Descrição: Manga de farmácia pintada a azul de grande fogo. Colo e base decorados com faixa preenchida por linhas verticais e restante superfície com paisagem oriental.
As peças cuja decoração reproduz fielmente a dos originais chineses em porcelana, nomeadamente os produzidos no reinado do Imperador Wan-Li (1563-1620), integram-se no “primeiro ciclo” da classificação proposta por Reynaldo dos Santos para a faiança portuguesa do século XVII, coincidente com o fim do século XVI e primeiro quartel do século XVII.
Origem/Historial: O albarelo, palavra derivada de al-barani (vaso de drogas) é um recipiente cerâmico em forma de vaso cilíndrico ligeiramente curvo na parte central para facilitar o seu manuseamento, esmaltado no exterior e interior para evitar a porosidade natural do material cerâmico. Eram usados para armazenar substâncias sólidas e viscosas usadas na confeção de medicamentos, tornando-se o contentor farmacêutico por excelência e o elemento mais importante da frascaria das boticas.
A origem do albarelo é persa, provavelmente do séc. XII e o seu desenho parece inspirar-se na cana de bambu, já que este material era usado como contentor no transporte de drogas.
Chega ao Sul da Europa através das zonas de influência muçulmana como objeto de luxo e pouco depois começa o seu fabrico nas ditas regiões para uso interno e de exportação, convertendo-se nas primeiras peças de cerâmica de uso exclusivo nas farmácias europeias.
Os centros produtores mais importantes foram, Manises, Teruel, Paterna e Talavera de LaReina, na Espanha e Faenza e Urbino, na Itália. Fabricaram-se de diferentes tamanhos, sendo os mais pequenos usados para guardar pílulas.
A partir do século XV estavam amplamente difundidos pela Península Ibérica, França e Itália. Durante este século e no seguinte foram produzidas, no que à decoração se refere, os exemplares mais significativas, nomeadamente os hispano-árabes e os do renascimento italiano.
No século XVII o utilitarismo sobrepõe-se ao decorativo, atingindo o seu cume no século XVIII. Neste século o seu uso generaliza-se, predominando os albarelos de cor verde ou azul.
Muitas decorações eram personalizadas, com letreiros indicativos do conteúdo, ou escudos heráldicos das ordens religiosas a cujas farmácias eram destinados. Noutras ocasiões, sobretudo nos séculos XVIII e XIX era o próprio boticário que colava uma etiqueta indicativa do conteúdo. Da mesma maneira, era também no local que eram colocadas as tampas, em pergaminho, para preservar a boa qualidade das substâncias, até ao aparecimento de tampas em metal, que as substituíram, com vantagem.
Incorporação: Teixeira de Carvalho
Centro de Fabrico: Lisboa
Bibliografia
A Influência Oriental na Cerâmica Portuguesa do Século XVII. Lisboa: Museu Nacional do Azulejo, 1994
Cerâmica portuguesa do século XVI ao Século XX (cat. exp.). Genéve, Lisboa: Museu Nac. do Azulejo, Musées dÁrt et d´Histoire Genéve, Novembro, 2004
GONÇALVES, António Nogueira; José Correia da Fonseca - Secção de Cerâmica: Faiança Portuguesa [Catálogo Guia]. Coimbra: Coimbra Editora, 1947
Nogales, Luis Marcos - El Albarelo
Exposições
Cerâmica Portuguesa do século XVI ao século XX
Museu Ariana, Genebra
1/11/2004 a 31/3/2005
Exposição Física
A influência Oriental na Cerâmica Portuguesa do Século XVII