Descrição: Painel de azulejos de composição figurativa em faiança monocromática: azul sobre branco.
Este painel não segue a usual representação da cena do Baptismo. Composto como uma narrativa em dois momentos, em plano mais recuado decorre a pregação do Baptista perante uma multidão. Ao centro, ele surge sentado, segurando o seu atributo, o bastão do qual pende uma flâmula, apoiado numa bica e com o pé esquerdo assente numa bacia. Ao contrário da sua representação em segundo plano, aqui o santo está imberbe e com os traços jovens, aproximando-se da figura de Cristo que se encontra de pé, ao seu lado, e um pouco atrás.
Origem/Historial: "Acerca do painel, proveniente do chamado "Fundo Antigo" do MNAz, até recentemente sabia-se, pela marcação no verso, faltarem algumas fiadas de azulejos na base. No mesmo espólio foi agora descoberto outro painel, que se percebe ser do mesmo Ciclo, este maior e com a representação da Entrada da Sagrada Família no Egipto e a Queda dos falsos Ídolos. Juntamente com esta cena foi encontrada uma base, simulando um soco de cantaria onde se encontram fixados festões de flores. Idêntica solução terá ocorrido aqui, o que ajudaria a aproximar o painel de Cristo e São João Baptista de um retábulo, no qual o elemento em falta funcionaria como um altar acima do qual se encontrava este quadro. Aliás, a citação do seu enquadramento à moldura em talha de uma pintura é por demais evidente, sendo possível estabelecer paralelismos com peças da época. Na antecâmara de acesso à Tribuna Real do Convento da Madre de Deus encontra-se aplicado um painel com emolduramento semelhante. De acordo com o testemunho de Liberato Teles proveio do Convento de Santo Alberto ou das Albertas, não sendo mencionado se aí estava colocado ou se provinha de outro local, tendo sido aí depositado e, mais tarde, transferido para onde hoje se encontra.
A transparência da pintura do motivo central a juda a enfatizar subtilmente o espaço que a água ocupa na representação. Claramente descrita no jorro que é projetado da bica onde se apoia o Baptista, ela esbate-se na paisagem em primeiro plano, sendo mais intuída do que percebida, nos reflexos que projecta da vegetação que integra o espaço. Em segundo plano, a exuberante floresta que preenche a quase totalidade do local, contradiz a descrição desértica do Baptismo, junto ao rio Jordão. Esta é uma paisagem montanhosa, quase tropical na abundância arbórea da representação e que se poderá relacionar com o sentido vivificante da água, aqui colocado em paralelo com a ideia de pregação, simbolizado pelas figuras dos dois primos.
A descontextualização e desconhecimento do programa e local onde o painel se inseria e do qual só se conhece, até ao presente, outro elemento, não permitem definir com clareza o sentido da imagem nele representada. Claramente não se trata do Baptismo, antes parece uma apologia do sentido da palavra enquanto instrumento evengelizador, de que a figura de São João Baptista constitui o precursor de Cristo.(...)
Vide Bibliografia: Pais, Alexandre in A àgua no azulejo português do século XVIII
Incorporação: Desconhecido (Fundo Antigo).
Proveniente do convento de Santo Alberto em Lisboa ??
Centro de Fabrico: Lisboa, Portugal
Bibliografia
A Água no azulejo português do século XVIII, Museu da Água - Mãe d'Água das Amoreiras, Lisboa, 18 de Setembro de 2014 a 30 de Junho de 2015, MNAz, EPAL, Museu da Água, 119 págs.
Exposições
A Água no azulejo português do século XVIII
Museu da Água - Mãe d'Água das Amoreiras, Lisboa
18/9/2014 a 30/6/2015
Exposição Física
Azulejos de Portugal. Cinco Séculos de História. "Azulejos du Portugal.Cinq Siècles d'Histoire"
Anciens Abattoirs, rue de Commerce 123, la Chaux-de-Fonds, Suiça