Coelheira do Arreio de tiro à inglesa, para 6 cavalos, designado por das armas reais e dragões
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Museu: Museu Nacional dos Coches
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Nº de Inventário: A 3664
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Meios de transporte
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1820/1850
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Dimensões (cm): Comp. 83 x Alt. 11,5 x Larg. 54
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Descrição: Coelheira para arreio das armas reais e dragões. Em couro preto decorada com guarnições de metal prateado. Pertence a um conjunto de tiro para 6 cavalos.
A coelheira é constituida por duas peças tubulares em couro preto, cheias com palha até se tornarem rígidas, designadas por pré-cinta (de secção menor) e pós-cinta (de secção maior). Entre as duas, exteriormente, encontram-se um conjunto de peças metálicas, designadas por coleira, onde se vão prender as restantes peças do arreio de forma a efectuar-se a tracção. A coleira é constituida por duas longas peças metálicas, presas na parte superior através de duas argolas, por uma pequena correia de couro, onde se pode efectuar o ajuste ao pescoço do animal. Ao longo de cada uma destas peças vai-se encontrando respectivamente: uma argola oval passa-rédeas em metal; em seguida uma peça metálica triangular em contracurvado que termina numa pequena argola onde prende o rebocador da coelheira. Esta peça, do lado exterior, é decorada por um concheado ladeado por volutas e folhagem de acanto, do lado interior a peça é lisa. As duas peças da coleira são unidas na parte inferior por uma argola de rim em metal, onde fica suspenso o peitoral (para alguns autores falsa gamarra).
Na extremidade superior (que assenta no cachaço do cavalo) encontra-se uma peça decorativa em forma de escudo, rígida, em couro preto com aplicações metálicas douradas: dragão alado encimado por coroa, contornado por friso de metal liso, interrompido em cada um dos lados do dragão por um concheado e folhas de acanto.
Os rebocadores da coelheira são peças em couro rígidas, terminando numa extremidade numa argola que prende à coelheira e na extremidade oposta numa enorme fivela oval em metal para prisão da retranca e tirantes: a fivela do lado exterior é decorada, do lado direito, com um concheado ladeado por folhagem de acanto e do lado esquerdo com uma coroa sobre concheado ladeada tambem ela por folhagem de acanto. A fivela do lado interior tem a mesma forma da anteriormente descrita mas não tem qualquer decoração. No caso dos cavalos da segunda e terceira linha a fivela inclui igualmente uma peça externa que termina numa pequena argola e onde se prende o tirante de gancho do cavalo que segue à frente; em cada um dos lados, nos cavalos da segunda e terceira fila, encontram-se duas argolas semicirculares que servem de suporte: no lado interior a pequenos tirantes com fivelas que prendem o cilhão; no lado exterior que servirão para prender um falso ventrilho (função de cilha) sob o animal. Ao longo do rebocador da coelheira encontra-se uma longa passadeira de forma tubular de secção quadrada (decorada com incisões geométricas) para prisão das extremidades soltas dos tirantes e da retranca; na zona mais próxima da coelheira, no lado exterior, dentro de um contracurvado em couro, uma peça decorativa em metal , com um dragão alado sob coroa real, ladeado por folhagem de acanto e volutas, e no lado interior, tambem dentro de um contracurvado, apenas uma sequência de três pregos circulares em metal.
Estes suportes de tirantes são uma tira de couro cosida na zona superior sendo uma das extremidades uma fivela (decoração acima descrita) que prende a outra extremidade do tirante com furação.
O peitoral ou falsa gamarra é uma longa correia de couro presa por fivela oval à argola de rim da coelheira terminando noutra fivela de forma identica à primeira que prende esta mesma correia, formando um suporte de passagem por onde irá passar o ventrilho ou falso ventrilho. Após a fivela superior está cosido ao tirante uma peça decorativa contracurvada com uma aplicação metálica com as armas reais sob coroa real, envoltas por folhagem de acanto e das quais pendem três insígnias.
Nas coelheiras da terceira fila deste conjunto encontram-se argolas circulares de metal na argola de rim da coelheira. Supõe-se que a sua função era prender tirantes de união dos dois cavalos à lança do coche de forma a permitir a manobra de recuo (por essa razão atribuiram-se a estas coelheiras as posições mais recuadas do conjunto).
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Incorporação: Administração da extinta Casa Real. Fundo antigo do Museu.
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Bibliografia
- KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1964,4ª ed.. Lisboa: 1964