Técnica: Azul cobalto aplicado com pincel sobre a pasta crua revestida em seguida de vidrado.
Dimensões (cm): Alt. 46,5 x Larg. 41,5 x Diâm. Boca: 25; base: 29
Descrição: Pote de corpo globuloso e pequeno colo, rematando em rebordo arredondado, torneado numa porcelana branca, pesada e espessa, em três partes, cuja junção é perceptível no bojo. O vidrado, brilhante e levemente azulado, cobre a totalidade da peça à excepção da base fortemente marcada por estrias concêntricas e radiais deixadas pelo torno. A paragem do vidrado é assinalada por uma linha alaranjada em toda a volta. A decoração, de desenho muito cuidado e pouco habitual, num azul cobalto intenso sob o vidrado, reparte-se por registos delimitados por circulos concêntricos. O colo é preenchido por sete grous voando, separados entre si por nuvens. O ombro ostenta ramos de flores, nomeadamente crisântemos e ameixieira; um friso de lótus estilizados desenvolve-se junto da base. O bojo é totalmente decorado com 32 medalhões arredondados, formados por dragões "chi" enrolados sobre si próprios e nuvens, alternando com ramos de flores iguais aos do ombro. A busca da longevidade expressa pelos grous e reforçada pelos "lingzhi" que alguns dragões "chi" seguram na boca. « Estes dragões muito particulares, com juba rigida, patas arredondadas e longa cauda terminada por uma dupla voluta, são muitas vezes chamados "arcaicos", porque remontam pelo menos à época Han (206 AC a 220 DC) onde aparecem sobre discos de jade e espelhos de bronze. Segundo Jan Wirgin, não estando ligados à simbólica imperial como os clássicos dragões "long", parece terem sido empregados mais livremente enquanto motivos decorativos. Em todas as épocas a partir dos Song (960-1279), os "chi" são utilizados sobre tigelas e taças de pedra dura ou de metal, das quais constituem as asas, as suas caudas estendendo-se, em relevo à volta das peças. Finalmente, os "chi" estão presentes, igualmente em relevo, sobre numerosos monocromos, em particular sobre "céladons" e "blancs de Chine"». Lion-Goldschmidt defende ainda que os "chi " tiveram uma duração limitada na decoração "Azul e Branco", estando ligados aos períodos Jiajing (1522-1566) e Longqing (1567-1572).
Origem/Historial: Adquirido a Henrique Soares, em 14/2/1947 (?), por 7.000$00 (sete mil escudos). Em 1956, sabe-se por Milne, que a peça era de Pedro de Gusmão. Em 1965, as Finanças atribuiram-lhe o valor de 20.000$00 (vinte mil escudos). A peça foi incorporada em 18/8/1967 por auto de entrega e cessão de bens ao Estado.
Incorporação: Por testamento em 31 de Julho de 1964
Bibliografia
LION-GOLDSCHMIDT, Daisy - Arts Asiatiques, « Les Porcelaines Chinoises du Palais de Santos ». Paris: Nouvelle Edition, 1988
MATIAS, Maria Margarida Marques; Mota, Manuela - China e Islão. Gramáticas Decorativas. Lisboa: 1992
PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
AAVV, Le Bleu des Mers. Dialogues entre la Chine, la Perse et l'Europe, Fondation Baur, Musée des Arts d'Extreme Orient, Continents Editions, Italie, Novembro 2017