Arqueta

  • Museu: Museu Nacional de Arte Antiga
  • Nº de Inventário: 108 Our
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Ourivesaria
  • Autor: Pintor (Ourives)
  • Datação: Século 15
  • Técnica: Prata fundida, relevada, cinzelada, incisa e dourada; corais polidos e perfurados
  • Dimensões (cm): Alt. 22,7 x Larg. 18,2 x Prof. 10
  • Descrição: Arqueta em forma de paralelepípedo com tampa abaulada, sustentada nos cantos por quatro anjos de asas abertas. Todas as superfícies da arqueta são preenchidas por faixas com finíssimos desenhos trabalhados a cinzel. A decoração compõe-se de enrolamentos vegetalistas sobre um fundo de olhetes puncionados, estando dividida em painéis verticais na tampa e na caixa, separados entre si por frisos de perlados que asseguram a continuidade decorativa nas duas partes. Duas pequenas argolas ladeiam a arqueta. O fecho é composto por uma lingueta articulada por charneira, flordelisada no topo e espigão que enrosca em fechadura quadrangular, nos cantos da qual se repete o mesmo motivo. A arqueta é encimada por uma cruz tubular decorada nas extremidades e nos ângulos por sete pequenas contas de coral, simulando bagas de frutos ou botões de flor com corolas.
  • Origem/Historial: Sabemos que esta obra de arte provém do convento de Nossa Senhora da Misericórdia dos dominicanos de Aveiro. No entanto, pouco se sabe do espaço que realmente ocupou no programa de distribuição das relíquias e imagens do mosteiro. Durante a Idade Média concentravam-se na sacristia quase todas as relíquias e alfaias litúrgicas deste cenóbio, perdidas num incêndio que queimou "esta casa com toda a prata, e ornamentos" só se salvando a relíquia do Santo Lenho. Tinha este sido oferecido pelo Convento da Batalha e veio a ser recolhido num novo relicário, em prata dourada, quando o Prior Frei Gonçalo de Oliveira, no ano de 1541, foi pela segunda vez confirmado Prior. Foi talvez este incêndio e o estado de penúria financeira que os Duques de Aveiro, patronos da maioria dos conventos dominicanos, deixaram chegar esta casa, tendo eles de se socorrer das pratas da sacristia, que levou a que, aquando da extnção do convento, constassem apenas, nas "Contas Correntes dos Objectos Preciosos", uma custódia, uma âmbula, um relicário, um porta-paz, um cofre, cinco cálices e respectivas patenas, e um depauperado faqueiro. Destas tinham ficado, em 1837, reservadas na Casa da Moeda, como consideradas "obras... dignas de ser colocadas nos Museos", esta arqueta que agora tratamos e uma custódia. Mas nem esta tentativa de salvaguarda evitou que em Outubro de 1844 a custódia fosse, também ela, para à findição do tesouro público. Não deixa de ser curioso que apesar de todas estas vissicitudes, se tenha poupado o cofre. Sobrepôs-se, com certeza, o valor artístico ao valor pecuniário. Esta peça é realmente de uma extraordinária execução e teve mostra pública, pela primeira vez, em 1882, na famosa Exposição de Arte Ornamental..., tendo sido classificada como obra do século XVI. Já no século XX fez-se uma tentativa de aproximação desta arqueta a uma outra da Misericórdia de Montemor-o-Novo que teria sido mandada fazer por João da Veiga, Gomes Anes Freire, Pero Nunes, Afonso Diniz, Andre Gonçalvez e Pero Anes de Abreu no ano 1454. Esta datação parece ser consensual, embora Irene Quilhó quisesse ver algumas semelhanças entre os anjos que sustentam esta arca e os dos túmulos de pedra do rei D. Fernando, guardado no Museu Arqueológico do Carmo, datável da segunda metade do século XIV. Esta comparação é feita, naturalmente, tendo como base simples pressupostos estilísticos e formais, não olhando aos factos históricos que envolvem a proveniência da peça. Efectivamente o Convento de Nossa Senhora da Misericórdia de Aveiro foi fundado pelo infante D. Pedro, em 1423, e a igreja consagrada apenas a 20 de Janeiro de 1464. Entre estas datas, estará com certeza o momento em que a arqueta foi doada ao convento. As dúvidas envolvem, tanto a datação como o centro de fabrico da peça, alargam-se à própria função da alfaia, não sendo clara a utilidade que este cofre realmente desempenhou, podendo ter servido como relicário ou caixa eucarística. * Forma de Protecção: classificação; Nível de classificação: interesse nacional; Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas; Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro; Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006; 18/07/2006 *
  • Incorporação: Convento de São Domingos de Aveiro
  • Centro de Fabrico: Não determinado

Bibliografia

  • DIAS, Pedro; "Artes decorativas - Ourivesaria" - in História de Arte em Portugal- O Gótico. (dir. Pedro Dias): Lisboa, 1986.
  • COUTO, João; A.M.Gonçalves - "A Ourivesaria em Portugal". Lisboa: Livros Horizonte, 1960
  • Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga. Colecção de Ourivesaria, 1º volume, do Românico ao Manuelino. Lisboa: IPM, 1995
  • COUTO, João - "Ourivesaria Potuguesa, in Portugal, Exposição Portuguesa em Sevilha. Lisboa: 1929
  • QUILHÓ, Irene - "Ourivesaria", in Oito Séculos de Arte Portuguesa, de Reynaldo dos Santos. Lisboa: 1970

Exposições

  • Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portugueza e Hespanhola

    • Lisboa
    • Exposição Física
  • Exposição cultural da Época dos Descobrimentos

    • Sevilha
    • Exposição Física
  • Aux Confins du Moyen-Age,Europália 91

    • Gent
    • Exposição Física
  • Nos Confins da Idade Média. Arte Portuguesa Século XII-XV

    • Porto, Museu Nacional Soares dos Reis
    • Exposição Física
  • Exposicion Portugal en el medievo de los Monasterios a la Monarquia.

    • Madrid
    • Exposição Física
  • Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento.XVII Exp.Europeia de Arte,Ciência e Cultura do Conselho da Euro

    • Lisboa, Núcleo da Casa dos Bicos, "O Homem e a Hora São Um Só", A Dinastia de Avis
    • Exposição Física
  • Ai Confini della Terra. Scultura e arte in Portogallo 1300-1500

    • Rimini (Palazzi dell'Arengo e del Podestà)
    • 9/4/2000 a 3/9/2000
    • Exposição Física

Multimédia

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