Descrição: Cartão em formato rectangular, forrado a seda amarela, debruado a galão de prata e bordado a fio de prata formando uma decoração de inspiração vegetalista. Ao centro encontra-se aplicada uma folha de papel recortada com o formato estilizado da plataforma de um pé, no qual se increve a legenda: “Medida do Pée Santíssimo da Virgem Nossa Senhora May de Deus o Papa Joam 22 concedeo | a quem beijar esta medida 5 vezes devotamente e Rezasse 3 Ave Marias em Reverência | da dita Senhora settecentos annos de perdão, e o Papa Clemente 8.º a confirmou no Anno de | 1603”.
Cartão em formato rectangular, forrado a seda amarela, debruado a galão de prata e bordado a fio de prata formando uma decoração de inspiração vegetalista. Ao centro encontra-se aplicada uma folha de papel recortada com o formato estilizado da plataforma de um pé, no qual se increve a legenda: “Medida do Pée Santíssimo da Virgem Nossa Senhora May de Deus o Papa Joam 22 concedeo | a quem beijar esta medida 5 vezes devotamente e Rezasse 3 Ave Marias em Reverência | da dita Senhora settecentos annos de perdão, e o Papa Clemente 8.º a confirmou no Anno de | 1603”.
A tradição devocional dos peregrinos à Terra Santa fez com que desde a Alta Idade Média até aos nossos dias, se transacionassem muitas relíquias ou objectos devocionais que recordam os lugares bíblicos.
Na Terra Santa são relativamente escassas as relíquias, por comparação a Roma ou outros grandes centros de peregrinação europeus, atendendo a que, desde o passo da Imperatriz Santa Helena, que descobre a Vera Cruz no monte Getsemani, em finais do século III, e depois com as cruzadas dos reis cristãos, quase todos os objetos considerados sagrados foram recolhidos e transportados para a Europa. Assim foi com a Lança de São Longinos encontrada na primeira cruzada (hoje em Roma), a Coroa de Espinhos de Cristo, levada para França no reinado de São Luis IX (hoje em Paris); a clâmide escarlate usada por Cristo (em Trier), a toalha de Verónica (desaparecida e possivelmente em Itália), o Santo Sudário (em Turim, que hoje se sabe ser datado do século XIV), o manto da Virgem (em Chartres), os pregos da crucificação (hoje dispersos e num número absurdo de cerca de 700), o berço/manjedoura do Menino Jesus (em Roma), entre outras.
Dada a escassez de relíquias demandadas pelos peregrinos, passaram a considerar-se outro tipo de objetos devocionais, tais como o pó ou pequenas pedras dos caminhos percorridos por Jesus, cruzes feitas com madeiras do Horto das Oliveiras ou as “medidas” dos pés de Cristo ou da Virgem.
Estes objectos devocionais, benzidos e associados a indulgências conferidas pelos Sumos Pontífices, geralmente eram trazidos pelos Franciscanos, Custódios da Terra Santa, que durante séculos foram a única congregação católica presente nesses lugares.
Incorporação: Transferência do Arquivo das Congregações Religiosas
Bibliografia
GORJÃO, Sérgio (coord.); CARDOSO, Paula - Relicários. Colecções do Museu de Grão Vasco, Ed. GAMUS, Viseu, 2012, p.p 2-71