Mantilha
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Museu: Museu dos Biscainhos
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Nº de Inventário: 2716 (b) MB
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (Confecção portuguesa (?))
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Datação: Século 19
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Técnica: Bordado a fio de seda frouxo perlado sobre renda de tule mecânico.
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Dimensões (cm): Comp. 86 x Larg. 85,5
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Descrição: Mantilha de senhora, de formato quadrangular, em renda de tule mecânica (?) de cor pérola bordada a fio de seda frouxo (?) branco perlado.
A peça apresenta um campo preenchido pela repetição de pequena flor esparsa de pétalas radiantes e uma decoração tipo albarrada - amplo ramo de flores em jarra ou cesta - posicionada em duas bissectrizes e voltada em direcção ao centro; a contornar aquele, uma cercadura composta por um friso de ramo floral com folhagem, seguido de motivo crucífero desenvolvido em duas linhas; curto apêndice decorativo obtido por prolongamento têxtil nos quatro cantos; recorte lobulado.
"O tear para fabrico de tule mecânico foi inventado em Inglaterra em 1768 mas, só a partir de 1809, o seu aperfeiçoamento permitiu obter um tule que pudesse servir de fundo às "aplicações de Bruxelas". Por esta designação são conhecidas as rendas em que os ornatos, feitos em trabalho de bilros ou a ponto de agulha, são aplicados sobre fundo de tule mecânico (1).
"A emergência das novas tecnologias projectou-se igualmente neste sector, onde surgiria no decurso do oitocentismo uma sequência de inovações que iriam dar à "renda mecânica" o protagonismo da concorrência a partir da segunda metade do século, incidentemente no âmbito da produção em série e democratização desta modalidade que até então era exclusivo privilégio das damas abastadas.
Em 1809, o inglês Jonh Heathcoat inventou uma máquina de fazer tule, que poucos anos mais tarde, em 1816, seria introduzida em França pelo britânico Robert Webster.
Em 1823, o industrial Jean-Noël Dubout tornou-se o primeiro francês a produzir renda mecânica e, em 1834, funcionavam máquinas na Bélgica e na Estados Unidos. Em 1840, o processo técnico de Jacquard introduziu a possibilidade de uma grande variedade de desenhos. Outros países, como a Itália, Alemanha, Áustria e Holanda igualmente se lançaram neste fabrico" (2). In EÇA, Teresa de Almeida d' - O leque, elo de civilizações. A colecção do Museu dos Biscainhos. IPM, 2006.
Notas|
(1)In MENDONÇA, Maria José. - "Rendas Portuguesas e Estrangeiras dos séculos XVII a XIX. Catálogo da 8ª Exposição Temporária", Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Maio de 1948, p. 17.
(2) In EÇA, Teresa d'Almeida d'. - "O LEQUE, ELO DE CIVILIZAÇÕES. A Coleção do Museu dos Biscainhos", IPM, 2006.
Pesquisa, Inventariação e autoria de Teresa d'Almeida d'Eça| MUSEU DOS BISCAINHOS
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Incorporação: Doação anónima.
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Centro de Fabrico: Portugal (?).
Bibliografia
- BRANDÃO, Ana - "Rendas Portuguesas". Lisboa: Museu Nacional do Traje, 1980
- MENDONÇA, Maria José - "Rendas Portuguesas e estrangeiras dos séculos XVII a XIX. Catálogo.". Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga, Maio de 1948