Técnica: Azul cobalto aplicado com pincel sobre a porcelana crua e depois revestida com vidrado.
Dimensões (cm): Alt. 2,7 x Diâm. 19,5
Descrição: Pequeno prato, circular, ligeiramente côncavo no centro, com caldeira arredondada e aba quase direita, executado numa porcelana branca e densa. A base convexa é marcada por estrias radiais do acabamento no torno. Recebeu uma decoraçao cuidada, densa e forte, de traços precisos, pintada a azuis intensos sob um vidrado untuoso, brilhante e azulado. Os azuis são sombreados de traços mais escuros. Na frente, o fundo, delimitado por dois círculos concêntricos, é preenchido com uma paisagem marítima; o primeiro plano, muito vigoroso, constituído por grandes rochedos verticais, dos quais o mais elevado, encimado por um chorão, é o eixo da composiçao. Aqui encontramos também a ponte a ser atravessada pelo ancião e o seu jovem assistente que parecem dirigir-se para um pavilhão de dois telhados, um pagode, uma árvore plena de folhas e a lua no firmamento. Sobre a água, sugerida por traços azuis paralelos, navega uma sampana de vela desfraldada. A caldeira não tem decoração. A densidade da decoração central repete-se na aba estreita, onde oito garças, reservadas a branco, de pé, frente a uma folha de lótus azul escuro, alternam com flores e folhas de lótus que brotam da água. O exterior não apresenta qualquer decoração à excepção do friso de espirais interligadas que ornam o pé inclinado para o interior, cuja extremidade tomou uma cor alaranjada em contacto com a atmosfera do forno. Apresenta concreções arenosas no pé.
O prato CMAG 22 tem uma decoração muito semelhante a este exemplar, mas é menos harmoniosa e o azul cobalto mais intenso, parecendo uma miniatura de um prato grande. Na aba, com cercadura de lótus e garças, o artesão chinês parece ter-se enganado ao desenhar uma garça de cabeça escondida e metade do corpo de outra, na direcção inversa, contrariando a orientação do desenho das outras aves.
Ambos os pratos ostentam na base a marca "jing zhi" (fabrico requintado) em caracteres de selo num simples rectângulo, a azul sob o vidrado.
Origem/Historial: A peça foi adquirida a Antiquarium Lda, em 24/1/1945, por 500$00 (quinhentos escudos). Em 1965, as Finanças atribuiram-lhe o valor de 5.000$00 (cinco mil escudos).
A peça foi incorporada em 18/8/1967 por auto de entrega e cessão de bens ao Estado.
Incorporação: Por testamento em 31 de Julho de 1964
Centro de Fabrico: Fornos de Jingdezhen
Bibliografia
LION-GOLDSCHMIDT, Daisy - Arts Asiatiques, « Les Porcelaines Chinoises du Palais de Santos ». Paris: Nouvelle Edition, 1988
PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
PINTO DE MATOS, Maria Antónia (Coord.) - O Exótico nunca está em casa? A China na faiança e no azulejo portugueses (séculos XVII e XVIII). The Exotic is never home? The presence of China in Portuguese faience and azulejo (17yh-18th centuries). Museu Nacional do Azulejo. 2013
AAVV, Le Bleu des Mers. Dialogues entre la Chine, la Perse et l'Europe, Fondation Baur, Musée des Arts d'Extreme Orient, Continents Editions, Italie, Novembro 2017