Descrição: Painel de azulejos em faiança polícroma: azul, amarelo e vermelho sobre branco. Representação de uma estrutura arquitetónica, frontão e platibanda, decorada. À esquerda figura masculina, Anjo, segurando com a mão direita as Armas de Portugal e a mão esquerda um estandarte com a flor-de-lis. À esquerda voluta de folhas de acanto.
Origem/Historial: "Se, à partida o contorno do desenho a azul permite identificar este painel como tendo ainda sido produzido na 1ª metade do sécculo XVII, o facto de o estandarte exibir uma flor-de-lis, parece remeter para 1666, o ano do casamento de D. Afonso VI, o segundo monarca da Dinastia de Bragança, com Maria Francisca de Sabóia, princesa d' Aumale, afilhada de Luís XIV de França. A ser assim, estamos em presença de um testemunho da permanência de um gosto, numa época em que a maioria da produção de azulejo e faiança apresentava o desenho contornado a manganês.
Esta peça integrava um dos cantos de um frontão - coroado por um serafim que sustenta uma cruz - em cujo centro, no interior de uma cartela, se observa a Pomba do Espírito Santo. Do conjunto, hoje incompleto, fazem ainda parte duas colunas que acentuam o caracter clássico e triunfalista da representação. Infelizmente, não se conhecendo a figura que estaria em contraponto a este arcanjo-tenente, é difícil assegurar com rigor o seu sentido. O facto de se tratar de um arcanjo e não uma anjo confere-lhe uma importância acrescida, pois estas figuras surgem associadas a representações de relevância excepcional, implicando uma afirmação do poder divino. Esta dimensão religiosa é acentuada pela presença de uma das entidades que compõem a Santíssima Trindade, precisamente o Espírito Santo, a que a cruz pode acrescentar o sentido de Filho. Por outro lado, se a presença dos vários elementos associados à iconografia católica paraecem conduzir o seu sentido numa ideia de religiosidade, a heráldica desmente-o parcialmente, apontando antes para a feição divina das casas representadas.
Por todos estes motivos, trata-se de um apinel que deverá celebrar um acontecimento considerado decisivo à época e que por isso se queria materializado em suporte cerâmico. O azulejo, permitia, assim, ultrapassar a transitoriedade da arte efémera que deverá ter estado na origem da sua criação, pois é muito provável que se tenha inspirado num arco dos que se construíam para a passagem de cortejos ou comemorar datas importantes do calendário civil e religioso."
João Pedro Monteiro, in "Azulejos. Obras do Museu Nacional do Azulejo", Ed. Chandeigne, 2009, pp.32.
Incorporação: Adquirido ao Sr. José Lúcio Antunes.
Centro de Fabrico: Lisboa, Portugal
Bibliografia
Tapices cerámicos de Portugal : el azulejo del siglo XVI al siglo XX = Tapetes cerâmicos de Portugal : o azulejo do século XVI ao século XX. Lisboa: Museu Nacional do Azulejo, DL, 2007
Azulejos. Obras do Museu Nacional do Azulejo. S.l.e.: Chandeigne, 2009.
"Um Gosto Português. O Uso do Azulejo no Século XVII", Catálogo da exposição temporária no MNAz, Edição Babel e MNAz, 2012.
Exposições
Tapices cerámicos de Portugal : el azulejo del siglo XVI al siglo XX = Tapetes cerâmicos de Portugal : o azulejo do sécu
Real Fabrica de Tapices, Madrid
7/11/2007 a 9/12/2007
Exposição Física
As Colecções do Museu Nacional do Azulejo, Lisboa
Centro Cultural FIESP - São Paulo - Brasil
7/4/2008 a 20/7/2008
Exposição Física
"Um Gosto Português. O Uso do Azulejo no Século XVII"