Planta topográfica do Bairro das Olarias - "baixa" da cidade de Coimbra
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Museu: Museu Nacional de Machado de Castro
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Nº de Inventário: DA105
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Desenho
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1880/1889
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Suporte: Papel
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Técnica: Tinta e aguadas rosa, verde, azul e castanha
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Dimensões (cm): Comp. 56 x Alt. 46,3
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Descrição: Cópia de um desenho executado em 1810/20, que contém o levantamento das fábricas de louça de Coimbra, no Bairro das olarias, junto ao rio Mondego.
Planta topográfica, acompanhada de recorte de jornal (colado do lado esquerdo) dando notícia da descoberta da planta original, que serviu de base a este desenho, e descrevendo a localização das catorze fábricas de cerâmica e os nomes dos seus proprietários, da autoria de Joaquim Martins de Carvalho, publicado no jornal "Conimbricense", nº 4354, de 21 de Maio de 1889.
Em baixo, à esquerda, legenda das cores e legenda dos números, correspondendo aos proprietários das fábricas.
Escala gráfica expressa em palmos.
No recorte de jornal lê-se o seguinte:
«Podémos obter ha dias e salvar de ser destruido um documento muitissimo interessante para a historia da cerâmica em Coimbra.
É uma planta topographica, feita a côres, em aguarela, representando o bairro baixo de Coimbra, na área das fabricas de cerâmica.
Tem o seguinte letreiro - Bairro da cidade de Coimbra, denominado das Olarias, ocupado com as fabricas de louça fina e ordinaria, isoladas dos edificios urbanos, que não são acessorios d´estas; cujo bairro se acha circunscripto por varias ruas, quintaes e insuas do Mondego.
esta planta topogrphica não tem data; mas todos os dados nos fazem crêr que foi feita entre os annos de 1810 a 1820.
Com diferentes côres se designa ahi: 1º Edificios das fabricas - 2º Pateos das mesmas - 3º Edificios contiguos d´outras fabricas - 4º Tanques para barro - 5º Poços.
As fabricas que existiam no bairro das Olarias eram 14. Os donos d´essas fabricas eram, porém, só 11; porque 3 d´elles possuiam 2 fabricas cada um.
Algumas dessas fabricas já hoje não existem; em logar d´ellas ha presentemente outras.
Na planta topographica estão mencionadas as seguintes fabricas:
1ª - Ao fundo da rua das Padeiras; pertencente a Antonio de Oliveira Raimão. - Já não existe.
2ª - Na rua de Simão de Evora, a qual planta topographica é designada com o título de travessa da Magdalena; pertencente a Manoel Caetano Moura.
3ª - Com frentes para o fundo da rua de Tinge-rodilhas, rua de Simão d´Evora e rua da Magdalena; pertence a Manoel José de Abreu. - Esta fabrica e a antecedente, sob o nº 2ª, pertencem hoje ao sr. Leonardo Antonio da Veiga.
4ª - Com frentes para o largo das Olarias e fundo da rua de Tinge-rodilhas; pertencente a João das Neves.
5ª - Com frente para as Olarias e fundo da rua da Moeda; pertencente a Manoel francisco Barbas.
6ª - Ao fundo da rua da Moeda; pertencente a Rita Gama.
7ª - Tambem ao fundo da rua da Moeda, pegada à antecedente; pertencente a João das neves.
8ª - Na rua da Magdalena; pertencente ao bacharel José Fortunato de Almeida. - Uma filha bastarda d´este bacharel veiu a casar com o dr. Nuno José da Cruz.
9ª - Na rua da Moeda, fazendo frente para essa rua e para o espaço das casas mandadas arrazar pelo infame tribunal da inquisição, no processo contra o infeliz lente e conego Antonio Homem; pertencente a José da Conceição. - Já não existe.
10ª - Ao fundo da rua da Moeda, com frente para essa rua e para a travessa que comunica com o fundo da rua João Cabreira; pertencente a Manoel José Abreu. -
Foi destruida por um incendio. - está hoje no local uma fabrica a vapor, de moer vidro para a louça.
11ª - Na rua João Cabreira, que na planta topographica vem designada pelo nome de rua da Fabrica, por ser ahi que se havia estabelecido a celebre fabrica de damascos; de que já em tempo demos largas noticias no Conimbricense. Essa fabrica de ceramica nº 11, pertencia a João de Figueiredo.
12ª - Na mesma rua de João Cabreira, pertencente a Manoel de jesus.
13ª - Na mesma rua de João cabreira e comunicação para o largo de Santo Antonio; pertencente a Manoel Joaquim Pessoa.
14ª - Com frente para o largo de Santo Antonio e fundo da rua Joaõ Cabreira; pertencente ao mesmo Manoel Joaquim Pessoa.
JOAQUIM MARTINS DE CARVALHO.
in Conimbricense, nº 4354, de 21 de Maio de 1889
Este mapa demonstra a grande implantação de pequenas fábricas de olaria no perímetro da cidade, no séc. XIX..
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Incorporação: Desconhecido. Colecção Dr. Teixeira de Carvalho?
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