Descrição: Pintura a têmpera sobre madeira de castanho representando a Virgem e o Menino entronizados, sob dossel e ladeados por duas personagens orantes.
A Virgem, no centro da composição e ocupando grande parte da tábua, segura no braço esquerdo o Menino, que apresenta um pintassilgo, símbolo da Sua paixão, na mão esquerda, enquanto abençoa com a direita. A Virgem segura uma rosa na sua mão direita. No topo superior da composição e sob o dossel, dois anjos simétricos seguram filacteras e coroam Nossa Senhora. Vêm do exterior, através de duas aberturas quase simétricas por onde se vê o céu.
Ladeando o trono, com o corpo de perfil e cabeça a três quartos, vemos duas personagens em atitude orante: à esquerda uma criança de hábito branco onde está gravada a vermelho, ao nível do peito, a cruz de Cristo; à direita, um monge de hábito castanho.
Pintura em seis tábuas.
Origem/Historial: Pintura proveniente do Colégio de São Jerónimo. Originariamente deve ter pertencido a outra instituição, pois este colégio só foi fundado em meados do século XVI e a pintura é anterior. Há um registo que indica que pertenceu ao antigo Hospital da Misericórdia de Coimbra, instituição da qual não há notícia.
Com a extinção da Ordens Religiosas, e respectivos colégios, esta pintura transitou para a posse do Estado.
Até 1960, esta pintura era desconhecida. Com efeito, a obra de arte que o Museu expunha com o mesmo número de inventário, feita igualmente de seis tábuas de castanho com iguais dimensões e recorte, figurava também uma Virgem no trono, sentada na mesma atitude, segurando o Menino e uma rosa, mas essencialmente distinta.
A primeira (datável do séc. XVI) mostrava uma pintura quinhentista a óleo em que a Virgem é apresentada como fonte da Sabedoria - SEDES SAPIENTIÆ - coroada, sentada num verdadeiro trono, arquitectonicamente elaborado, sobre o qual esvoaçam dois anjos segurando uma fita com inscrição.
Encontrava-se esta obra em mau estado de conservação, quer no que respeita à camada cromática quer em termos da própria madeira, e por isso foi transportada para o Instituto José de Figueiredo, em Lisboa.
O exame radiológico denunciou a existência de outra obra subjacente com características mais antigas. Esse facto, aliado ao estado de conservação que a radiografia mostrava, conduziram à decisão de levantar a segunda obra dada a importância da primeira para o estudo da escassa pintura portuguesa do séc. XV.
Incorporação: Transferência (Conventos extintos). Colégio de S. Jerónimo (?)
Bibliografia
Aux Confins du Moyen-Âge [cat.exp.]. Gent: 1991
DIAS, Pedro - História da Arte em Portugal - O Gótico. Lisboa: Alfa, 1986
DIAS, Pedro - Vicente Gil e Manuel Vicente - Pintores da Coimbra Manuelina. Coimbra: Câmara Municipal de Coimbra, Julho 2003
Nos Confins da Idade-Média [cat.exp.]. MNSR Porto: 1992
Exposições
XVII Exposição de Arte Ciência e Cultura do Conselho da Europa