Manga de farmácia

  • Museu: Museu Nacional de Machado de Castro
  • Nº de Inventário: 1475;C213
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Pintor (Oleiro)
  • Datação: 1701/1750
  • Técnica: Faiança
  • Dimensões (cm): Alt. 27,6
  • Descrição: Forma cilíndrica e pintura a azul. Superfície decorada por duas aves entre hastes foliadas.
  • Origem/Historial: O albarelo, palavra derivada de al-barani (vaso de drogas) é um recipiente cerâmico em forma de vaso cilíndrico ligeiramente curvo na parte central para facilitar o seu manuseamento, esmaltado no exterior e interior para evitar a porosidade natural do material cerâmico. Eram usados para armazenar substâncias sólidas e viscosas usadas na confeção de medicamentos, tornando-se o contentor farmacêutico por excelência e o elemento mais importante da frascaria das boticas. A origem do albarelo é persa, provavelmente do séc. XII e o seu desenho parece inspirar-se na cana de bambu, já que este material era usado como contentor no transporte de drogas. Chega ao Sul da Europa através das zonas de influência muçulmana como objeto de luxo e pouco depois começa o seu fabrico nas ditas regiões para uso interno e de exportação, convertendo-se nas primeiras peças de cerâmica de uso exclusivo nas farmácias europeias. Os centros produtores mais importantes foram, Manises, Teruel, Paterna e Talavera de LaReina, na Espanha e Faenza e Urbino, na Itália. Fabricaram-se de diferentes tamanhos, sendo os mais pequenos usados para guardar pílulas. A partir do século XV estavam amplamente difundidos pela Península Ibérica, França e Itália. Durante este século e no seguinte foram produzidas, no que à decoração se refere, os exemplares mais significativas, nomeadamente os hispano-árabes e os do renascimento italiano. No século XVII o utilitarismo sobrepõe-se ao decorativo, atingindo o seu cume no século XVIII. Neste século o seu uso generaliza-se, predominando os albarelos de cor verde ou azul. Muitas decorações eram personalizadas, com letreiros indicativos do conteúdo, ou escudos heráldicos das ordens religiosas a cujas farmácias eram destinados. Noutras ocasiões, sobretudo nos séculos XVIII e XIX era o próprio boticário que colava uma etiqueta indicativa do conteúdo. Da mesma maneira, era também no local que eram colocadas as tampas, em pergaminho, para preservar a boa qualidade das substâncias, até ao aparecimento de tampas em metal, que as substituíram, com vantagem.
  • Incorporação: Fundo antigo
  • Centro de Fabrico: Monte Sinai. Lisboa

Bibliografia

  • DIAS, José Pedro Sousa - A Farmácia em Portugal. Lisboa: Ass.Nac. Farmácias, 1994
  • GONÇALVES, António Nogueira; José Correia da Fonseca - Secção de Cerâmica: Faiança Portuguesa [Catálogo Guia]. Coimbra: Coimbra Editora, 1947
  • QUEIRÖS, José - Cerâmica Portuguesa. Lisboa: Tip.Anuário Comercial, 1907
  • SANDÃO, ARTHUR de - Faiança Portuguesa séculos XVIII e XIX. Barcelos: Livraria Civilização, 1976
  • SANTOS, Reynaldo dos - Faiança Portuguesa,séculos XVI e XVII. Lisboa: 1960
  • Nogales, Luis Marcos - El Albarelo

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