Taça
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Museu: Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
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Nº de Inventário: CMAG 57
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Cerâmica
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 16
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Técnica: Azul cobalto aplicado com pincel sobre a porcelana crua revestida em seguida de vidrado
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Dimensões (cm): Alt. 15,8 x Diâm. 34,8; base: 15,3
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Descrição: Grande taça de parede arredondada e pequeno pé direito, executada em porcelana branca totalmente revestida de vidrado brilhante e levemente azulado, à excepção da extremidade do pé, que apresenta duas linhas alaranjadas marcando a paragem do vidrado. A decoração, muito cuidada, é em azul cobalto intenso sob o vidrado. O pé é rodeado por um friso de espirais interligadas. No interior, o fundo, delimitado por um duplo círculo, ostenta, sobre uma mesinha baixa de quatro pés, uma cabaça com rolha em forma de flor, envolvida em chamas e fitas ondulantes, decorada com flor de lótus sobre fundo de xadrez no corpo inferior, e trigrama e "lingzhi" no corpo superior. A parede, sem decoração, apresenta junto do bordo uma cercadura com quatro conjuntos de ramos floridos, bifurcados, com ave poisada, separados entre si por um insecto. No exterior, muito decorado, sobre um friso de painéis de lótus estilizados, desenvolve-se o tema normalmente denominado por os "Três Amigos do Inverno": o pinheiro, o bambu e a ameixieira, desenhado com grande perfeição e uma excepcional aguada. Aquelas plantas são pintadas crescendo de um terreno plano com rochas ornamentais. Cada um dos três elementos, repete-se duas vezes. Nesta taça, o pinheiro de grande tronco anguloso, o alto e direito bambu e a ameixieira florida, com aves poisadas, e outras sobrevoando-a, crescendo atrás de um rochedo vertical e estilizado, estão representados lado a lado.
Os " Três Amigod do Inverno" representam as três qualidades do cavalheiro. Pensa-se também, que este tema significa as tres religiões da China: Budismo, Taoísmo e Confucionismo. Aquelas três árvores representam, respectivamente, Confúcio, Buda e Laozi. O pinheiro, sempre verde, é emblemático da longevidade e da prosperidade, e pela sua altura, símbolo de liderança. O bambu, símbolo confucionista da eterna amizade, é também um emblema de longevidade, provavelmente devido à sua durabilidade e à sua qualidade de permanecer sempre verde. A ameixieira, emblema da longevidade e ainda de Janeiro, Inverno, beleza e pureza, é uma árvore muito apreciada pelos taoistas, pois diz-se que Laozi nasceu sob uma ameixieira. A sua flor de cinco pétalas é considerada a «Flor Nacional», correspondendo cada pétala a um clã: Chinês, manchu, mongol, maometano e tibetano.
A cabaça, receptáculo dos remédios mágicos e muito durável depois de seca, é o símbolo do mistério e da necromancia; é também o emblema de Li Tieguai, um dos "Oito Imortais" do Taoismo.
No Topkapi Saray Museum de Istambul existem duas taças muito semelhantes a esta, quer na forma e dimensoões, quer na decoração.
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Origem/Historial: A taça foi adquirida no leilão de Pintassilgo, em Lisboa, em 17/12/1950, por 720$00 (setecentos e vinte escudos), mais 10% e 10$00 de transporte. Em 1965, as Finanças atribuiram-lhe o valor de 15.000$00 (quinze mil escudos).
A peça foi incorporada em 18/8/1967 por auto de entrega e cessão de bens ao Estado.
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Incorporação: Por testamento em 31 de Agosto de 1964
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Centro de Fabrico: Fornos de Jingdezhen
Bibliografia
- KRAHL, Regina; Erbahar,Nurdan - Chinese Ceramics,in the Topkapi Saray Museum (3 vols.). London: Sotheby's Publications, 1986
- MATIAS, Maria Margarida Marques - Colecção Anastácio Gonçalves. Catálogo. Pintura. Cerâmica. Mobiliário.. Lisboa: I.P.P.C./ C.M.A.G., 1984
- PIJL-KETEL, C. L. van der - The ceramic load of the «Witte Leeuw». Amesterdam: Rijksmuseum, 1982
- PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
- SCOTT, Rosemary - Imperial Taste. Chinese Ceramics from the Percival David Fundation. San Francisco: LoChronicle Books, 1989
- KRAHE, Cinta - Chinese Porcelain in Habsburg Spain, Centro de Estudos Europa Hispânica, 2016
- AAVV, Le Bleu des Mers. Dialogues entre la Chine, la Perse et l'Europe, Fondation Baur, Musée des Arts d'Extreme Orient, Continents Editions, Italie, Novembro 2017