Lápide funerária de D. Justa e de D. Aparício (Calvário; Virgem com o Menino; doadores).

  • Museu: Museu Nacional de Arte Antiga
  • Nº de Inventário: 1100 Esc
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Escultura
  • Autor: Autor desconhecido (Imaginário)
  • Datação: 1330/1339
  • Técnica: Baixo relevo; relevo insculpido.
  • Dimensões (cm): Alt. 69,5 x Larg. 49,5 x Prof. 17,5
  • Descrição: Escultura. Escultura funerária: tumulária. Lápide funerária de formato rectangular epigrafada com inscrição funerária de D. Aparício e de Dona Justa, pais de Domingos Aparício, apresentada num campo de texto paginado em duas laudas. As laudas do texto, gravado com 13 linhas no lado direito e 11 no lado esquerdo, ladeiam os registos figurativos inscritos em quatro rectângulos esculpidos em baixo relevo, formando um tríptico. O campo figurativo central está dividido em dois rectângulos. No rectângulo inferior, a Virgem entronizada, coroada, tem o Menino Jesus sentado do seu lado direito; na mão esquerda segura uma flor. A figuração está enquadrada dentro de uma estrutura arquitectónioca composta por um arco trilobado integrado num arco de volta perfeita florido que arranca de colunas e impostas. No rectângulo de remate representa-se o Calvário dentro de uma estrutura arquitectónica semelhante à do quadro inferior. A composição está estruturada com Cristo crucificado no centro, com a cabeça inclinada para o lado direito, São João Evangelista do Seu lado esquerdo e a Virgem, em atitude orante, do lado esquerdo. Nos dois campos figurativos laterais, insculpidos sob as laudas de texto, estão relevadas duas figuras, ambas ajoelhadas e de mãos postas em atitude orante.
  • Origem/Historial: O campo epigráfico da lápide encomendada por Domingos Aparício, presbítero de Cantanhede (m. 1362), comemora o passamento dos seus pais D. Aparício e D. Justa. Remete para o universo das encomendas eclesiásticas de monumentos funerários da primeira metade do século XIV. A placa segue a tipologia dos relevos aplicados nas superfícies das paredes interiores das igrejas medievais portuguesas, particularmente aqueles que se encastravam em locais associados a capelas funerárias privadas. Estes monumentos identificam-se invariavelmente como estruturas quadrangulares ou rectangulares transformadas em campos epigráficos para registo de factos da vida do defunto, utilizando a técnica do baixo relevo escavado, como qualquer epitáfio. Neste tipo de placas inserem-se ainda campos iconográficos esculpidos em relevo baixo e médio e, por vezes, a representação do próprio doador em oração associado à cena ou à narrativa esculpida, tal como acontece nesta peça. Como defende Mário Jorge Barroca (Barroca, 2000, p. 1546), trata-se da "inscrição sepulcral de D. Justa e de D. Aparício, gravada em lápide que resulta da encomenda do próprio Domingos Aparício. (...) Desconhece-se o local de origem, mas pelas características e pelo contexto histórico não temos dúvidas em afirmar que é proveniente de Coimbra ou, quando muito, do aro urbano desta cidade. Julgamos mesmo que há bases suficientemente sólidas para supor que foi destinada à Sé Velha de Coimbra. A datação crítica que adoptamos tem por base o facto de ser seguramente posterior à morte de D. Justa, ocorrida em Março de 1330, e anterior ao falecimento de D. Aparício, que teve lugar a 16 de Julho de 1339. (...) Há, no entanto, um pormenor interessante que se revela fundamental para a proposta de datação que aqui defendemos. O texto começou a ser gravado depois de 9 de Março de 1330, data da morte de D. Justa. Deve ter sido na sequência do seu óbito que o filho, Domingos Aparício, decidiu mandar executar esta lápide esculpida para assinalar o lacal de sepultura dos seus pais. No entanto, o seu pai, D. Aparício ainda era vivo. A solução encontrada foi a de mandar gravar todo o texto até à linha 21, ou seja, deixando de lado os elementos cronológicos do falecimento de D. Aparício, então ainda desconhecidos. Efectivamente, um olhar minimamente atento permite verificar que até à palavra OBIIT (I.21), o tipo de letra é idêntico e homogéneo. Todo o texto até então foi gravado pela mesma mão. Há, no entanto, uma modificação sensível a partir dessa linha, precisamente relativa à data da morte de D. Aparício. As letras são um pouco maiores e algo mais irregulares, de menor qualidade, denunciando a presença de mão distinta nesta fase terminal. Assim, podemos distinguir duas fases na criação deste epitáfio duplo: uma primeira, quando a lápide foi esculpida, em que deixaram em branco quatro linhas e meia (da segunda metade da I.21 até à I.25), destinadas a preencher mais tarde, quando se verificasse a morte de D. Aparício; uma segunda fase, onde se concluiu a gravação do epitáfio acrescentando-se a data da morte de D. Aparício (...). Assim, esta inscrição funerária começou a ser executada depois de 9 de Março de 1330, mas antes de 16 de Julho de 1339, quando se criaram os quatro campos iconográficos e a primeira fase do texto epigráfico (I.1 a 21), sendo depois concluída pouco depois desta data quando se gravaram os elementos cronológicos relativos ao falecimento de D. Aparício (I. 21-24)." O epitáfio de Domingos Aparício conserva-se no Museu Nacional de Machado de Castro e "revela-nos que o presbítero de Cantanhede teria sido enterrado na Capela de S. Julião, no Claustro da Sé Velha de Coimbra, onde instituiu uma missa diária e um aniversário por sua alma e pela de seus pais, e outros beneficiados. Ora, nessa epígrafe determinava-se que os presbíteros que rezassem missa fossem sobre a sua sepultura e sobre a de seus pais, com Cruz e Água Benta. Este pormenor indica-nos que a sepultura de seus pais, se não estava no interior da Capela de S. Julião estaria, pelo menos, na Sé Velha de Coimbra. Por isso, e apesar de a lápide dos pais de Domingos Aparício ser de proveniência desconhecida, julgamos haver motivos de sobra para supor que é oriunda do edifício da Sé Velha de Coimbra" (Idem, p. 1548). Esta lápide foi incorporada na Colecção de Escultura do Museu Nacional de Arte Antiga em 1980, proveniente da Colecção do Comandante Ernesto Vilhena doada ao Estado português em 1969. A bibliografia da peça anterior a estas datas é coincidente ao referir esta peça como proveniente da Sé Velha de Coimbra. Desconhece-se o modo de integração na Colecção Vilhena. Este objecto está relacionado com os seguintes objectos (2.0): Nº de inventário: 671; Denominação: Lápide funerária de Domingos Aparício; Localização: Coimbra, Museu Nacional de Machado de Castro
  • Incorporação: Colecção Comandante Ernesto Vilhena (Herdeiros)

