Técnica: Prata fundida, cinzelada, incisa e dourada; cristal de rocha lapidado; vidros polidos
Dimensões (cm): Alt. 46,5 x Larg. 32,5
Descrição: Cruz latina de assento, com as hastes em cristal de rocha de secção tubular, sendo estas facetadas junto à intersecção dos braços, fixadas à cruz por braçadeiras denticuladas com decoração incisa, simulando folhagens e curtos espigões visíveis no interior do cristal de rocha.
Estes elementos são fixos à cruz por curtos espigões visíveis no interior do cristal.
A intersecção dos braços com as hastes é composta por uma caixa-relicário quadrangular de arestas ligeiramente convexas.Na frente do relicário está representada a cena do Calvário (Cristo na Cruz ,sob um baldaquino cogulhado, ladeado pela Virgem Maria e São João), sendo as figuras em meio-relevo, sobre um fundo inciso com decoração vegetalista. Nas partes superior e inferior da cena do Calvário estão aplicados quatro engastes de gola com cabochões polidos (um com uma flor pintada em tons de cinza, negro e amarelo; um lilás, um amarelo perola e um vazio). Esta face serve de tampa ao relicário sendo articulada por duas dobradiças, e tendo à esquerda da cabeça de São João, o orifício da fechadura.
No reverso, o relicário é decorado por um losango destacado do fundo quadrangular, preenchido com enrolamentos de filigrana, envolvendo cinco engastes com vidros, facetados de diversas cores (dois incolores, um verde, um rosa e um azul).
Nos quatro ângulos exteriores, um campo estriado serve de fundo a trifólios incisos. As faces laterais do relicário são decoradas com painéis estriados e motivos vegetalistas incisos. A base sextavada é sustentada por três grifos sendo as faces ligeiramente concavas.
Origem/Historial: Obra do conjunto de Cruzes de Cristal de Rocha proviniente do extinto Convento de Santa Clara de Vila do Conde.
De acordo com Luís Keil esta Cruz havia sido doada por D.Dinis ao mesmo convento, tese esta refutada pelas análises e paralelismos estabelecidos com a "Cruz de Afonso Sanches", considerando as obras coevas.
Crê-se que a sua produção não se relacione com o grupo dos cristais venezianos, pois é constituída por braços de cristal de secção cilíndrica. Mesmo o trabalho de montagem e ourivesaria das extremidades da cruz são estranhas à produção nacional (não apresentando muitos paralelos com qualquer outro dos exemplares existentes em Portugal).
Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga - Colecção Ourivesaria, do Românico ao Manuelino, IPM, 1995
* Forma de Protecção: classificação;
Nível de classificação: interesse nacional;
Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas;
Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro;
Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006; 18/07/2006 *
Incorporação: Convento de Santa Clara, Vila do Conde
Centro de Fabrico: Não determinado
Bibliografia
FRANCO, Aníso - "As cruzes de cristal de rocha - Transparência e transcendência", in Invnetário do Museu Nacional de Arte Antiga. Colecção de Ourivesaria, 1 volume, Do Românico ao Manuelino. Lisboa: IPM, 1995
VASCONCELOS, Joaquim de - " A Arte Religiosa em Portugal ", fasc.15. Porto: 1915
COUTO, João; A.M.Gonçalves - "A Ourivesaria em Portugal". Lisboa: Livros Horizonte, 1960
Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga. Colecção de Ourivesaria, 1º volume, do Românico ao Manuelino. Lisboa: IPM, 1995
COUTO, João - "Ourivesaria Potuguesa, in Portugal, Exposição Portuguesa em Sevilha. Lisboa: 1929
Exposições
Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portugueza e Hespanhola
Lisboa
Exposição Física
Exposição cultural da Época dos Descobrimentos
Sevilha
Exposição Física
Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento.XVII Exp.Europeia de Arte,Ciência e Cultura do Conselho da Euro
Lisboa, Núcleo do Museu Nacional de Arte Antiga,"Abre-se a Terra em Sons e Cores".