Garrafa

  • Museu: Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
  • Nº de Inventário: CMAG 69
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1575/1600
  • Técnica: Azul cobalto aplicado com pincel sobre a pasta crua revestida em seguida de vidrado
  • Dimensões (cm): Alt. 51 x Larg. 26
  • Descrição: Grande garrafa, piriforme, de colo alto, terminando em bolbo, e pé inclinado para o exterior, executada em porcelana branca, pesada e espessa. A peça foi moldada com paredes espessas, tendo-lhe sido cortado o remate cilíndrico do colo. Base e extremidade do pé sem vidrado. A decoração, cuidada, foi primorosamente pintada em tons de azul cobalto vivo, bem matizados, sob um vidrado brilhante, transparente, ligeiramente azulado e "craquelé", e distribuída em registos separados por dois círculos concêntricos. O superior desenvolve-se sob o bolbo, em forma de botão de lótus, com pétalas em relevo, donde pende um friso de cabeças de "ruyi" com pé, constituindo uma paisagem com rochedos estilizados, bambus, flores e folhagem. Segue-se uma banda com quatro medalhões, polilobados, reservados a branco, sobre fundo de escamas imbricadas, contendo, alternadamente, ramos com romã e com flores desabrochadas. O bojo, sublinhado por uma estreita cercadura branca, é decorado com motivo geralmente designado por "Três Amigos do Inverno": o pinheiro, o bambu e a ameixieira, repetindo-se cada uma das três árvores duas vezes. O pinheiro anguloso, com grande copa parcialmente coberta por nuvem, estende os seus braços sobre as aves voando, o bambu, a ameixieira e a peónia arborescente, que brotam de um terreno com rochedos decorativos. O pé é ornamentado por um friso de espirais interligadas. O motivo dos "Três Amigos do Inverno" tornou-se mais popular durante o período Xuande (1426-1435), continuando a ser usado nos reinados e dinastias seguintes numa grande série de artes decorativas. Conhecem-se mais dois vasos semelhantes, um no Museu Guimet de Paris (colecção Grandidier) e outro, incompleto, cortado sob o bolbo, no Museum für Kunsthandwerk de Frankfurt.
  • Origem/Historial: A peça foi adquirida (em parte por troca) a Marques Pereira, em 12/1/1949, por 7.000$00 (sete mil escudos), tendo vindo de Londres. Em 1965, as Finanças atibuíram-lhe o valor de 30.000$00 (trinta mil escudos). A peça foi incorporada em 18/8/1967 por auto de entrega e cessão de bens ao Estado.
  • Incorporação: Por testamento em 31 de Julho de 1964
  • Centro de Fabrico: Fornos de Jingdezhen

Bibliografia

  • AVITABILE, Gunhild; Schulenburg, Stephan Graf von der - Chinesisches Porzellan. Frankfurt: Museum fur Kunsthandwerk, 1992
  • GABBERT, Gunhild - Chinesisches Porzellan. Frankfurt: Museum fur kunsthandwerk, 1977
  • LION-GOLDSCHMIDT, Daisy - Les Poteries et Porcelaines Chinoises. Paris: Presses UPUF, 1978
  • MATIAS, Maria Margarida Marques - Colecção Anastácio Gonçalves. Catálogo. Pintura. Cerâmica. Mobiliário.. Lisboa: I.P.P.C./ C.M.A.G., 1984
  • MATIAS, Maria Margarida Marques; Mota, Manuela - China e Islão. Gramáticas Decorativas. Lisboa: 1992
  • PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996
  • SCOTT, Rosemary - Imperial Taste. Chinese Ceramics from the Percival David Foundation. San Francisco: Los Angeles County Museum of Art and Chronicle Books, 1989
  • AAVV, Le Bleu des Mers. Dialogues entre la Chine, la Perse et l'Europe, Fondation Baur, Musée des Arts d'Extreme Orient, Continents Editions, Italie, Novembro 2017

Exposições

  • China e Islão. Gramáticas Decorativas

    • Lisboa, Casa-Museu Anastácio Gonçalves
    • Exposição Física

Multimédia

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