O Infante D. Luís (?) e santo dominicano

  • Museu: Museu Nacional de Arte Antiga
  • Nº de Inventário: 31 Pint
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1515/1518
  • Suporte: Madeira de carvalho
  • Técnica: Pintura a óleo
  • Dimensões (cm): Alt. 157 x Larg. 67,5
  • Descrição: Pintura a óleo sobre madeira de carvalho representando o Infante D. Luís (filho do rei D. Manuel I) vestindo opa, gibão e colar de ouro, tendo, por detrás de si, um monge dominicano, seu presumível patrono (São Domingos de Gusmão?). Este ostenta na mão esquerda um crucifixo de madeira e enverga o hábito da Ordem Dominicana, constituído por escapulário e vestido brancos e manto preto. As figuras inserem-se num interior cuja parede fundeira abre através de um arco para um fundo de paisagem verdejante.
  • Origem/Historial: Este quadro, assim como ''A Virgem e o Menino'' e ''O Princípe D. João e São João Baptista'', pertenceram ao Mosteiro Real de Nossa Senhora da Serra, em Almeirim, segundo apurou José Alberto Seabra de Carvalho. Na segunda metade do século XIX deram entrada nos acervos que estão na base da constituição da colecção de pintura do Museu Nacional de Arte Antiga, sendo então atribuídos ao pintor Grão Vasco (Raczynski). Em 1888, Carl Justi agrupou os três painéis num tríptico, apontando como seu autor um mestre desconhecido integrado na designada ''escola luso-flamenga''. Desde então, e até anos recentes, esta obra é dada como oriunda dos conventos extintos e designada pelo ''Tríptico dos Infantes''. Como provável autor apontaram-se os nomes de Frei Carlos (Bertaux e Figueiredo), Francisco Henriques com colaboração de Frei Carlos (Reinaldo dos Santos) e Mestre da Lourinhã (Reis-Santos). O primeiro restauro a que foi submetido o conjunto, que teve lugar em 1920 pela mão de Luciano Freire, revelou que a uniformidade dos fundos escamoteava uma leitura e interpretação corretas da obra, pondo inclusive em causa o seu agrupamento em tríptico. De acordo com as pesquisas efectuadas por José Alberto Seabra, sabe-se hoje que os peinéis em questão procedem do altar-mor do já mencionado Convento Real de Almeirim, instituição que foi fundada pelo rei D. Manuel I e decorado com réditos da Rainha D. Maria. Na ''Crónica de S. Domingos'', de 1623, Frei Luís de Sousa descreve o retábulo como sendo constituído por vários painéis e tendo representadas as figuras do próprio Rei, da Rainha e dos seus descendentes orando à Virgem Maria. De facto, o cronista refere que D. Manuel «não só mandou fazer a Casa como tratou de a ornar por muitos modos», como foi «o primeiro a dar-lhe hum retabolo, em que se mandou retratar com a Rainha Dona Maria; e despois todos seus filhos e filhas, que hoje dura.» De acordo com o relato de Frei Inácio da Piedade e Vasconcelos na História de Santarém Edificada, no século XVIII, mais precisamente em 1740, a obra continuava montada na capela-mor do mosteiro, o qual, porém, se encontrava em ruínas aquando da extinção das ordens religiosas em 1834. Segundo se pode inferir da documentação, do retábulo original desapareceram, pois, os painés com os retratos de D. Manuel e D. Maria, D. Isabel, D. Beatriz, D. Fernando, D. Afonso e D. Henrique. Nas pinturas que chegaram até aos nossos dias estão representados D. João e D. Luís, permanecendo ainda aquele que constituiria o painel central do conjunto retabular - A Virgem com o Menino. O facto de se situar a realização do retábulo cerca de 1515, prende-se com o facto de Frei Luís de Sousa mencionar como uma das personagens retratadas o Infante D. Henrique, o qual «(...) não se contentando de estar retratado com seu pai, e irmãos no retabolo da Capella mór em idade pueril, se mandou retratar despois de velho, diante do Crucifixo do Altar de Jesus (...)». Uma vez que D. Henrique nasceu em Janeiro de 1512 e se faz alusão à sua ''idade pueril'', é válida a hipótese de colocar esta empreitada entre os anos de 1515-1518, ano da morte da Rainha D. Maria. Por outro lado, e admitindo-se como cerca de 1515 o ano da feitura da obra, tal significa que os dois príncipes representados - D. João e D. Luís (?) - teriam na altura 13 e 9 anos, respectivamente, o que está em concordância com a figuração das personagens no retábulo.
  • Incorporação: Mosteiro Real de Nossa Senhora da Serra (Almeirim)

