Arcaz

  • Museu: Museu Nacional de Arte Antiga
  • Nº de Inventário: 594 Mov
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1667/1708
  • Técnica: Madeira ensamblada, entalhada e torneada; vidro espelhado e latão (?) dourado
  • Dimensões (cm): Alt. 318 x Larg. 879 x Prof. 124
  • Descrição: Arcaz com espaldar, ou respaldo, apresentando entablamento liso coroado por frontão central, formado por duas aletas afrontadas, e por pináculos de bojo gomado dispostos sobre as pilastras do corpo. É compartimentado em cinco painéis definidos por seis pilastras compósitas: no primeiro a contar da esquerda, apresenta um painel pintado e emoldurado com a representação do tema da "Coroação de espinhos"; no segundo e no quarto, um espelho inclinado, com moldura coroada por frontão de talha vazada, sendo a restante superfície preenchida por almofadas; ao centro, um nicho com edícula com colunas torsas e capitéis compósitos (tapado com damasco), fecho de folhagem, arquivolta interna composta por teoria de folhagem estilizada e enjuntas do arco decoradas com folhagem, sendo a restante superfície preenchida por almofadas; no último, um painel pintado e emoldurado com o tema da "Flagelação". O arcaz é composto por uma frente com quinze gavetões distribuídos por cinco corpos verticais com três gavetões cada. Na frente, a separação dos corpos é feita por pilastras almofadadas. As ilhargas são preenchidas por seis almofadas quadradas, igualmente ladeadas por pilastras almofadadas. Cada gaveta apresenta uma frente almofadada, com um escudete de fechadura e dois puxadores de argolas móveis com o respectivo escudete. Estes são formados por chapas metálicas de forma rectangular, recortadas e vazadas em enrolamentos estilizados de folhagem, dispostos simetricamente em torno de um eixo horizontal marcado por extremidades flordelisadas. A estrutura assenta numa base corrida e moldurada. No corpo inferior, dada a ausência de entrepanos horizontais, as gavetas deslizam nas réguas laterais e numa régua central. As molduras dos espelhos são aplicadas e cavilhadas. Possui 5 chaves numeradas. Os frontões que coroam os espelhos estão presos por parafusos modernos. Na ilharga esquerda, apresenta uma chapa metálica com o n.º de inventário do MNAA: 594. Na primeira gaveta da ordem da esquerda, possui etiqueta de papel: "1".
  • Origem/Historial: Este arcaz pertencia à sacristia do Convento do Santo Crucifixo (de religiosas capuchinhas, chamadas Francesas), conhecido como convento das Francesinhas. Fundado pela rainha D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, a sua construção iniciou-se em Maio de 1667. A descrição da sacristia consta de um manuscrito anónimo da Biblioteca Nacional de Lisboa, que se julga ter sido composto entre 1704 e 1708. Foi publicado em dois tomos com o título "História dos Mosteiros Conventos e Casas Religiosas de Lisboa na qual se dá Notícia da Fundação e Fundadores das instituições religiosas, igrejas, capelas e irmandades desta Cidade". No tomo II, pp. 465 e 466, encontramos a referida descrição: "He o vam da casa muy capaz e mayor do que se costuma ver nas sancristias dos conventos das Religiosas; he a casa muyto clara e alegre, e pera o ser conduz muyto a altura do seo tecto, que he de estuque, e como nam tem pintura alguma fica ainda a casa mays clara. Em hum dos lados della tem lugar os cayxões que assim na madeyra de que constam, que he pao sancto, como no primor da obra em que se esmeram os artifices, que os fizeram, he obra muy perfeyta. No comprimento tem sinco gavetas, e porque na altura sam tres, vem a ser por todas quinze, as quaes sam ornadas de duas argolas cada huma, de bronze dourado, com seos escudos, com que fica a face destes cayxões muy perfeyta e aggradavel à vista. Sobre os cayxões, encostado à parede, corre hum bom respaldo de madeyra muy lustrosa e varia. No meo do respaldo tem lugar hum nicho, que se accomoda na altura ao respaldo. Tem suas columnas retrosidas, com seos capiteizinhos, de que nasce hum trosozinho que segue à volta do nicho, tudo muyto bem obrado e lustroso. Acompanham o nicho de cada parte tres almofadas de madeyra de pitiá, e a estas almofadas se seguem dous pilares de pao sancto com seos capiteys lavrados, de talha e logo outras tres almofadas da mesma pitiá que com a sua cor amarela fazem sahir muyto bem os pilares / de pao sancto, que tiram muyto pera preto. Esta obra acompanha no respaldo hum fermoso espelho, pera que os sacerdotes que vam dizer missa possam ver se vam decentemente compostos. E finalmente se vem a rematar a obra do respaldo com seo paynel de cada parte, os quaes sam ornados de molduras do mesmo pao sancto. Em hum destes payneis (se) apparenta o Senhor atado à columna e açoutado. No outro paynel se vê o Senhor com a coroa d'espinhos. Aos dous lados dos cayxões tem lugar duas guardaroupas, nas quaes se terminam os cayxões e as guardaroupas se avisinham à cimalha da sancristia, e a materia dellas he a mesma madeyra de pao sacto de que sam os cayxões e o respaldo. Sam ornadas de galantes molduras e levantadas almofadas, e por cima tem huma boa cimalha a qual, principiando em huma parte, corre todo o respaldo, e sobre os pilares que dissemos haver no respaldo faz huns resalteados, em que assentam humas piramedes da mesma madeyra, e desta sorte vay a cimalha buscar o outro extremo semelhante ao que principiou. Defronte dos cayxões tem lugar o lavatorio de pedra bem lavrado. Fora daquelle lanço em que estam os caixões se vê nas paredes da caza, em altura competente, muyto bom azolejo. Dá mays muyta claridade e alegria à caza huma boa janela que nella ha, com seos assentos de pedra de que se descobre o porto." Este móvel consta do inventário do Convento datado de 1890, elaborado por morte da última freira. IAN/TT, A.H.M.F., cx. 1987, cap. 2, doc. IV/A/27/11, fl. 77: "Sachristia (...) Ha n'ella um arcaz de páu santo com quinze gavetas tendo ferragens amarellas, e no espaldar dois espelhos e dois quadros a oleo em téla e um nicho ao centro. De cada um dos lados deste arcaz está um armario da mesma madeira, e d'espinheiro, cada um com quatro meias portas (...)". Neste inventário, o conjunto foi avaliado em 1000$000.
  • Incorporação: Conventos extintos (Lisboa, Convento do Santo Crucifixo - Francesinhas-nº2, 1ª rel)
  • Centro de Fabrico: Lisboa (?)

Bibliografia

  • História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, Tomo II, reedição. Lisboa: Imprensa Municipal de Lisboa, 1972
  • O Museu Nacional de Arte Antiga. Lisboa: IPM/Electa, 1994
  • HENRIQUES, Ana Castro - Museu Nacional de Arte Antiga. Roteiro. Lisboa: Instituto Português de Museus/Edições ASA, 2003

Multimédia

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