Corpete interior
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Museu: Museu dos Biscainhos
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Nº de Inventário: 2811 MB
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (Fábrica de roupa interior (?))
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Datação: 1875/1910
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Dimensões (cm): Comp. manga, 7 x Alt. costas, 37,5 x Larg. ombros, 30 x Diâm. cintura, 48
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Descrição: Corpete interior também designável de corpinho, em tecido de cambraia de linho e de algodão, de cor branca, estruturando a parte correspondente ao torso por seis panos, dois frontais e quatro dorsais, costurados mecânicamente entre si, e ajustáveis na frente através da aplicação de sete botões de madrepérola e correspondentes botoeiras ou aberturas caseadas; ladeando estas e com um desenvolvimento verticalizado foi realizado um bordado a fio de algodão (?) branco, com motivos vegetalistas e de inspiração fitomórfica identificando-se o ponto de cheio entre outros; este tratamento ornamental apresenta-se contido lateralmente por dois feixes de dupla nervura e para cintar a peça de vestuário ajustando-a ao afunilamente corporal da cintura humana, foram concretizadas quatro pinças à frente e duas costuras enviesadas na área posterior. Desenha um suave decote abrindo ligeiramente para os ombros, que se apresenta guarnecido por renda de bilros de remate e reforçado interiormente por um fitilho de tecido de algodão. Insere mangas muito curtas, sendo debruadas pela mesma tipologia de renda mais um pouco mais larga.
Consideramos que dada a qualidade de execução da costura mecânica da presente peça, a mesma deve ter sido confeccionada em contexto industrial, conhecendo-se a existência de fábricas de roupa interior e de camisas em Portugal nos finais do século XIX. A outra possibilidade apontaria para que o corpete pudesse ter sido assegurado por costureira /modista da antiga região de Entre-Douro-e -Minho, dado que, de acordo com testemunho de uma das herdeiras dos doadores, a Exª Senhora Dona Guilhermina Magalhães Lançós, no princípio do século XX, em casa de sua mãe, era costume chamarem-se costureiras do Porto que permaneciam na casa o tempo necessário para a confecção da roupa pretendida. Poderemos pensar que no decurso do século XIX, seria este o procedimento generalizado para a execução da indumentária das damas que tinham as suas casas na província? Refere-se que as revistas de figurinos eram comuns tanto as importadas de França assim como as edições traduzidas e editadas em Portugal.
O corpete em foco é muito similar ao nº inventário 2810 MB e o "design" que os define documenta o gosto entre a sociedade nobre e burguesa do país.
Glossário|
Corpete interior ou corpinho| Antiga peça de vestuário interior feminino, muito justa ao corpo terminando na cintura, sendo geralmente confeccionada em tecidos delicados de linho e de algodão.
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Origem/Historial: Colecção da Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam, da Casa da Ponte, em Arcos de Valdevez, a quem pertenceu o corpete interior em foco, presumindo-se uma utilização funcional contemporânea do objecto por parte de elementos femininos da família da citada senhora.
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Incorporação: Doação do Senhor Dr. António Alberto de Magalhães Barros Lançós Cerqueira Queiroz| Colecção Sra. Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam, da Casa da Ponte, Arcos de Valdevez.
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Centro de Fabrico: Tecido, renda de bilros e confecção, presumivelmente portugueses.
Bibliografia
- "Grandes Armazéns do Chiado. Catálogo de Novidades. Inverno de 1910. Suplemento ao nº21 de "Os Grandes Armazéns do Chiado". Armazéns do Chiado, A Editora.: Lisboa, 1910
- ALVES, Jorge Fernandes - "Fiar e Tecer. Uma perspectiva histórica da indústria têxtil a partir do Vale do Ave". Vila Nova de Famalicão: C.M. de V.N. Famalicão, 1999
- Dicionário Universal da Vida Pratica na Cidade e no Campo.Segundo plano de G. Beléze adaptado à Sociedade Portuguesa por Teixeira Bastos. Porto: Magalhães & Moniz Editores, 1889
- LEMOS, Maximiano - Enciclopédia Portuguesa Ilustrada Dicionário Universal. Porto: Lemos & Sucessor, 11 volumes, 1900 a 1909
- MAGALHÃES, M.M. de S. Calvet de - "Bordados e Rendas de Portugal", in Colecção Educativa, nº10. Figueira da Foz: Companhia Nacional de Educação de Adultos, s/ data.
- REGO, Pedro; PIRES, Ana - "Rendas de Bilros de Vila do Conde: um património a preservar". Vila do Conde: Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do, s/data (2005?)
- SILVA, Armando; DAMÁSIO, Luis, SILVA, Guilherme - Casas Armoriadas do Concelho de Arcos de Arcos de Valdevez (Subsídio para estudo da nobreza arcoense), Vol. II: Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, 1992