Bibliografia

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  • JORDAN, Annemarie - "Images de majesté. Le portrait de Cour au Portugal (1152-1571)", in Portugal et Flandre. Visions de l'Europe (1150-1680) (catálogo da exposição). Bruxelles: Europalia91, 1991
  • FIGUEIREDO, José de - "Introdução a um Ensaio sobre a Pintura Quinhentista em Portugal", in Boletim de Arte e Arqueologia, Fasc. I. Lisboa: 1921
  • MARKL, Dagoberto; PEREIRA, Fernando António Baptista - "A pintura num período de transição", in História da Arte em Portugal, Vol.VI - O Renascimento. Lisboa: Alfa, 1986
  • REIS-SANTOS, Luís - "Frei Carlos". Comunicação realizada no Instituto de Arqueologia. Publicada in A Voz. Lisboa: 05/06/1935
  • SERRÃO, Vítor - "O Mestre da Lourinhã e a pintura renascentista da Escola de Lisboa", in Arte e Sociedade na Época Manuelina. Setúbal: 1991
  • FIGUEIREDO, José de - "Frey Carlos", in Lusitania, Vol. I. Lisboa: Bib. Nacional, 1924
  • REIS-SANTOS, Luís - Frei Carlos. Lisboa: Livraria Bertrand, 1940
  • RODRIGUES, Dalila - "A Pintura do Período Manuelino", in História da Arte Portuguesa (dir. Paulo Pereira), Vol. II. Lisboa: Círculo de Leitores, 1995
  • BERTAUX, Émile - "La Rennaissance en Espagne et au Portugal", in Histoire de l'Art (dir. André Michel), Tomo IV. Paris: Armand Colin, 1911
  • RACZYNSKI, Conde Atanazy - Dictionnaire Histórico-Artistique du Portugal pour faire à l'ouvrage ayant pour titre les arts en Portugal. Paris: Jules Renouard, 1847
  • SANTOS, Vítor Pavão dos - "A Virgem com o Menino e Dois Príncipes", in Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento. «O Homem e a Hora são um Só» - A Dinastia de Avis (catálogo da XVII exposição de Arte, Ciência e Cultura, núcleo da Casa dos Bicos). Lisboa: Presidência Cons. Ministros, 1983
  • GOUVEIA, António Camões - "Dos Príncipes", in La paz y la guerra en la época del Tratado de Tordesillas (catálogo da exposição). Madrid: Electa, 1994
  • GUSMÃO, Adriano de - Mestres desconhecidos do Museu Nacional de Arte Antiga. Lisboa: Artis, 1957
  • SERRÃO, Vítor - "O Princípe D. João e São João Baptista", in No Tempo das Feitorias. A Arte Portuguesa na Época dos Descobrimentos (catálogo da exposição). Lisboa: IPM, 1992
  • CARVALHO, José Alberto Seabra de - Estudo sobre proveniências do Museu Nacional de Arte Antiga (trabalho de estágio para técnico superior de 2ª classe do Museu Nacional de Arte Antiga. Inédito): 1991
  • Museu Nacional de Arte Antiga. Roteiro das Pinturas. Lisboa: M.N.A.A., 1951
  • FREIRE, Luciano - "Frey Carlos", in Terra Portuguêsa, Nº 35-36. Lisboa: Of. Anuário Comercial, 1922

Exposições

  • Os Primitivos Portugueses (1450-1550)

    • Lisboa
    • Exposição Física
  • Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento.XVII Exp.Europeia de Arte,Ciência e Cultura do Conselho da Euro

    • Lisboa, Núcleo da Casa dos Bicos, "O Homem e a Hora São Um Só", A Dinastia de Avis
    • Exposição Física
  • La Paz y la Guerra en la Época del Tratado de Tordesillas

    • Burgos, Monasterio de S. Juan
    • Exposição Física

Obras relacionadas

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