Técnica: Azul cobalto aplicado com pincel sobre a pasta crua, revestida em seguida de vidrado.
Dimensões (cm): Alt. 6,2 x Diâm. 30,3
Descrição: Prato fundo, circular, executado em porcelana branca e espessa, repousando sobre pequeno pé ligeiramente inclinado para o interior, cuja extremidade, sem vidrado, tomou uma cor rosada em contacto com a atmosfera do forno. A aba, estreita e levemente inclinada, está associada a uma caldeira de perfil curvilíneo. A peça apresenta uma decoração a azul cobalto profundo sob um vidrado azulado que aderiu mal à pasta em certos sítios. Durante a cozedura, o azul, muito concentrado, terá rebentado o vidrado, tomando um aspecto irisado, dourado, detectável pela vista e pelo tacto. A frente ostenta, no fundo, um medalhão redondo, preenchido por uma fénix de grande cauda, pousada sobre um rochedo, cercada de crisântemos desabrochados, pequenos bambus e outra plantas, nuvens e três aves voando. Delimitam o fundo dois círculos concêntricos donde parte um friso de cabeças "ruyi" que invade ligeiramente a caldeira, sem qualquer decoraçao. Na aba, símbolos enlaçados com fitas ondulantes: rolo de pintura, concha, jóia, sapeca e losango alternam sucessivamente com uma flor com caule e folhas, um raminho com flor e pêssego e outro com pêssego e folhas. No exterior, o pé é acentuado por um filete azul e outro que o separa da parede da caldeira, donde partem dois grandes ramos bifurcados, sendo o da direita muito prolongado e apresentando um pêssego, folhas e uma ave poisada. No reverso da aba, cinco corolas com hastes horizontais rematando em folha alternam com um ponto. A base, convexa, apresenta a marca «fu gui jia qi» (belo objecto para alguém rico e nobre), escrita em caracteres de selo, dentro de um rectângulo.
Origem/Historial: A peça foi adquirida a Joaquim Pereira da Cunha, de Penafiel, por 250$00 (duzentos e cinquenta escudos), em 1942. Em 1965, as Finanças atribuiram-lhe o valor de 7.500$00 (sete mil e quinhentos escudos). A peça foi incorporada em 18/8/67 por auto de entrega e cessão de bens ao Estado.
Incorporação: Por testamento em 31 de Julho de 1964
Centro de Fabrico: Fornos de Jingdezhen
Bibliografia
KRAHL, Regina; Erbahar,Nurdan - Chinese Ceramics,in the Topkapi Saray Museum (3 vols.). London: Sotheby's Publications, 1986
MATIAS, Maria Margarida Marques; Mota, Manuela - China e Islão. Gramáticas Decorativas. Lisboa: 1992
PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
AAVV, Le Bleu des Mers. Dialogues entre la Chine, la Perse et l'Europe, Fondation Baur, Musée des Arts d'Extreme Orient, Continents Editions, Italie, Novembro 2017