Contador
-
Museu: Museu Nacional de Arte Antiga
-
Nº de Inventário: 1377 Mov
-
Super Categoria:
Arte
-
Categoria: Mobiliário
-
Autor:
Peter Kasteels; (Pintor)
Autor desconhecido (Ébéniste)
-
Datação: 1629/1683
-
-
Técnica: A estrutura é folheada a ébano e tartaruga, com embutidos em marfim; aplicação de molduras de tremidos em ébano; marfim torneado; madeira torneada; ferro dourado; pintura a óleo sobre madeira. Marroquim gravado com ferros dourados
-
Dimensões (cm): Alt. 162 x Larg. 103 x Prof. 56
-
Descrição: Peça formada por dois corpos: caixa e trempe.
O corpo superior é constituído por uma caixa (contador) com duas meias portas e um gavetão estreito a toda a largura da frente, tendo no topo um alçado com um compartimento com tampa; na base da caixa um estirador forrado com marroquim gravado com ferros dourados; no interior, a compartimentação organiza-se em registos verticais: quatro gavetas dispostas verticalmente de cada lado de um corpo central, sendo este formado por duas gavetas e um compartimento com porta tratados como um pequeno pórtico, comportando uma galeria com balaustrada e uma porta ladeada por duas colunas, estas últimas com capitel e base, sendo o reverso da porta forrado com espelho enquadrado por molduras de tremidos; o interior do compartimento é forrado com espelhos, tendo quatro pequenas gavetas dispostas no fundo (falta a superior), e o "chão" é formado por losangos de marfim e tartaruga. Este compartimento central forma um módulo independente que, quando retirado, revela três pequenas gavetas de cada lado dos entrepanos, cujas frentes são forradas com papel sendo os puxadores constituídos por uma fita com nó, enquanto que na traseira do módulo duas tábuas corrediças escondem, cada uma, uma ordem vertical de quatro pequenas gavetas com frentes forradas com papel e puxadores de fita com nó.
O corpo superior é faixeado a tartaruga e ébano com molduras de tremidos em ébano aplicadas, e filetes de marfim embutidos.
As pinturas do interior das meias portas, das frente das gavetas e do reverso da tampa representam alegorias mitológicas com "putti", nomeadamente o tema "omnia vincit amori", e alegorias às Artes Liberais e ao Comércio.
A trempe é formada por uma mesa com seis pernas, quatro na frente em forma de coluna jónica e duas atrás, estas de secção rectangular.
Espelhos de fechadura recortados em latão; puxadores de latão nas gavetas da fábrica; fechos de correr em ferro dourado nas duas meias portas da caixa; dobradiças em ferro dourado com extremidades flordelisadas na porta do compartimento central; nas ilhargas, argolas e espelhos circulares em ferro dourado; puxadores em marfim torneado nas gavetas do compartimento central; puxadores em madeira torneada no estirador.
As dobradiças de latão das portas não são originais.
Tem chaves.
Uma das cenas pintadas das gavetas, que representa uma alegoria ao comércio, está assinada, tendo essa assinatura sido identificada por Ria Fabri como sendo a do pintor Peter Kasteels (P, S, T, K, A).(cf. Fabri, 1988, p. 30)
-
-
Origem/Historial: Estes móveis de aparato começaram a ser fabricados em Antuérpia a partir de 1600, data em que em que os primeiros "ébénistes" se fixaram na cidade. De acordo com o seu estatuto enquanto membros de uma corporação, estes artífices estavam autorizados a fabricar contadores revestidos com placas de ébano. O móvel do MNAA pertence a uma categoria exclusivamente fabricada em Antuérpia, e que é a dos contadores decorados com pinturas sobre madeira, cobre ou mármore. Os temas representados são, na sua maioria, retirados do Antigo e do Novo Testamento, da vida dos santos, e ainda temas mitológicos, alegorias, paisagens, e outros. Na sua maioria, estas representações têm como matriz gravuras que ilustravam livros, como é o caso das gravuras de Antonio Tempesta que ilustram as Metamoforses de Ovídio. Por vezes são inspiradas na obra de grandes mestres como P.P. Rubens, J. Bruegel II, F. Francken. Para estes móveis eram executadas trempes extremamenre simples, como a do móvel do Museu.
Correspondem geralmente a encomendas a grandes casas como a da família Forchondt, a de M. Musson ou de Peter van Haecht, entre outras, ou aos seus agentes estabelecidos nas principais cidades europeias, ou ainda a encomendas feitas directamente ao um mestre "ébéniste", sendo este último procedimento o menos frequente (cf. Fabri, 1988).
Peter I Kasteels, mestre em 1629, membro da guilda de S. Lucas entre 1640-1645. Morre entre 1682/1683.
Este móvel integrou a colecção Burnay, constando do Catálogo da venda da colecção em 1934, no Palácio da Junqueira: "nº 1097 - Contador italiano de ébano e tartaruga. Interessante as pinturas que o decoram interiormente. Figuras de anjos dispostos com muita graciosidade. Bizarra a coroação de dois deles" valor 12.000$00
-
Incorporação: Leilão da colecção Burnay
-
Centro de Fabrico: Antuérpia
Bibliografia
- Catálogo dos quadros, Objectos de Arte, Porcelanas e Mobiliário que pertenceram aos 1ºs Condes de Burnay. Lisboa : [s.n.], 1934.
- FABRI, Ria - Mobilier. 2.Cabinets. Bruxelles: Musées Royaux D'Art et D'Histoire, 1983
- BASTOS, Celina; MARKL, Dagoberto L. - "Contador", in Henri Burnay, de banqueiro a coleccionador. Lisboa: IPM/CMAG, 2003
- FABRI, Ria - "Les Cabinets Anversois", in L'Estampille, nº 219: Nov. 1988