Coelheira do Arreio de Tiro à inglesa, para 6 cavalos, designado por da meia cana (monograma de D. Maria II)

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: A 3618
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1834/1853
  • Dimensões (cm): Comp. 170 x Larg. 49
  • Descrição: Coelheira de arreio à inglesa para serviço dos coches reais pertencente a um conjunto de tiro para 6 cavalos. Em couro preto com guarnições de metal dourado sendo decorado com a coroa real, armas e monograma de D. Maria II. O conjunto é denominado arreio de meia cana, devido ao canelado dos aros das fivelas. A coelheira é constituida por duas peças tubulares em couro preto, cheia com palha até se tornarem rígidas, designadas por pré-cinta (de secção menor) e pós-cinta (de secção maior). Entre as duas, exteriormente, encontram-se um conjunto de peças metálicas, designadas por coleira, onde se vão prender as restantes peças do arreio de forma a efectuar-se a tracção. A coleira é constituida por duas longas peças metálicas, presas na parte superior por uma pequena correia de couro, onde se pode efectuar o ajuste ao pescoço do animal. Ao longo de cada uma destas peças vai-se encontrando respectivamente: uma argola circular passa-rédeas em metal; em seguida um gancho, da coelheira, em forma de V que termina numa pequena argola onde prende o rebocador da coelheira (a peça completa parece descrever um "e" manuscrito): as duas peças são unidas na parte inferior por uma argola de rim em metal de onde fica suspenso o peitoral (para alguns autores falsa gamarra). Na extremidade superior (que assenta no cachaço do cavalo) encontra-se uma peça decorativade forma aproximadamente triangular, rígida, em couro preto com aplicações metálicas douradas: coroa real ao centro, contornada por friso simples. Os rebocadores da coelheira são peças em couro rígidas, terminando numa extremidade numa argola que prende à coelheira e na extremidade oposta numa enorme fivela rectangular com a forma de meia cana em metal para prisão da retranca (no caso do quinto e sexto cavalo) e tirantes. Ao longo da peça encontra-se uma longa passadeira de forma tubular de secção quadrada (decorada com incisões geométricas) para prisão das extremidades soltas dos tirantes, do lado inferior encontra-se uma argola de passagem donde pende igualmente suporte de tirantes em couro (esta peça não existe por razões óbvias na primeira parelha do tiro), simples do lado interior, e em couro contracurvado decorado com as iniciais MR (Maria Regina, D. Maria II) encimadas por coroa real, sendo estas aplicações em metal dourado. Na parte plana, próxima da passadeira, encontra-se uma peça decorativa em metal dourado constítuida por uma coroa real ladeada por dois pequenos medalhões circulares com mesmas iniciais acima descritas, estando todo este conjunto envolto simetricamente por folhagem de acanto estilizada. A fivela do rebocador tem igualmente duas argolas de passagem: uma em cima prende uma correia com fivela para prisão ao cilhão e outra em baixo prende um falso ventrilho (função de cilha) sob o animal. No caso dos cavalos da segunda e terceira linha a fivela inclui igualmente uma peça externa que termina numa pequena argola e onde se prende o tirante de gancho do cavalo que segue à frente. O peitoral ou falsa gamarra é uma longa correia de couro presa por fivela rectangular à argola de rim da coelheira, encontra-se decorada na sua parte superior por uma peça de couro recortada em contracurvas e com uma aplicação metálica idêntica á do suporte de tirante que prende ao rebocador da coelheira (iniciais coroadas). A segunda secção da correia irá prender ao ventrilho ou falso ventrilho por uma nova fivela. À mesma argola encontra-se (por razões de arrumação) preso o falso ventrilho que é uma "cilha" de couro constítuida por duas correias unidas entre si a todo o comprimento: a mais larga (por baixo) nas extremidades reduz a largura de forma a passar nas argolas existentes na fivela do rebocador da coelheira vindo posteriormente a prender em fivelas (decoração acima descrita), que se encontram presas à correia superior mais estreita e pequena, nesta correia mais estreita encontram-se igualmente duas passadeiras tubulares com decoração incisa geométrica. Nas coelheiras da terceira fila deste conjunto foram encontradas grandes argolas circulares de metal na argola de rim da coelheira, que se supõe terem a função de prender tirantes de união dos dois cavalos à lança do coche de forma a permitir a manobra de recuo (por essa razão atribuiram-se a estas coelheiras as posições mais recuadas do conjunto). O modelo foi concebido para evitar que seja feita pressão na traqueia e espáduas de forma a evitar a sufocação do animal. De forma a se adaptar ao animal, a parte inferior é mais larga e a superior mais estreita.
  • Incorporação: Administração da extinta Casa Real. Fundo antigo do Museu.

Bibliografia

  • KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1964,4ª ed.. Lisboa: 1964

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