Técnica: Azul cobalto aplicado com pincel sobre a porcelana crua, revestida em seguida de vidrado.
Dimensões (cm): Alt. 9,5 x Diâm. 42,5; 24,2 (base)
Descrição: Prato executado em porcelana muito branca, com pequenas impurezas ferruginosas, revestida por um vidrado brilhante e quase incolor. Este grande prato fundo e circular, de parede arredondada, sem aba e côncavo no centro, ergue-se sobre um pé, recuado e inclinado para o interior, cuja extremidade, sem revestimento, apresenta uma linha alaranjada em toda a volta, que marca a paragem do vidrado. A base, não vidrada, é marcada por estrias concêntricas e radiais deixadas pelo torno. A decoração apresenta, sob o vidrado, vários tons de azul cobalto, que variam entre o azul profundo e o cinzento prateado, sombreados com traços e pontos mais escuros. No tardoz, além do enrolamento que acentua o pé, decoram a parede cinco ramos de ameixieira floridos com ave poisada, partindo do bordo, alternando com um insecto e um crescente lunar. Na frente e ao centro, dentro de um medalhão inscrito no duplo círculo que delimita o fundo, uma paisagem com rochas e arbustos, três gamos, um manchado e dois mosqueados, três macacos colhendo pêssegos, um no solo e dois agarrados ao tronco e ramo de um grande pessegueiro com frutos, em parte dissimulado por nuvens estilizadas. No céu voam insectos e uma ave em voo picado. O medalhão, onde a paisagem se inscreve, tem a forma de estrela recortada em chavetas e é rodeado por oito nuvens. Esta decoração central é acentuada por uma banda branca que ocupa a parte inferior da caldeira. Esta remata com uma cercadura constituída por oito segmentos de motivos encanastrados, pétalas em cruz, favos de mel e escamas, separados entre si por oito medalhões polilobados, preenchidos, alternadamente, por um " lingzhi " azul e uma lebre reservada a branco sobre um motivo vegetalista, a qual reforça os votos de longevidade expressos pelos pêssegos e pelos "lingzhi", pois atinge mil anos de idade e, segundo a tradição, reside na lua onde esmaga as drogas do licor que confere a imortalidade.
O macaco, um dos animais simbólicos que corresponde ou tem afinidade com o nono dos Doze Ramos Terrestres, e comummente aceite como emblema da fealdade e da astúcia e como mascote do funcionário, pois macaco ("hu") pronuncia-se como «esperar um posto». O macaco é também um animal capaz de conceder saúde, protecção e sucesso à humanidade, consolando e conservando afastados os espíritos maléficos e os duendes, que os chineses acreditam serem a causa da doença e da falta de sucesso no estudo e no comércio.
Existem dois pratos muito semelhantes a este, quer na forma quer na decoração, no Topkapi Saray Museum de Istambul.
Origem/Historial: A peça foi adquirida a Sabat, em 12/02/1948, por 3.000$00 (três mil escudos). Em 1965, as Finanças atribuíram-lhe o valor de 15.000$00 (quinze mil escudos). A peça foi incorporada em 18/8/67 por auto de entrega em cessão de bens ao Estado.
Incorporação: Por testamento em 31 de Julho de 1964
Centro de Fabrico: Fornos de Jingdezhen
Bibliografia
KRAHL, Regina; Erbahar,Nurdan - Chinese Ceramics,in the Topkapi Saray Museum (3 vols.). London: Sotheby's Publications, 1986
LION-GOLDSCHMIDT, Daisy - La Porcelaine Ming. Fribourg: Office du Livre, 1978
MATIAS, Maria Margarida Marques; Mota, Manuela - China e Islão. Gramáticas Decorativas. Lisboa: 1992
PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
WILLIAMS, C.A.S. - « Chinese Symbolism and Art Motifs». Vermont & Tokyo: Company Inc. of Rutland, 1993
KRAHE, Cinta - Chinese Porcelain in Habsburg Spain, Centro de Estudos Europa Hispânica, 2016
AAVV, Le Bleu des Mers. Dialogues entre la Chine, la Perse et l'Europe, Fondation Baur, Musée des Arts d'Extreme Orient, Continents Editions, Italie, Novembro 2017