Cálice

  • Museu: Museu Nacional de Arte Antiga
  • Nº de Inventário: 89 Our
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Ourivesaria
  • Autor: Autor desconhecido (Ourives)
  • Datação: 1178/1188
  • Técnica: Prata fundida,batida, incisa e filigranada; vidros polidos e facetados
  • Dimensões (cm): Alt. 22 x Diâm. copa 18 ; base 190
  • Descrição: Cálice românico em prata dourada, de larga copa em meia calote, pé cónico e nó prismático, em forma de esfera achatada com decorações em filigrana e pequenos vidros circulares, polidos, facetado e incrustados em engastes de gola. Na parte exterior da base em aplicação de filigrana, observa-se uma cruz com as extremidades trevadas, e no interior a inscrição indicando a doadora, a rainha D. Dulce (mulher de D. Sancho I), a invocação e o culto que deveria ser dado à peça.
  • Origem/Historial: A inscrição, no interior da base desta peça, leva a supor que o cálice foi oferecido pela Rainha D. Dulce, esposa de D. Sancho I, e que se destinava ao altar maior do Cenóbio Cisterciense, o que permite estabelecer para este cálice uma cronologia próxima de 1178-1188. A produção nacional do objecto tem sido dada como provada. Nogueira Gonçalves propôs a autoria de uma oficina lisboeta por considerar a sua técnica diferente das obras executadas em Coimbra, o que é seguido no catálogo da Europália. Couto e Gonçalves insinuam, sem o dizerem explicítamente, um fabrico local dos monges alcobacenses. Alguns autores como José Pessanha, criticaram duramente opiniões contrárias, nomeadamente Gabriel Pereira por propôr-lhe uma filiação nas peças de Limoges, o que aliás o texto do mestre eborense não diz. Curiosamente em data recente (1994) Nuno Vassalo estabeleceu de novo a ligação entre os cálices do românico português e as peças limosinas. Independentemente do fabrico parece clara a possibilidade de ligação entre as medidas e o mesmo processo de confecção desta peça e as recomendações do tratado do Monge Teófilo, no seu Das Diversas Artes, colocando o cálice dentro de modelos perfeitamente internacionalizados da ourivesaria românica. A simplicidade do cálice é atribuida nos textos mais antigos ao gostos dos primeiros tempos da nacionalidadee, a partir do texto de Gusmão, igualmente ás determinações canónicas dos monges brancos. José Matoso, em ficha monográfica da peça no catálogo da XII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura, alertou para a tradição devocional dos Cistercienses que havia na corte de Aragão, nomeadamente com o auxílio continuado de Afonso II aos monges de Pobet. Recorde-se que este irmão de D. Dulce esteve em Coimbra em 1197. * Forma de Protecção: classificação; Nível de classificação: interesse nacional; Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas; Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro; Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006; 18/07/2006 *
  • Incorporação: Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça
  • Centro de Fabrico: Portugal

Bibliografia

  • PESSANHA, José - "O cális de ouro do Mosteiro de Alcobaça" in Archeologo Portugues, nº 5. Lisboa: 1899
  • GONÇALVES, A.N. - "Da Ourivesaria medieval em Portugal", separata de O Occidente, (publicado no mesmo ano em Bracara Augusta, vol. XVI-XVII). Lisboa: 1964
  • OREY, Leonor B.S. d' - "A Ourivesaria Portuguesa no Museu Nacional de Arte Antiga". Lisboa: MNAA, 1984
  • PEREIRA, Gabriel - "Exposições de Arte Ornamental", in Estudos Eborenses, vol.2º. Évora: Livraria Nazareth, 1928
  • VASSALO E SILVA, Nuno - " A Ourivesaria no Mosteiro e nos Coutos de Alcobaça. Breves notas para o seu estudo", in Arte Sacra nos antigos Coutos de Alcobaça. Alcobaça: IPPAAR, 1995
  • GONÇALVES, A.M. - "A Custódia de Belém", in Panorama, Ano III, nº11. Lisboa: 1958
  • COUTO, João - "Os cálices na Ourivesaria Portuguesa do Século XII ao XVIII" (Conferência proferida no 2ºCongresso dos Ourives Portugueses, 1926), in Esmeralda, nºs 24 a 30. Porto: 1927
  • VASCONCELOS, Joaquim de - " A Arte Religiosa em Portugal ", fasc.15. Porto: 1915
  • BENEVIDES, Fonseca de - "Rainhas de Portugal", vol I. Lisboa: 1878
  • FERREIRA DE ALMEIDA, Carlos Alberto - "História de Arte em Portugal- O Românico", vol. III. Lisboa: Edições Alfa, 1988
  • COUTO, João; A.M.Gonçalves - "A Ourivesaria em Portugal". Lisboa: Livros Horizonte, 1960
  • GONÇALVES, A.N. - Estudos de Ourivesaria. Porto: Paisagem Editora, 1984
  • GUSMÃO, Artur Nobre - A Real Abadia de Alcobaça. Estudo Histórico e Arqueológico. Lisboa: 1948
  • SIMÕES, Augusto Filipe - "A Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portuguesa e Hespanhol. Cartas ao redactor do 'Correio da Noite'". Lisboa: Typographia Universal, 1882
  • COUTO, João - "A Arte da Ourivesaria em Portugal. Elementos decorativos", in Arte Portuguesa - As Artes Decorativas, vpl. I (cord. João Barreira). Lisboa: [1950]
  • CAETANO, Joaquim de Oliveira - "Os três cálices de Alcobaça", in Inventário do Museu Nacional de arte Antiga, Colecção de Ourivesaria, 1º vol, Do Românico ao Manuelino.. Lisboa: I.P.M., 1995
  • COUTO, João - "Ourivesaria Potuguesa, in Portugal, Exposição Portuguesa em Sevilha. Lisboa: 1929
  • QUILHÓ, Irene - "Ourivesaria", in Oito Séculos de Arte Portuguesa, de Reynaldo dos Santos. Lisboa: 1970

Exposições

  • Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portugueza e Hespanhola

    • Lisboa
    • Exposição Física
  • Exposição cultural da Época dos Descobrimentos

    • Sevilha
    • Exposição Física
  • Exposição de Ourivesaria Portuguesa dos séculos XII ao XVII, Com.Nac. de 1940.

    • Coimbra
    • Exposição Física
  • Exposição de Ourivesaria Portuguesa e Francesa.

    • Fundação R.E.S.S.Lisboa.
    • Exposição Física
  • Exhibition of Portuguese Art, 800-1800.

    • Royal Academy Arts, Londres.
    • Exposição Física
  • O Santo do Menino Jesus. Santo António, Arte e História

    • Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga
    • 13/6/1995 a 31/12/1995
    • Exposição Física
  • Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento.XVII Exp.Europeia de Arte,Ciência e Cultura do Conselho da Euro

    • Lisboa, Núcleo do Museu Nacional de Arte Antiga,"Abre-se a Terra em Sons e Cores".
    • Exposição Física

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