Descrição: Escultura de meio-vulto, de costas planas, representando o Padre Eterno. Esta escultura, antes do desaparecimento dos outros elementos que a compunham, constituía uma Santíssima Trindade composta por Deus Pai, elemento presente, Jesus Cristo crucificado (entretanto desaparecido) e o Espírito Santo, representado como uma pomba, elemento também ausente.
A figura de Deus Pai apresenta uma posição frontal, de atitude hierática e uma desproporção da cabeça em relação ao restante corpo; apresenta-se coroada, com cabelo estriado e barbas longas, as mãos informes de palmas abertas e voltadas para a frente. Enverga túnica e pluvial preso à frente por faixa quadrangular, com flor pintada no centro, descaindo lateralmento pelos antebraços; as mangas têm um tratamento em pregueados de linhas quebradas. O pluvial, que descai abaixo da cintura, tem as orlas decoradas com ramagens e motivos florais geometrizados, muito simples.
Imagem de formas sintéticas, mas majestática na sua poderosa verticalidade, denunciando, na estrutura compositiva e ornamental, o gosto pelo rigor geométrico e pela legibilidade simbólica, comum à estética medieval.
Incorporação: Adquirido pelo Estado
Bibliografia
NABAIS, Cristina; RODRIGUES, Dalila (coord.) - As Colecções de Escultura em Madeira do Museu Grão Vasco e do Museu Nacional de Arte Antiga. Um contributo para a ciência e para a arte, Ed. da Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014, p.p. 87