Taça
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Museu: Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
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Nº de Inventário: CMAG 40
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Cerâmica
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1600/1610
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Técnica: Azul cobalto aplicado com pincel sobre a pasta crua revestida em seguida de vidrado.
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Dimensões (cm): Alt. 7,5 x Diâm. 14,8, 14,5; base: 6
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Descrição: Pequena taça com corpo de porcelana branca, muito fina, totalmente revestida de um vidrado levemente azulado, à excepção da extremidade do pé, onde uma linha alaranjada marca a paragem do vidrado. Tem a parede arredondada que junto do bordo se projecta para o exterior, formando pequeno lábio, recortado em chavetas, e um pequeno pé direito. O azul cobalto da decoração é suave. o interior e o exterior estão divididos em oito painéis separados apenas por uma linha. No interior, o fundo, delimitado por dois círculos, apresenta um gamo branco de corpo arredondado e pernas muito juntas, pintadas irrealisticamente, em frente de um rochedo perfurado com ramos de pêssego. Nos painéis, saindo de um pequeno rochedo, ramos de pessegueiro em flor ou com fruto alternam entre si. No exterior, além dos círculos que decoram o pé e delimitam uma banda branca, junto da base, os oito painéis retomam a decoração do fundo, mostrando os gamos entreolhando-se, associados dois a dois, recortados sobre os rochedos perfurados e com ramos com pêssegos.
Conhecem-se fragmentos de uma taça muito semelhante a esta, proveniente da carga do «Witte Leeuw», um barco da Companhia das Indias Orientais Holandesa, V.O.C., afundado em 1613 ao largo da ilha de St. Helena, após uma batalha naval entre quatro navios holandeses e as naus portuguesas: Nossa Senhora da Nazaré, Protectora das carracas, e Nossa Senhora do Carmo, também chamada Conceição. Existe um outro exemplar na colecção do Santuário de Ardebil no Irão. A bordo do galeão espanhol, San Diego, recuperado no mar das Filipinas no decorrer de 1992-1993, existiam alguns exemplares semelhantes.
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Origem/Historial: A taça foi adquirida a Henrique Soares, em 10/07/1947, por 900$00 (novecentos escudos). Em 1965, as Finanças atribuiram-lhe o valor de 5.000$00 (cinco mil escudos).
A peça foi incorporada em 18/8/1967 por auto de entrega e cessão de bens ao Estado.
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Incorporação: Por testamento em 31 de Julho de 1964
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Centro de Fabrico: Fornos de Jingdezhen
Bibliografia
- DESROCHES, Jean-Paul; outros - Le San Diego. Un tresor sous la mer. La Villette, Paris: Reunion des Musees Nationaux, 1994
- MATIAS, Maria Margarida Marques - Colecção Anastácio Gonçalves. Catálogo. Pintura. Cerâmica. Mobiliário.. Lisboa: I.P.P.C./ C.M.A.G., 1984
- PIJL-KETEL, C. L. van der - The ceramic load of the «Witte Leeuw». Amesterdam: Rijksmuseum, 1982
- PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
- POPE, John Alexander - Chinese Porcelains from the Ardebil Shrine. Washington: Smithsonian, 1956
- RINALDI, Maura - Kraak Porcelain. A moment in the History of Trade. Londres: Bamboo Publishing lda, 1989
- AAVV, Le Bleu des Mers. Dialogues entre la Chine, la Perse et l'Europe, Fondation Baur, Musée des Arts d'Extreme Orient, Continents Editions, Italie, Novembro 2017