Taça

  • Museu: Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
  • Nº de Inventário: CMAG 4
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Autor desconhecido (Desconhecido)
  • Datação: 1506/1521
  • Técnica: Azul cobalto aplicado com pincel sobre a porcelana crua revestida em seguida de vidrado
  • Dimensões (cm): Alt. 9 x Diâm. boca:19,5; base:18,1
  • Descrição: Taça com corpo de porcelana branca, muito fino, e um vidrado levemente azulado. Tem paredes arredondadas que se projectam para o exterior junto ao bordo, formando um pequeno lábio, e repousa sobre um pé ligeiramente inclinado para o interior, cuja extremidade, não vidrada, se tornou acastanhada em contacto com a atmosfera do forno. É de forma bastante irregular, conforme se pode verificar pelas medidas do diâmetro. A taça é decorada a azul cobalto sob o vidrado. O pé e o bordo são sublinhados por dois círculos concêntricos azuis. O interior apresenta, no fundo, dentro de dois círculos, um medalhão formado por botões de lótus estilizados entrelaçados, e, nas paredes, dez flores de lótus com botões e folhas estilizadas; a decoração é rematada, junto do bordo, por uma cercadura de motivos geométricos cruzados. No exterior, sobre um friso de painéis de lótus, desenvolve-se um enrolamento contínuo de seis flores de lótus com botões e folhas. A peça ostenta na base, sob o vidrado e dentro de um duplo círculo, a marca apócrifa de Xuande (1426-1435), caligrafada a azul, em seis caracteres dispostos em duas colunas de três caracteres: "da Ming Xuande nian zhi" (feito no período Xuande da grande dinastia Ming). A flor de lótus, um elemento da iconografia budista, símbolo de pureza por crescer imaculada nas águas pantanosas, constituia já um dos principais e mais populares motivos de decoração das cerâmicas do começo da dinastia Song (960-1279), provenientes dos fornos Ding, Yaozhou e Longquan. A porcelana azul e branca começou a ser produzida cerca de 1320 nos mesmos centros dos "qingbai", e exportada em meados do século XIV, durante a dinastia Yuan (1279-1368). O cobalto vinha da Pérsia, da aldeia de Qamsar, sendo extraído das montanhas à volta de Kashan. O minério de cobalto era já utilizado naquele país nas faianças cozidas a baixa temperatura, tendo sempre tendência para escorrer. Em Jingdezhen, foi pintado com um pincel sobre a porcelana crua, apenas seca, que o absorvia, e revestido de um vidrado transparente que o cozia, tal como o corpo, a alta temperatura. Neste centro cerâmico, o maior e mais importante da China, o azul cobalto será estabilizado, o que permitira obter efeitos totalmente diferentes.
  • Origem/Historial: A peça foi adquirida a Luis Leal Lda em 01/11/1943, por 1.000$00 (mil escudos). Em 1965, as Finanças atribuíram-lhe o valor de 12.000$00 (doze mil escudos). A peça foi incorporada em 18/8/1967 por auto de entrega e cessão de bens ao Estado.
  • Incorporação: Por testamento de 31 Julho de 1964
  • Centro de Fabrico: Fornos de Jingdezhen

Bibliografia

  • DESROCHES, Jean-Paul; Pinto de Matos, Maria Antónia - Do Tejo aos Mares da China: uma epopeia portuguesa. Paris: Réunion des Musées Nationaux, 1992
  • LION-GOLDSCHMIDT, Daisy - Les poteries et porcelaines chinoises. Paris: Presses Universitaires de France, 1978
  • MATIAS, Maria Margarida Marques - Colecção Anastácio Gonçalves. Catálogo. Pintura. Cerâmica. Mobiliário.. Lisboa: I.P.P.C./ C.M.A.G., 1984
  • MATIAS, Maria Margarida Marques; Mota, Manuela - China e Islão. Gramáticas Decorativas. Lisboa: 1992
  • PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
  • KRAHE, Cinta - Chinese Porcelain in Habsburg Spain, Centro de Estudos Europa Hispânica, 2016
  • AAVV, Le Bleu des Mers. Dialogues entre la Chine, la Perse et l'Europe, Fondation Baur, Musée des Arts d'Extreme Orient, Continents Editions, Italie, Novembro 2017

Exposições

  • China e Islão. Gramáticas Decorativas

    • Lisboa, Casa-Museu Anastácio Gonçalves
    • Exposição Física

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