Técnica: Prata fundida, cinzelada, relevada e incisa
Dimensões (cm): Diâm. 29
Descrição: Salva em prata dourada com uma canelura profunda a dividir a faixa central do campo da peça e uma outra canelura que se repete no bordo exterior da mesma.
A decoração da salva, tal como nos exemplares coevos, desenvolve-se numa sucessão de faixas concêntricos, de maiores e de menores dimensões.
Ao centro observam-se três grandes orifícios devido à falta do medalhão central.
Este era circundado por um torsal de folhas de louro pontuadas por fitas, seguido por uma faixa estreita na qual estão representados dois homens silvestres entre um leão e dois dragões, sendo um deles alado.
Um fino cordão torcido inícia a faixa exterior limitada pelo o bordo da salva, na qual se ilustram as Artes Liberais:a Geometria, a Gramática, a Música, a Aritmética,a Astronomia,a Retórica e a Dialética, representadas por figuras femeninas em meio relevo, entre panejamentos formando reposteiros abertos e separadas entre si por colunas espiralados.
Origem/Historial: A proveniência desta salva é desconhecida, mas sabe-se que em 1882 era já pertença da Academia Real das Belas Artes.
Podemos no entanto excluir da sua proveniência a entrada directa dos fundos dos conventos de frades, extintos por acção da lei de 1834, pois no " Resumo Geral das Contas Correntes dos Objectos de Ouro, Prata, e Jóias, que pertenceram aos Conventos e Corporações Religiosas extintas no Continente do Reino", não se encontra qualquer referência a salvas entre os " (...) objectos que se acham depositados na Casa da Moeda, pela maior parte por se considerarem dignos de serem colocados nos Museus, como peças de primoroso trabalho, raras, históricas, ou célebres por sua antiguidade (...)".
Sabemos no entanto que, apesar do seu carácter profano, as salvas não eram objectos raros no espólio conventual.
Um "Resumo geral dos objectos preciosos de ouro e de prata, que pertenceram aos Conventos e Corporações extintas no Continente do Reino", publicado no nº 30 do Diário do Governo de 14 de Fevereiro de 1840, são referidas 46 salvas entradas na Casa da Moeda, para além de 7 vendidas e 18 outras que se encontravam distribuídas ou em liquidação, num total de 71 peças deste tipo, recolhidas nos dois primeiros anos de vigência da lei.
Destas sete dezenas, no entanto, nenhuma entrou directamente no Museu ou na Academia Real das Belas Artes.
Assim sendo, a peça só poderia ter chegado à Academia por um convento de freiras extintos antes de 1882 ou, através das aquisições entretanto efectuadas por esta instituição.
Numa relação dos objectos entregues em 16 de Fevereiro de 1867 pela Casa da Moeda ao vice-inspector da Academia, Marquês de Sousa e Holstein, são já referenciadas três salvas, cuja proveniência não é, no entanto, esclarecida.
Por outro lado, num documento do mesmo arquivo e pasta, datado de 1868, numa lista de "Objectos Comprados por José Joaquim de Almeida da Cidade de Braga e remetidos à Real Academia das Bellas-Artes", é referida uma "salva e adereços", que também poderia ser a peça que nos ocupa.
Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga, Colecção de Ourivesaria, Do Românico ao Manuelino, IPM, 1995, pp. 142, 143.
Incorporação: Academia Nacional de Belas
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
RÉAU, Louis - "Iconographie de l'Art Chrétien, tomo I-III. Paris: P.U.F., 1956
HERNMARK, Carl - "The Art of the European Silversmith 1430-1830". Londres: 1977
COUTO, João; A.M.Gonçalves - "A Ourivesaria em Portugal". Lisboa: Livros Horizonte, 1960
OMAN, Charles - "The Golden Age of Hispanic Silver 1400-1665". Londres: 1968
Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga. Colecção de Ourivesaria, 1º volume, do Românico ao Manuelino. Lisboa: IPM, 1995
Exposições
Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portugueza e Hespanhola