Técnica: Azul cobalto aplicado com pincel sobre a porcelana crua, revestida em seguida de vidrado.
Dimensões (cm): Alt. 9,5 x Diâm. 43,5 e 43,9; 21,9 (base)
Descrição: Prato com corpo de porcelana branca, pesada e espessa, com algumas impurezas ferruginosas e um vidrado brilhante e azulado. Este grande prato fundo e circular, de parede arredondada e aba levantada, repousa sobre pé, recuado e inclinado para o interior, sem vidrado na extremidade, com uma linha alaranjada em toda a volta, marcando a paragem do vidrado. A base, não vidrada, apresenta estrias concêntricas e radiais deixadas pelo torno. Esta peça, de grande qualidade, e decorada com temas tipicos da era de Jiajing, em tons de azul cobalto, profundo, habilmente contrastados com outros mais claros, sombreados com traços e ponteados mais escuros. No fundo, delimitado por dois círculos, desenvolve-se uma paisagem marítima onde a noção de profundidade nos é dada pela distribuição das ilhotas com núcleos de rochedos verticais, cabanas de colmo, pagodes com o seu estandarte, pavilhões de duplo telhado e vegetação. O primeiro plano é fortemente sublinhado pela água, sugerida por traços azuis paralelos, onde navega uma sampana de vela desfraldada, flutuam plantas aquáticas e emergem dois grandes grupos de rochedos verticais ligados por uma ponte atravessada por duas figuras.
Estas parecem dirigir-se para um pavilhão de duplo telhado que se entrevê à esquerda. Atrás deste eleva-se um pinheiro onde repousam duas garças brancas, apenas delineadas a azul. No segundo plano, vê-se um troço de muralhas em ruínas. Estas paisagens onde domina o elemento marítimo ou lacustre, que se desenvolvem no fundo de pratos muito grandes ou de dimensões reduzidas e nas paredes das taças, parecem ter aparecido por volta dos meados do período de Jiajing, continuando até finais do século XVI. A caldeira não tem decoração. A banda que preenche a aba, é composta por uma sucessão de garças, alternadamente pintadas a azul, numa atitude de voo, ou reservadas a branco, de pé, em frente de uma folha de lótus azul escuro, sucedendo-lhe flores e folhas de lótus, brotando da água assinalada por traços paralelos. Este tipo de cercadura, que geralmente acompanha as decorações aquáticas é um dos mais característicos do período de Jiajing. No tardoz, além do enrolamento de espirais interligadas que decoram o pé, a parede ostenta quatro ramos de romãzeira com folhas, frutos, encaracolamentos e esquilos separados entre si por uma conta. No reverso da aba, seis ramos de "lingzhi" alternam com emblemas.
Na série de pratos decorados com paisagens marítimas e cercaduras de garças e lótus existentes no Topkapi Saray Museum, dois são praticamente iguais a este exemplar. Esta peça assemelha-se também a uma do Palácio de Santos.
Origem/Historial: O prato foi adquirido (por troca) ao Dr. Barjona de Freitas, em 9/6/1945, por 2.500$00 (dois mil e quinhentos escudos). Em 1965, as Finanças atribuíram-lhe o valor de 15.000$00(quinze mil escudos).
A peça foi incorporada em 18/8/1967 por auto de entrega e cessão de bens ao Estado.
Incorporação: Por testamento em 31 de Julho de 1964
Centro de Fabrico: Fornos de Jingdezhen
Bibliografia
KRAHL, Regina; Erbahar,Nurdan - Chinese Ceramics,in the Topkapi Saray Museum (3 vols.). London: Sotheby's Publications, 1986
LION-GOLDSCHMIDT, Daisy - Arts Asiatiques, « Les Porcelaines Chinoises du Palais de Santos ». Paris: Nouvelle Edition, 1988
MATIAS, Maria Margarida Marques; Mota, Manuela - China e Islão. Gramáticas Decorativas. Lisboa: 1992
PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
AAVV, Le Bleu des Mers. Dialogues entre la Chine, la Perse et l'Europe, Fondation Baur, Musée des Arts d'Extreme Orient, Continents Editions, Italie, Novembro 2017