Técnica: Castanho com pintura acharoada (verniz de goma laca?) , entalhados dourados e frisos de tremidos aplicados, aplicações de elementos geométricos feitas na espessura (portas ).Desenhos a negro e ouro. Balaustres torneados (prateleira interior).losangos apostos nas ilhargas moldurados
Dimensões (cm): Alt. 268 x Larg. 260,5 x Prof. 82
Descrição: Armário com entablamento e cornija saliente, de dois corpos separados por uma ordem de gavetas (pertencente ao corpo inferior) e base moldurada saliente assente em três patins com a extremidade esculpida em forma de leões (adaptados). No interior do corpo superior, encontra-se além de uma prateleira corrida, uma prateleira mais alta e estreita com balaustrada baixa, reservada para expor e realçar as peças mais delicadas. Corpo inferior sem divisões.
Sobre pintura acharoada a vermelho ou a verde, decoração entalhada e dourada com enrolamentos de folhagens e flores distribuida na cornija , no entablamento, nas frentes das duas gavetas e nas faixas verticais e horizontais que seccionam a frente e as ilhargas do móvel. Igualmente entalhados e dourados são os grandes florões com folhagens de acanto no centro das almofadas das portas munidos de um puxador em forma de pingente (igual aos das gavetas).Os frisos em tremidos dourados marcam da mesma forma as várias divisões dos espaços, funcionando nas portas como molduras de um espaço losangular e triangular (motivo que aliás se repete nas ilhargas). As faixas compreendidas entre os frisos estão realçadas com pintura acharoada a verde-azulado vulgarmente designado por "verde azeitona" ou "verde montanha".A mesma alternancia de policromia se verifica nas ilhargas. Sobre a pintura a vermelho desenham-se a negro e ouro delicados apontamentos de pássaros e flores, um dos temas mais usados nas "chinoiseries" europeias.
Ferragens com dourados compostas pelos já referidos puxadores fixos em espelhos cruciformes, dobradiças das portas em forma de leme com a terminação flordelizada e espelhos de fechaduras recortados, vazados e policromados.
A medida da profundidade sendo equivalente a um terço da frente, completa a regra construtiva.
Origem/Historial: O armário que era inteiro apresenta sinais de ter sido cortado ao meio, provavelmente para caber em algum espaço.
Incorporação: Alfredo Ramos
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
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SANDÃO, Artur de - O móvel pintado em Portugal. s.l.: Livraria Civilização, 1966
SOUSA, Maria da Conceição Borges de; PINTO, Maria Helena Mendes - Roteiro da exposição de mobiliário português do Museu Nacional de Arte Antiga. Lisboa: IPM, 2000
PINTO, Maria Helena Mendes - "Armários portugueses, armários flamengos", in Diário de Noticias: 24.06.1965
FEDUCHI, Luis - Historia del Mueble. Madrid: 1966
Artes Decorativas Portuguesas no Museu Nacional de Arte Antiga. Séculos XV-XVIII. Lisboa: SEC/MNAA, 1979
SOUSA, Maria da Conceição Borges de (coord.), Mobiliário Português, Lisboa: MNAA, INCM, 2019
Exposições
Artes Decorativas Portuguesas no Museu Nacional de Arte Antiga. Séculos XV-XVIII