto de 6 (mais pobre).
Estrutura arqueada rígida (arção) em couro, a peça tem uma forma recortada com contracurvas formando 3 "losangos" sendo os das extremidades mais largos e o central mais estreito, sobrepondo-se uma parte plana rígida a almofadas em couro para apoio na garupa do cavalo.
Ao cimo encontra-se um gancho elevador em metal dourado composto por um gancho terminando em espiral (sobre base circular) onde se travariam os tirantes elevadores ou rédea freio, atrás deste um argola passa-rédeas (em forma de escudo, encimado com 3 arestas, com canelados côncavos nas faces laterais, sobreposto por coroa real na aresta central e assentando em eixo decorado na base por folhas de acanto sobre filetes circular). Estas duas peças encontram-se sob uma base elíptica em metal dourado contornado por friso vegetalista.
Em cada uma das faces laterais existe uma argola passa-rédeas similar. Contornando a base das argolas passa-rédeas laterais encontram-se profusas aplicações relevadas em metal dourado composta por motivos de folhagem de acanto e volutas que contornam igualmente as armas reais coroadas e ladeadas por dois dragões alados (símbolo da família Bragança), sobre condecorações.
Outras peças de couro, sob aquela que suporta as decorações, prolongam-se para lá desta e da peça inferior almofadada, diminuindo a sua largura mas prosseguindo em recortes contracurvados até se tornar na cilha que prende sob o corpo do animal, ajustando-se esta ao ventre com uma simples fivela rectangular.
Três argolas metálicas com decoração vegetalista (folhagem de acanto ao gosto clássico), duas aos lados sob as peças decorativas laterais e outra ao centro atrás do gancho elevatório, servem de suporte ou de passagem a respectivamente: dois pequenos tirantes de couro com furação para prisão pequenas fivelas existentes nas grandes fivelas do rebocador da coelheira; e a outra à correia principal de suporte do rabicho.
Existem apenas 6 cilhões neste conjunto pois os cavalos da esquerda da primeira e segunda parelhas eram montados por sotas que assim ajudavam o cocheiro na condução.
Existindo imagens de veículos atrelados a oito cavalos que são conduzidas por apenas 1, 2 ou mesmo 4 sotas, sendo os conduzidos por 2 com estes na 1ª/2ª, 1ª/3ª ou mesmo 1ª/4ª parelhas, procuraram-se imagens da última vez que esta carruagem foi utilizada (visita a Portugal da Rainha Isabel II de Inglaterra) de forma a verificar qual tinha sido a solução usada então (sotas na 1ª e 2ª parelhas), aplicando-se essa tipologia à descrição actual das peças.
Sendo assim o 1º e o 3º cavalos não têm silhão, sendo igualmente os seus rabichos de dimensões inferiores aos restantes, pois o espaço a vencer entre a sela e a cauda do cavalo é menor.
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Incorporação: Administração da extinta Casa Real. Fundo antigo do Museu.
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Bibliografia
- KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1964,4ª ed.. Lisboa: 1964