Descrição: Arqueta em madeira de zimbro ou cedro, com caixa paralelepipédica, fechada por tampa plana, rectangular, constituída por uma tábua inteiriça que encaixa nas ilhargas através de guarda-pós e cuja rotação é assegurada por engonços. No interior apresenta, no lado esquerdo, um escaninho (a que falta a tampa) e, no lado direito, uma régua que gira de modo a apoiar a tampa aberta. Nos cantos, apresenta malhetes à vista de forma denticulada. Assenta ... Ver maissobre patins (posteriores).
No rebordo frontal da tampa observa-se um padrão de losangos e enrolamentos de folhagens; na frente, tarja de folhagem marcada, no centro e cantos, por querubins soprando tubas, e duas esferas armilares ladeando a fechadura; nas ilhargas, um padrão geométrico composto por um caixilho de linhas paralelas, entrelaçadas nos ângulos.
Fechadura embutida com espelho de forma quadrada e ferrolho.
Origem/Historial: Foi adquirida em leilão do Palácio do Correio-Velho (sessão de 25 de Novembro de 1998, lote 122:
"122- Rara e importante arca esgrafitada, em cedro das ilhas ou zimbro (Juniferus oxi cedrus), portuguesa, do séc. XVI. Formato rectangular com tampo de grossa prancha lisa; decoração incisa e preenchida com massa escurecida formando moldura na frente, faixa de querubins e motivos vegetalistas, e duas esferas armilares; nas faces later... Ver maisais filetes com grga; fechaduras de ferrolho embutido". É de tradição ter pertencido a um convento da região de Portalegre, informação que consta do catálogo do leilão.
* Forma de Protecção: classificação;
Nível de Classificação: interesse nacional;
Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas;
Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro;
Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006;18/07/2006 *
Incorporação: Adquirido na sessão de 25/11/1998 do leilão do Palácio do Correio-Velho.
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
FELGUEIRAS, José J. G. Jordão - "O desconhecido Mobiliário Açoreano do Século de Ouro. "A propósito do despropósito contador de Argote", in Revista Museu, IV série, nº 11. Porto: Círculo Dr. José de Figueiredo, 2002
MARTINS, Francisco Ernesto de Oliveira - "Mobiliário açoriano do Cedro ao Jacarandá com Cedro séculos XV ao XVIII", in Angra, a Terceira e os Açores nas rotas das Índias e das Américas: a propósito dos 500 anos da passagem de Vasco da Gama por Angra em 1499. Angra do Heroísmo: MAH / BPAAH, 1999
PINTO, Maria Helena Mendes - "Arqueta", in XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura. Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento. Lisboa: Presidência do Conselho de Ministros, 1983
FELGUEIRAS, José Jordão - "A propósito de uma curiosa arca", in Artes & Leilões, nº 16: Outubro 1996
DIAS, Pedro - História da Arte Portuguesa no Mundo (1415-1822) O espaço do Atlântico. Lisboa: Circulo de Leitores, 1999
BASTOS, Celina - "Cofanetto", in Ai confini della terra. Scultura e arte in Portogallo 1300-1500. Milano: Electa, 2000
MARTINS, Francisco Ernesto de Oliveira - "A escultura flamenga nas ilhas dos Açores", in O Brilho do Norte. Escultura e Escultores do Norte da Europa em Portugal. Época Manuelina. Lisboa: CNCDP, 1997
DIAS, Pedro - "O fabrico de mobiliário na Ilha Terceira, no século XVI", in Manuelino. À Descoberta da Arte do Tempo de D. Manuel I. Lisboa: Editora Civilização, 2002
Exposições
Ai Confini della Terra. Scultura e arte in Portogallo 1300-1500
Rimini (Palazzi dell'Arengo e del Podestà)
9/4/2000 a 3/9/2000
Exposição Física
XVII Exposição Europeia de Arte Ciência e Cultura. Os Descobrimentos portugueses e a Europa do Renascimento.