Descrição: No registo superior observa-se um traço largo e dourado, bifurcado nas pontas e dividido ao meio e em cada uma das pontas por um X. No registo inferior, uma planta de um pé humano igualmente dourado. Ambas as representações são delimitadas por traços castanhos. A representação superior refere-se à medida do rosto de Cristo, o que nesta obra se relaciona com a Santa Verónica, invocada na legenda manuscrita. Por sua vez, o pé representado corresponde à medida do pé de Cristo deixada no Monte Olivete.
O campo figurativo é rematado com decorações vegetalistas bastante simples.
Trata-se de uma composição curiosa que fornece uma "receita" para obter 1600 dias de perdão, à maneira das indulgências combatidas, outora, por Lutero.
Folha de papel rectangular debruado com uma singela decoração vegetalista, contendo duas iluminuras a ouro, uma representando a medida do crânio manifesto na toalha de Verónica e cuja tradição diz ser do rosto de Cristo; e uma palma de um pé direito, cuja tradição remete para a marca deixada por Cristo no topo do monte Olivete e aí impressa no momento da sua ascenção. Sob estes elementos encontram-se as seguintes legendas: “Medida da Santíssima Verónica, do Rosto de Cristo Nosso Senhor quem com devoção | posto de joelhos Rezar três vezes o Padre-Nosso, e três Ave Marias a Honrra da mesma Santíssima Verónica ganha 1600 dias | de Perdão Concedidos pellos Sumos Pontífices. || Medida, da Planta do Pé de Nosso Senhor Jesus Cristo Tirada pellas que | estão impressas no monte Olivete: do dia da Sua Glorioza Ascenção”.
Além da representação de uma palma do pé direito, cuja tradição reporta à marca deixada por Cristo no momento da sua Ascenção, no topo do rochedo do Monte Olivete, esta indulgência apresenta ainda, na sua parte superior, uma “medida” que corresponde à dimensão do rosto impresso na Toalha de Verónica, uma das relíquias presentemente conservadas no Vaticano até 1600, depois perdida e reencontrada, segundo a tradição, na Igreja de Monopello, em Itália, sendo questionável a sua autenticidade.
Origem/Historial: Esta peça tinha colada no verso uma fotografia de um grupo de eclesiásticos. Em Fevereiro de 2012, por ocasião do estudo e edição de um catálogo sobre a colecção de relicários do MGV, e por se entender que as duas peças deviam estar separadas e individualizadas enquanto peças do acervo do museu, foram feitas fichas de inventário Matriz 3.0 para cada uma delas. Foi atribuído um número de inventário novo (inv. nº 3146) à fotografia.
Incorporação: Tranferência do Arquivo das Congregações Religiosas de Lisboa
Bibliografia
GORJÃO, Sérgio (coord.); CARDOSO, Paula - Relicários. Colecções do Museu de Grão Vasco, Ed. GAMUS, Viseu, 2012, p.p 2-71