Prato

  • Museu: Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
  • Nº de Inventário: CMAG 13
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 16
  • Técnica: Azul cobalto aplicado com pincel sobre a porcelana crua, revestida em seguida de vidrado.
  • Dimensões (cm): Alt. 9,5 x Diâm. 42,5; 24,2 (base)
  • Descrição: Prato executado em porcelana muito branca, com pequenas impurezas ferruginosas, revestida por um vidrado brilhante e quase incolor. Este grande prato fundo e circular, de parede arredondada, sem aba e côncavo no centro, ergue-se sobre um pé, recuado e inclinado para o interior, cuja extremidade, sem revestimento, apresenta uma linha alaranjada em toda a volta, que marca a paragem do vidrado. A base, não vidrada, é marcada por estrias concêntricas e radiais deixadas pelo torno. A decoração apresenta, sob o vidrado, vários tons de azul cobalto, que variam entre o azul profundo e o cinzento prateado, sombreados com traços e pontos mais escuros. No tardoz, além do enrolamento que acentua o pé, decoram a parede cinco ramos de ameixieira floridos com ave poisada, partindo do bordo, alternando com um insecto e um crescente lunar. Na frente e ao centro, dentro de um medalhão inscrito no duplo círculo que delimita o fundo, uma paisagem com rochas e arbustos, três gamos, um manchado e dois mosqueados, três macacos colhendo pêssegos, um no solo e dois agarrados ao tronco e ramo de um grande pessegueiro com frutos, em parte dissimulado por nuvens estilizadas. No céu voam insectos e uma ave em voo picado. O medalhão, onde a paisagem se inscreve, tem a forma de estrela recortada em chavetas e é rodeado por oito nuvens. Esta decoração central é acentuada por uma banda branca que ocupa a parte inferior da caldeira. Esta remata com uma cercadura constituída por oito segmentos de motivos encanastrados, pétalas em cruz, favos de mel e escamas, separados entre si por oito medalhões polilobados, preenchidos, alternadamente, por um " lingzhi " azul e uma lebre reservada a branco sobre um motivo vegetalista, a qual reforça os votos de longevidade expressos pelos pêssegos e pelos "lingzhi", pois atinge mil anos de idade e, segundo a tradição, reside na lua onde esmaga as drogas do licor que confere a imortalidade. O macaco, um dos animais simbólicos que corresponde ou tem afinidade com o nono dos Doze Ramos Terrestres, e comummente aceite como emblema da fealdade e da astúcia e como mascote do funcionário, pois macaco ("hu") pronuncia-se como «esperar um posto». O macaco é também um animal capaz de conceder saúde, protecção e sucesso à humanidade, consolando e conservando afastados os espíritos maléficos e os duendes, que os chineses acreditam serem a causa da doença e da falta de sucesso no estudo e no comércio. Existem dois pratos muito semelhantes a este, quer na forma quer na decoração, no Topkapi Saray Museum de Istambul.
  • Origem/Historial: A peça foi adquirida a Sabat, em 12/02/1948, por 3.000$00 (três mil escudos). Em 1965, as Finanças atribuíram-lhe o valor de 15.000$00 (quinze mil escudos). A peça foi incorporada em 18/8/67 por auto de entrega em cessão de bens ao Estado.
  • Incorporação: Por testamento em 31 de Julho de 1964
  • Centro de Fabrico: Fornos de Jingdezhen

Bibliografia

  • KRAHL, Regina; Erbahar,Nurdan - Chinese Ceramics,in the Topkapi Saray Museum (3 vols.). London: Sotheby's Publications, 1986
  • LION-GOLDSCHMIDT, Daisy - La Porcelaine Ming. Fribourg: Office du Livre, 1978
  • MATIAS, Maria Margarida Marques - Colecção Anastácio Gonçalves. Catálogo. Pintura. Cerâmica. Mobiliário. Lisboa: I.P.P.C./ C.M.A.G., 1984
  • MATIAS, Maria Margarida Marques; Mota, Manuela - China e Islão. Gramáticas Decorativas. Lisboa: 1992
  • PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
  • WILLIAMS, C.A.S. - « Chinese Symbolism and Art Motifs». Vermont & Tokyo: Company Inc. of Rutland, 1993
  • KRAHE, Cinta - Chinese Porcelain in Habsburg Spain, Centro de Estudos Europa Hispânica, 2016
  • AAVV, Le Bleu des Mers. Dialogues entre la Chine, la Perse et l'Europe, Fondation Baur, Musée des Arts d'Extreme Orient, Continents Editions, Italie, Novembro 2017

Exposições

  • China e Islão. Gramáticas Decorativas

    • Lisboa, Casa-Museu Anastácio Gonçalves
    • Exposição Física

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