Jarra
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Museu: Museu Nacional de Machado de Castro
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Nº de Inventário: 1626;V11
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Vidros
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1725
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Técnica: Vidro soprado coalhado. Decoração a esmalte.
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Dimensões (cm): Alt. 13
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Descrição: Decoração policroma de ramos de flores esmaltados. Bojo esférico, colo alto e cilindrico formando no topo uma moldura donde arrancam as asas, e aberto como pavilhão de trombeta. A base, também a sugerir pavilhão de trombeta, deixa um vão baixo, quando a jarra assenta. Duas asas em forma de virgula arrancam do alto do colo e descem sobre os ombros, onde foram repuxados e rebaixadas para formar caneluras. Duas albarradas floridas, esmaltadas a amarelo, com traços a negro decoram o bojo de um lado e doutro; 2 ramos floridos tombam para um lado e o outro de cada albarrada e um 3º sobe pelo colo; esmaltes amarelo, vermelho, azul, verde e negro foram usados nestes ramos. A albarrada assenta sobre um campo verde. A moldura do colo è decorada com pinceladas amarelo e vermelho e o bordo apresenta pequenas pinceladas a azul.
Vidro coalhado
O vidro coalhado é obtido pela adição de substâncias opacizantes (corantes) às composições normais do vidro, retirando-lhe a transparência e tornando-o branco translúcido.
O opacizante mais antigo é o estanho que oferece um vidro translúcido de uma brancura láctea. Esta técnica desenvolveu-se no Egipto (1540-1340 a.C.), e, a partir de meados do séc XV, com a ânsia de imitar a porcelana, importada da China, na Europa, particularmente na Boémia. Desta região, agora parte integrante da República Checa vieram vidraceiros que trabalharam na Real Fábrica de Vidros Cristalinos de Coina (1719-1747)e na Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande (1747-1826), embora não esteja suficientemente documentado o fabrico deste género de vidro, nestas fábricas, no período em questão.
A maioria das peças existentes em Portugal seriam importadas da Europa Central e provavelmente de Espanha onde a Real Fábrica de la Granja de Santo Ildefonso (1736- ) as teria também produzido.
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Origem/Historial: Transferência para o Estado Português dos bens outrora pertencentes às Ordens religiosas, na sequência do Decreto de Extinção das mesmas e da Lei de Separação do Estado da Igreja.
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Incorporação: Transferência (Conventos extintos). Santa Clara
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Centro de Fabrico: Boémia
Bibliografia
- BARROS, Eduardo Corrêa de - Vidro Coalhado=Milk Glass, Uma colecção Particular=A Private Collection: Litografia de Portugal S.A, 1993
- PEREIRA, Helena Maria Martins Costa - A colecção de vidros do Museu Nacinal de Machado de Castro: 2001
- Barrelet, James, «La porceleine de verre en France au XVIIIéme siécle»; Cahiers de la Céramique, du Verre et dês Arts du Feu, XXXVI; Paris, 1965
- Ballester, José Maria e Nieto Alcaide, Victor, Real Fabrica de Cristales de La Granja - España, Segóvia: Fundación Centro Nacional del Vidrio, s.d.[1991]
- Carreras Rossel, Teresa e Doménech Vives, Ignasi, Museu Cau Ferrat – La Collecció de Vidre, Stiges, Consórci del Patrimoni di Stiges, 2004
- Pastor Rey de Viñas, Paloma, La Real Fabrica de Cristales de La Granja, - Historia. Repertórios Decorativos Y Tipologias Formales, s.l.[Segóvia]: Arte Segóvia S.L, s.d.[1998]
- Master Pieces of Glass, Londres: The British Museum, 1968
- Newman, Harold, An illustrated dictionary of glass, Londres: Thames § Hudson, 1977
- Custódio, Jorge, A Real Fábrica de Vidros de Coina [1719-1747] e o vidro em Portugal nos séculos XVII e XVIII, Lisboa IPPAR, 2002