Nossa Senhora do Carmo

  • Museu: Museu Nacional do Azulejo
  • Nº de Inventário: MNAz 6111 Az
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: 1770/1780
  • Técnica: Faiança
  • Dimensões (cm): Alt. 195 x Larg. 91 x Esp. 1,5
  • Descrição: Painel de azulejos, em faiança bicromática: azul e ocre sobre branco. Registo secção rectangular, recortado, de moldura de concheados assimétricos pujantes. No interior desta moldura, dois registos. No superior, numa paisagem celestial de núvens, a imagem de Nossa Senhora, coroada, com o Menino, auréoleado, no seu braço esquerdo. Ambos seguram insígnias da ordem do Carmo. No registo inferior, numa pequena reserva, três figuras orantes num cenário de chamas, figurando as Almas do Purgatório. Também em Coimbra podemos encontrar exemplos destes motivos como a imagem de Nossa Senhora do Carmo que surge representada num registo rococó com coroa e o hábito que todos os monges carmelitas estavam obrigados a vestir, em sinal de obediência e como símbolo do comprometimento com Cristo. Aqui, Maria segura o Menino nos braços e da mão pendem escapulários com as insígnias da ordem do Carmo, conhecido por se acreditar trazerem proteção às almas pecadoras. Em algumas Ordens religiosas, especialmente na do Carmelo, o Escapulário tornou-se um sinal da sua identidade e vida, simbolizando o vínculo especial da Ordem com a Mãe do Senhor, e exprimindo a confiança na Sua maternal proteção. O emolduramento assimétrico que define o limite da composição, com os seus motivos concheados, dota o conjunto de dinamismo e tensão. O amarelo alaranjado nos nimbos, na coroa e no resplendor do Menino, mais ténue nos escapulários e mais denso, quase laranja, nas chamas que rodeiam as alminhas, acrescenta ao conjunto dramatismo e uma maior teatralidade.
  • Origem/Historial: Esteve aplicado inicialmente na Rua da Trindade (actual Rua José Falcão), na casa dos nºs 60-62, Coimbra. Duas das vias de influência da estética rocaille podem ser associadas ao que se produzia em França e na Alemanha. Com o rococó, a partir do segundo quartel do século XVIII, foi retomada a policromia com predominância de um amarelo suave. Produziram-se, então, painéis devocionais e registos que foram aplicados nas fachadas dos edifícios civis, já em inícios do século XVIII, para sua proteção divina. Após o terramoto que destruiu Lisboa surgiu um estilo mais sóbrio, que viria a ser denominado pombalino em homenagem ao então Primeiro-ministro, futuro Marquês de Pombal. Implementado nas obras da reconstrução da cidade, a partir de 1755, a tragédia multiplicou estas manifestações de carácter religioso, com os registos, surgindo normalmente, recortados e dedicados aos santos protetores das grandes calamidades, São Marçal (incêndios) e São Francisco de Bórgia (terramotos) e de maior devoção popular, (Santo António) As composições dos painéis com as almas do Purgatório e das populares alminhas seguem um esquema repetitivo, que pode ser dividido em duas zonas, um grande articulado com outros temas. Neste caso, em baixo, surgem as almas em suplício, entre as chamas, e na cena central uma personagem intervém a favor dos condenados, por vezes, sob o olhar superior da Santíssima Trindade ou de Nossa Senhora. Desde o início do século XVIII, que foram produzidos painéis devocionais e registos de carácter religioso para aplicação no exterior dos edifícios, para proteção divina. Não foi só em Lisboa que se adotou a tipologia dos registos e alminhas.
  • Incorporação: Adquirido no leilão da coleção Vilhena
  • Centro de Fabrico: Coimbra

Bibliografia

  • A Arte do azulejo em Portugal, catálogo de exposição. Lisboa: Instituto Camões-Museu Nacional do Azulejo, 2000
  • Céramique du Portugal du XVIe au XXe siècle/Cerâmica portuguesa do séc. XVI ao séc. XX. Genève: Musée Ariana, 2004
  • Figures et personnages, une histoire en céramique. L'azulejo au Portugal du XVIe au XXe siècle, catálogo de exposição. Rabat: Galerie Bab Rouah, 1998
  • Roteiro do Museu Nacional do Azulejo. Lisboa, IPM: Edições Asa, 2003
  • Tan vasta libertad en tan estrecha regla : el arte del azulejo en Portugal del siglo XVI al siglo XX = Tão vasta liberdade em tão estreita regra: a arte do azulejo em Portugal do século XVI ao século XX. Lisboa: Museu Nacional do Azulejo, 2005
  • Tapices cerámicos de Portugal : el azulejo del siglo XVI al siglo XX = Tapetes cerâmicos de Portugal : o azulejo do século XVI ao século XX. Lisboa: Museu Nacional do Azulejo, DL, 2007
  • Un eclat portugais, l' art de l' azulejo, catálogo de exposição. Paris: Centre Culturel Calouste Gulbenkian, 1996
  • Inventário Artístico de Portugal, Coimbra, 1947
  • O Brilho das Cidades - A Rota do Azulejo. Fundação Calouste Gulbenkian. 25 Outubro 2013 a 26 Janeiro 2014. 351 Págs.
  • O encanto na hora da descoberta | A Azulejaria de Coimbra no século XVIII, MNAz , 2017

Exposições

  • Azulejaria do século XVIII, integrada nas Comemorações 250º do aniversário do nascimento de João de Sousa Carvalho

    • Câmara Municipal de Estremoz, Estremoz
    • Exposição Física
  • Un éclat portugais: l' art de l'azulejo

    • Centro Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian, Paris
    • 21/3/1996 a 31/5/1996
    • Exposição Física
  • Figures et personnages: une histoire en céramique - l' azulejo au Portugal du XVIe au XXe siècle

    • Galerie Bab Rouah, Rabat
    • 14/5/1998 a 24/5/1998
    • Exposição Física
  • Céramique du Portugal du XVIe au XXe siècles

    • Museu Ariana, Genebra
    • 25/11/2004 a 28/3/2005
    • Exposição Física
  • Tan vasta libertad en tan estrecha regla : el arte del azulejo en Portugal del siglo XVI al siglo XX = Tão vasta liberda

    • Universidad Pontificia de Salamanca, Salamanca
    • 14/10/2005 a 27/11/2005
    • Exposição Física
  • Tapices cerámicos de Portugal : el azulejo del siglo XVI al siglo XX = Tapetes cerâmicos de Portugal : o azulejo do sécu

    • Real Fabrica de Tapices, Madrid
    • 7/11/2007 a 9/12/2007
    • Exposição Física
  • As Colecções do Museu Nacional do Azulejo, Lisboa

    • Centro Cultural FIESP - São Paulo - Brasil
    • 7/4/2008 a 20/7/2008
    • Exposição Física
  • O Brilho das Cidades - A Rota do Azulejo

    • Fundação Clouste Gulbenkian, Galeria de Exposições Temporárias, Lisboa
    • 25/10/2013 a 26/1/2014
    • Exposição Física
  • O encanto na hora da descoberta. a azulejaria de Coimbra no século XVIII

    • Museu Nacional do Azulejo
    • 6/5/2017 a 13/8/2017
    • Exposição Física

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