Bibliografia

  • PEREIRA, Fernando António Baptista; FALCÃO, José António - "Santíssima Trindade". In Um pintor em Évora. Francisco Henriques no tempo de D. Manuel I. Lisboa: CNCDP, 1997
  • CARVALHO, Maria João Vilhena de - "Stele funeraria di Domingos Aparício. Calvario, Madonna col Bambino, Donatori". In Ai Confini Della Tella. Scultura e arte in Portogallo 1300-1500. Milano: Electa, 2000
  • BARROCA, Mário Jorge - Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422). Lisboa: FCG-FCT, 2000
  • Museu Machado de Castro. Secções de Arte e Arqueologia. Catálogo-Guia. Coimbra: Coimbra Editora, 1944
  • SANTOS, Reynaldo dos - A Escultura em Portugal, Vol.I, Séculos XII a XV. Lisboa: ANBA, 1948
  • Museu Machado de Castro. Notas. Coimbra: 1916
  • SANTOS, Reynaldo dos - Oito Séculos de Arte Portuguesa. História e Espírito. Lisboa: Empresa Nac. de Publicidade, 1965
  • CARVALHO, Maria João Vilhena de - "Estela Funerária de Domingos Aparício (Calvário, Virgem com o Menino e Doadores)". In O Sentido das Imagens. Escultura e Arte em Portugal 1300-1500. Lisboa: MNAA, 2000

Exposições

  • Rainha Santa Isabel 650º Aniversário da sua Morte

    • Estremoz
    • Exposição Física
  • Exposição de Escultura Medieval do XVI Congresso de História da Arte

    • Coimbra, Museu Nacional de Machado de Castro
    • Exposição Física
  • Ai Confini della Terra. Scultura e arte in Portogallo 1300-1500

    • Rimini (Palazzi dell'Arengo e del Podestà)
    • 9/4/2000 a 3/9/2000
    • Exposição Física
  • O Sentido das Imagens. Escultura e Arte em Portugal 1300-1500

    • Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga
    • 26/10/2000 a 14/1/2001
    • Exposição Física

Multimédia

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