Técnica: Decoração incisa na pasta e posteriormente coberta de vidrado.
Dimensões (cm): Alt. 5,3 x Diâm. 19,7 (boca); 6 (base)
Descrição: Pequena taça executada numa pasta branca, de grão fino e apertado. O corpo, de paredes arredondadas que se projectam para o exterior junto do bordo, formando um lábio recortado, sugerindo seis pétalas, repousa sobre pequeno pé. É decorada no interior com uma peónia de longo pendúnculo e duas hastes apenas com folhas pontiagudas e recortadas, uma de cada lado, obtidas por incisões e aplicações de pente na pasta. A peça foi posteriormente revest... Ver maisida, à excepção da base e da extremidade do pé, com um vidrado verde azulado que aderiu perfeitamente à pasta e, ao acumular-se nas incisões, realçou a decoração.
A peónia, motivo decorativo que parece ter sido adoptado durante o seculo XI, suplantou, no decorrer da dinastia Song, a flor de lótus, símbolo de pureza, venerada pelos iconógrafos desde a introduçao do budismo na China. Aquela flor encontra-se sobretudo nas decorações incisas, integrando mais tarde motivos pintados em engobe.
Este género de cerâmica é descrito pelos oleiros como um «céladon branco» devido à aderência do corpo e do vidrado e a tonalidade esverdeada deste. Estas porcelanas brancas são aparentadas com os artigos Ding pelas formas e pelas decorações. Os chineses designam-nas por dois nomes: "qingbai" (branco azulado) e "Yingqing" (azul pálido). Ambos podem ser utilizados, se bem que o primeiro pareça definir mais o género e o segundo se refira mais ao vidrado. Aquelas designações sao meramente descritivas e não se referem ao lugar de origem.
« Os artigos "qingbai" são de facto os primeiros a merecer habitualmente a designação de porcelana, definida no ocidente como sendo dura, vitrificada, ressonante à percussao, branca e translúcida».
Origem/Historial: A peça foi adquirida ao Dr. George Duff, em 26/05/1960, por 1.300$00 (mil e trezentos escudos). Em 1965, as Finanças atribuíram-lhe o valor de 2.500$00 (dois mil e quinhentos escudos). A peça foi incorporada em 18/8/67 por auto de entrega e cessão de bens ao Estado.
Incorporação: Por testamento de 31/07/1964
Centro de Fabrico: Provavelmente fornos de Jingdezhen
Bibliografia
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KUO, Jason; Thompson, Melissa Walt e Klaptor, Frances - Born of Earth and Fire - Chinese Ceramics from Scheinman collection. Maryland: The Department of Art History and Archaelogy, University, 1992
MATIAS, Maria Margarida Marques - China e Islão. Gramáticas Decorativas. Lisboa: 1992
PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
TREGEAR, Mary - La Céramique Song. Paris: Editions Vilo, 1982
AAVV- Mille ans de Monochromes, Vaisselle sacrée et profane des empereurs de Chine | A Millennium of Monochromes, From the Great Tang to the High Qing, les collections Baur et zhuyuetang | The Baur and the Zhuyuetang Collections. Fondation Baur, Musée des arts d'Extrême-Orient | Continents Editions, Milan, 2018