Cofre Eucarístico
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Museu: Museu Nacional de Arte Antiga
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Nº de Inventário: 819 Our
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Ourivesaria
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Autor:
Autor desconhecido (Ourives)
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Datação: 1565/1578
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Técnica: Prata fundida, repuxada, batida, cinzelada e dourada
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Dimensões (cm): Alt. 42,5; só até fim da urna 31 x Larg. 36; sem entablamento e base 31,9 x Prof. 25,9; s/ entablamento e socos 21
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Descrição: Cofre em forma de urna, de corpo paralelipipédico, com tampa em forma de prisma quadrangular truncado, rematada por urna sobre a qual se eleva, em vulto perfeito, a imagem de Cristo Ressuscitado.
Entre os apoios desta urna, pode ler-se na face principal, a legenda "RESVREXIT SICVT DIXIT", e na face oposta, "ALLELVIA / ALLELVIA", ambas em caractéres latinos maiúsculos.
Na tampa, cujos ângulos se reforçam por um pequeno canudo de enrolamentos fitoformes bordejados por pontos e óvulos, inscrevem-se, em alto relevo, quatro cenas da Paixão de Cristo: a Deposição no Túmulo, na face principal ou frontal, o Calvário, na face oposta, e a Crucificação e a Descida da Cruz, nas duas faces menores laterais.
A caixa segue, na decoração das faces um modelo arquitectónico, com colunas coríntias estriadas, com o último terço decorados por mascarões e cornucópias, marcando os cantos.
As colunas são totalmente afastadas, tendo atrás pilastras estriadas com capitéis coríntios, erguem-se sobre altos pedestais e suportam um largo entablamento de cornija saliente.
Sobre este entablamento, no eixo das colunas, elevam-se pequenas urnas e, nas faces maiores, sobre o entablamento dos nichos apresentam-se, amparados por pares de putti os escudos de armas de Portugal, que, na face posterior, sao aproveitados para conter, inscritos, elementos da Paixão de Cristo, três cravos cruzados coroados, que formam a empresa de D. Sebastião.
No entablamento, entre as pequenas mísulas que suportam a cornija, lê-se a inscrição: SANCTVS SANCTVS SANCTVS DOMINVS DEVS SABAOTH PLENI SVNT COELI ET TERRA.
Nas faces maiores da arca, dois pares de colunas avançadas criam edículas onde se enquadram esculturas em vulto pleno representando os quatro evangelistas.
Na face principal encontram-se São Mateus e São João Evangelista, e, no verso, São Marcos e São Lucas.
Ao centro, dentro de cartelas, inscreve-se um quadro em meio relevo, que na face principal representa a Última Ceia, e na face posterior, a Prisão de Cristo. Nas faces laterais, onde apenas um par de colunas avançadas enquadra a cena, dentro de cartelas do mesmo tipo das referidas, figuram Cristo no Horto, e Cristo a Caminho do Calvário.
No soco alteado, corre a toda a volta da peça, a seguinte inscrição em caracteres latinos maiúsculos: DAT PANIS COELICVS FITGVRIS . TERMINVM . PANIS. ANGELICVS. FIT. PANIS . HOMINVM .
No interior a tampa mostra, num belo desenho inciso, uma revoada de anjos, entre nuvens, mostrando quatro anjos-músicos.
Ao centro, em relevo, vê-se um sol, de rosto antropomórfico. Este sol, serve de apoio ao espigão de rosca que atravessa a urna e suporta a figurade Cristo Ressuscitado que coroa a peça.
A toda a volta do interior corre uma banda com inscrição: "TANTVM.ERGO.SACRAMENTVM.VENEREMVR. CERNVI. ET. ANTIOVVM. DOCVMENTV. NOVO. CEDAT. RITVI".
No fundo, uma banda que ocupa todo o bordo, mostra anjos com a Verónica e símbolos da Paixão.
Ao centro, num medalhão em elipse, enquadrado por anjos e mascarões, com moldura de óvulos, lê-se a inscrição: "VERE / DOMINVS / ES IN LOCO / ISTO. GEN. / CAP. 2.8".
Na base tem a inscrição oitocentista RTN 14, relativa à sua posse pelos Reais Tesouros antes de ter dado entrada no Museu.
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Origem/Historial: Oferecido ao Convento de Cristo pelo Rei D. Sebastião.
* Forma de Protecção: classificação;
Nível de classificação: interesse nacional;
Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas;
Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro;
Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006; 18/07/2006 *
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Incorporação: Palácio das Necessidades; Convento de Cristo de Tomar
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Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
- COUTO, João - Obras de ourives provenientes do Convento de Cristo de Tomar e guardadas no Museu nacional de Arte Antiga (separata dos Anais dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo). Tomar: 1945
- COUTO, João - "A Arte da Ourivesaria em Portugal. Elementos decorativos", in Arte Portuguesa - As Artes Decorativas, vpl. I (cord. João Barreira). Lisboa: [1950]