Descrição: Painel de azulejos com Alegoria Eucarística em faiança polícroma: azul, ocre, amarelo, verde e manganês sobre branco. Trata-se da apresentação do Santíssimo por dois querubins para adoração. Sobre estes encontram-se seis cabeças de anjos. Todos os elementos da composição, desde as vestes aos elementos de fundo, dão uma noção de movimento.
Anteriormente, este painel encontrava-se na parede da conhecida Casa da Rua dos Cegos, uma antiga e rara c... Ver maisasa do séc. XVI. Existe a hipótese do painel ter constituído o elemento central de um frontal de altar reaproveitado.
Origem/Historial: Painel proveniente de um prédio de habitação, do séc. XVI, da Rua dos Cegos - Alfama, Lisboa.
Em "Lisboa-Revista Municipal", n.s 5 e 6, 1983, p. 24: "A Casa da Rua dos Cegos foi, sem dúvida, um dos "casos" que mais ocupou a Secção. Exemplar quinhentista, raro numa Lisboa após o terramoto, a sua conservação e salvaguarda do registo de azulejos constituiu um tema de debate largamente tratado." (ver foto); P. 25: "Um outro aspecto da... Ver mais mesma casa em que se vê claramente o "registo" de azulejos, hoje desaparecido. Trata-se da apresentação do Santíssimo por dois querubins para adoração e pode ter constituído o elemento central de um frontal de altar reaproveitado. O pequeno elemento em ferro destinava-se à suspensão da candeia para iluminar o Santíssimo." (vêr foto). P. 35: "Sessão de 20 de Outubro de 1916 - "Queirós trata dos azulejos, do séc. XVII, "recentemente vendidos", que pertenciam à casa quinhentista, n.º 20-22, da Rua do Cego - salientando o seu grande valor - e manifesta indignação quanto à pressa como se procedeu à venda, devidamente autorizada pela Câmara Municipal." (...) Sessão de 27 de Outubro de 1916 - (...) O Presidente (Queirós) refere-se à venda do painel de azulejos, que esteve numa casa da Rua do Cegos, declarando "poder provar, com testemunhas, que evitou, há quatro anos, a sua venda a um estrangeiro"." P. 38: "Sessão de 16 de Fevereiro de 1917 - (...) Por intervenção de Alberto de Sousa, houve troca de impressões acerca do painel de azulejos existente numa casa da Rua dos Cegos. O Presidente deu conta das diligências efectuadas e informou saber que a casa vai ser vendida, pelo que pede a intervenção da Associação dos Arqueólogos na resolução do assunto. Foi deliberado oficiar à Câmara nesse sentido." P. 40: "Sessão de 30 de Novembro de 1917 - (...) Nogueira de Brito - referindo-se a uma observação de Ribeiro Cristino - sobre o desaparecimento do azulejo da casa seiscentista da Rua dos Cegos pede que se realizem esforços no sentido do mesmo ser substituído através de uma reprodução (...)".
"Numa exaltação ao mistério da Transubstanciação da hóstia consagrada no corpo de Cristo, exposta ao olhar dos fiéis no seu recipiente, a custódia ou ostensório, pequenos painéis foram sendo integrados em espaços religiosos, para homenagem ao Santíssimo Sacramento. Essa exposição eucaristica da hóstia consagrada, denominada lausperene ou "louvor perene", tinha uma duração temporal específica, pelo que o artifício da sua representação em azulejos prolongava, respeitando o dogma, a sua presença nos espaços de aplicação de painéis como os Cats. 125 a 127. Mais gráfico e enfatizando o mundo transcendente do Mistério sacramental, é o painel Cat. 126, outrora integrado na fachada de um edifício na Mouraria. Sustida por dois anjos e rodeada por serafins, a custódia tem no seu remate duas pequenas figuras, praticamente esboçadas, mas provavelmente pretendendo representar S. Pedro e S. Paulo."
Alexandre Pais in "Um Gosto Português. O Uso do Azulejo no séc. XVII", pp. 272.