Santo António pregando aos peixes

  • Museu: Museu Nacional do Azulejo
  • Nº de Inventário: MNAz 269 Az
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: 1720/1745
  • Técnica: Faiança
  • Dimensões (cm): Alt. 111 x Larg. 80
  • Descrição: Painel de azulejos de composição figurativa em faiança monocromática: azul sobre branco. Registo com cena que representa Santo António, aureoleado, colocado à esquerda do observador, numa margem, pregando aos peixes, que emergem para o ouvir. Na margem oposta três personagens arabizantes assistem à cena. A cena está circunscrita por uma moldura em trompe l´oeil, com motivo de meia cana sobre o qual se inscreve folhagem. Concheados pujantes definem as arestas da moldura, motivos que se repetem no eixo longitudinal sobrepondo-se na cena.
  • Origem/Historial: "(...)"registos" (...) testemunham uma religiosidade fervorosa,a aparentemente exarcebada pela catástrofe decorrente do grande Terramoto de 1755 (...) a figuração do chamado "Milagre dos peixes" é caso único, estando, normalmente, mais associada a Ciclos narrativos antonianos, aspecto que traz alguma ambiguidade à classificação desta peça. A semelhança do emolduramento com o conjunto que hoje forra a Tribuna Real do convento da Madre de Deus, originário de uma capela do convento de Santo Alberto, dito das Albertas, de acordo com o testemunho de Liberato Teles, poderá indicar idêntica origem para esta peça. O painel pretende simular um quadro do tipo que se poderia observar na época, com a sua pesada e impositiva moldura de talha. Na representação da cena, tendo em segundo plano a população que testemunha o milagre da pregação, os peixes ganham um destaque tão grande como o próprio santo. Eles localizam-se no centro da composição, com a água a marcar claramente a fronteira entre o mundo dos crentes, representado por António, e o dos hereges, localizado ao fundo. O pintor, talvez porque o painel se destinasse a um local que poderia dificulatr a visualização da discreta imagem das cabeças dos peixes a emergir do mar, decidiu colocar dois pujantes delfins, figuras mais adequadas à representação escultórica de uma fonte ou chafariz de pendor mitológico que ao realismo do mundo aquático(...). A importância do "milagre dos peixes" na hagiografia franciscana prende-se com o que transmite da capacidade e eloquência de Santo António, cujo poder de oratória conseguiu, assim, arrancar às profundezas da água os seus habitantes, encantados pela palavra deste novo Orfeu. O santo surge deste modo como contraponto cristão ao músico da mitologia clássica, que com a sua música atraia e subjugava as feras, tal como António soube cativar os peixes com a sedução da sua voz e a expressividade do seu discurso." Vide Bibliografi, Alexandre Pais in A Água no azulejo português do século XVIII
  • Incorporação: Desconhecido (Fundo antigo)
  • Centro de Fabrico: Lisboa

Bibliografia

  • MECO, José - Azulejaria portuguesa. Lisboa: Bertrand, 1985
  • SIMÕES, João Miguel dos Santos - Azulejaria em Portugal no século XVIII. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1979
  • A Água no azulejo português do século XVIII, Museu da Água - Mãe d'Água das Amoreiras, Lisboa, 18 de Setembro de 2014 a 30 de Junho de 2015, MNAz, EPAL, Museu da Água, 119 págs.

Exposições

  • A Água no azulejo português do século XVIII

    • Museu da Água - Mãe d'Água das Amoreiras, Lisboa
    • 18/9/2014 a 30/6/2015
    • Exposição Física

Multimédia

  • MNAz 269 Az.jpg

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