Natividade / Políptico flamengo de Celas

  • Museu: Museu Nacional de Machado de Castro
  • Nº de Inventário: 2531;P34
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Autor desconhecido (Pintor)
  • Datação: 1512/1525
  • Suporte: Madeira de carvalho
  • Técnica: Óleo
  • Dimensões (cm): Comp. 92 x Alt. 145
  • Descrição: Representação do Nascimento de Jesus. O episódio é narrado em quatro planos que se adequam ao traçado das linhas ortogonais até à linha do horizonte. Ocupando o eixo central da composiçõa, no primeiro plano, a Virgem de joelhos, em atitude orante, louva a chegada do Slavador, que se encontra deitado no chão, acolhido sobre o manto azul da Mãe. à esquerda, dois anjos adoram o Menino. Junto à Virgem e ligeiramente a trás, a coluna partida, símbolo de e a vaca. Um pouco afastada da cena principal, numa coluna de mármore estão pendurados a cabaça e o chapéu, significando a viagem que o casal estava a encetar para ir votar quando o Menino nasceu. O segundo plano é marcado pelos três arcos de modulação clássica, cujas pilastras ostentam decoração de grotescos. É esta arquitectura que delimita o espaço interior embora térreo onde decorre o Nascimento. Encostado à pilastra da direita, no vão desse arco, S. José, com a vela acesa, acompanha a cena, curvado e de olhos baixos em sinal de reverência. No mesmo plano, à esquerda, o burro zurra. O estábulo onde foi representado é uma ruína, alusão à Antiga Lei. Por detrás, à esquerda, surge a cúpula de um templo da renascença, referência clara à Nova Lei, criada com o nascimento de Jesus. Num outro plano, junto a uma cerca, dois homens já se aproximam do local do Nascimento. O da esquerda toca uma gaita de foles e o outro segura um cajado. Um pouco distante, à esquerda, vê-se um palácio e arvoredo que marca a separação entre este plano e o seguinte: os longes. Aí foi representado o anúncio aos pastores: o anjo paira, vendo-se a filactera que ostenta, a esvoaçar. A sua mensagem destina-se a duas figurinhas - tratadas já miniaturalmente - que estão sobre uma elevação redonda e verde, a apascentar um rebanho. A cena é enquadrada por imensos rochedos, azulados, que conferem a perspectiva atmosférica à obra. Moldura recente.
  • Origem/Historial: Pertenceu a um políptico destinado ao altar-mor da igreja do Mosteiro de Santa Maria de Celas, que foi adquirido no Norte da Europa em 1525, pela abadessa daquele mosteiro, Dona Leonor de Vasconcelos. Com a nacionalização dos bens da igreja o retábulo dispersou-se e neste momento restam seis paineis, dois da predela. Um desses encontra-se no Mosteiro, na charola da igreja.
  • Incorporação: Conventos extintos. Mosteiro de Santa Maria de Celas

Bibliografia

  • Arte Flamenga - Catálogo-Guia. Coimbra: M.N.M.C., 1984

Exposições

  • Henri Le Navigateur

    • Antuérpia
    • Exposição Física