Pote
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Museu: Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
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Nº de Inventário: CMAG 141
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Cerâmica
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Autor:
Autor desconhecido (Desconhecido)
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Datação: Século 17
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Técnica: A pasta crua é revestida de vidrado, depois de cozidos recebem os esmaltes.
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Dimensões (cm): Alt. 45 x Larg. 38,5 x Diâm. boca 21,5; base 27,5
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Descrição: Pote bojudo, de colo curto e cilíndrico, rematando em rebordo arredondado, cujo corpo se estreita a partir da base, formando uma cintura de onde emerge um bojo que atinge a dimensão máxima abaixo do ombro. Foi executado ao torno numa porcelana branca, pesada e espessa, com pequeninas manchas ferruginosas, em dois momentos, sendo a junção das partes perceptível no interior, a meio do bojo. O vidrado, transparente e incolor, cobre a totalidade da peça, à excepção da base, marcada com estrias concêntricas e radiais, que se tornou castanha em contacto com a atmosfera do forno. A decoração, em esmaltes da paleta da «familia verde» (verde, vermelho ferro, amarelo, beringela e azul), desenvolve-se sobre toda a superfície, com uma paisagem montanhosa, com rochas verdes e castanhas, chorões e duas grandes árvores de copa verde e vermelha, em parte dissimuladas por nuvens, onde duas importantes personagens, incluíndo uma dama com uma viola, montando a cavalo, acompanhadas por quatro peões, se dirigem para quatro homens que correm, solicitos, ao seu encontro. No ombro, sobre fundo de motivos geométricos em vermelho, destacam-se quatro reservas brancas, polilobadas, contornadas a verde e amarelo, contendo símbolos de bom augúrio enlaçados por fitas verdes: os livros, os losangos, os rolos de pintura e a folha. Rodeia o colo uma paisagem montanhosa, à beira da água, com figuras, casas, pavilhões, chorões e outras árvores.
A cena decorativa reoresentada nesta peça ilustra provavelmente um episódio de Wang Zhao Jun, concubina imperial do imperador Yuandi dos Han (49-33 a C) que a deu ao Khan dos Xiongnu, que fez dela rainha. A passagem aqui representada poderá ser o momento em que a concubina sai do acampamento para ir ao encontro dos Xiongnu. A lenda de Wang Zhao Jun foi um tema recorrente em inúmeras obras da literatura chinesa.
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Origem/Historial: Adquirido, em trocas, a Alexandre Fernandes, em 6/10/1962, por 15.000$00 (quinze mil escudos). Sabe-se que pertenceu a Amaral Cabral que o vendeu a Hortega.
Em 1965, as Finanças atribuiram-lhe o valor de 10.000$00 (dez mil escudos).
A peça foi incorporada em 18/8/1967 por auto de entrega e cessão de bens ao Estado.
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Incorporação: Por testamento de 31 de Julho de 1964
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Bibliografia
- MATIAS, Maria Margarida Marques - Colecção Anastácio Gonçalves. Catálogo. Pintura. Cerâmica. Mobiliário.. Lisboa: I.P.P.C./ C.M.A.G., 1984
- PINTO DE MATOS, Maria Antónia - A Casa das Porcelanas. Cerâmica chinesa da Casa-Museu Dr.Anastácio Gonçalves. Londres: Phipip Wilson/IPM, 1996