Sombrinha ou guarda-sol
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Museu: Museu dos Biscainhos
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Nº de Inventário: 2855 MB
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (Fabricante de guarda-sóis)
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Datação: 1900/1915
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Dimensões (cm): Alt. 96 x Larg. 84
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Descrição: Guarda-sol ou sombrinha constituído por uma cobertura em formato de pagode (1), confeccionada por costura de oito panos triangulares em tecido de algodão vermelho guarnecido com um entremeio de renda de bilros, em fio de linho cru. A renda desenha duas faixas paralelas horizontalizadas compostas por tiras verticais que alternam rectângulos, em ponto de quadrícula (2), com ornatos circulares, em ponto de pano (3); o padrão central consiste em dupla tarja paralela em zig-zag definidora de uma sequência de losangos que enquadram um motivo continuado de quatro aranhas (4).
A cobertura é sustentada por um sistema de oito varetas de aço (?) pintadas de preto e encaixadas no topo da estrutura em igual número de fendas de anel metálico e fixadas ao têxtil através de bainhas obtidas pela costura das partes; as peças unem-se na zona central a igual número de outras varas metálicas, mais curtas e acopladas radialmente a um cilindro oco de aço que se movimenta ao longo da vara do exemplar, permitindo a abertura e o encerramento do mesmo através de duplo travão concretizado por duas molas encastradas em cima e em baixo, respectivamente.
A haste é lisa e de secção redonda em bambu que no cabo recebe um envolvimento de cana-da-Índia de secção octogonal; como ornamento, um cordão vermelho de dupla borla, enrola-se logo abaixo deste. Apresenta um anel de remate do toldo e uma ponteira em metal pobre.
A tipologia da renda de bilros remete para uma produção portuguesa, sendo as localidades manufactureiras do período atribuível à peça, Peniche, Vila do Conde, Viana do Castelo, Lagos, Olhão e Setúbal, entre outras.
Reforça-se a possibilidade de um fabrico nacional, atendendo à seguinte informação: "Em 1890 importaram-se tecidos de seda no valor de 1112 contos de réis, sem contar com a seda gasta em forros de chapéus e a empregada em guarda-sóis" (5).
Notas
(1) Nomenclatura introduzida por Maria Laura Viana de Siqueira, vide "Introdução", in "Sombrinhas", Ensaios nº 3, Museu Nacional dos Coches, Lisboa, 1973, pp.3-5. Vide campo Observações.
(2) Nomenclatura actual no contexto da produção de rendas de bilros de Vila do Conde expressa na obra REGO, Pedro, PIRES, Ana. - "Rendas de Bilros de Vila do Conde: um património a preservar". Edição da Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde, s/data (2005?).
(3) Idem, idem, idem.
(4) Idem, idem, idem.
(5) Constante em LEMOS, Maximiano. - " Enciclopédia Portuguesa. Dicionário Universal", Vol 10, Lemos & C.ª Sucessor, Porto, s/ data, p. 11.
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Origem/Historial: A sombrinha em foco pertenceu à Senhora Dona Maria da Purificação da Rocha Aguiam da "Casa da Ponte", de Arcos de Valdevez. Presume-se uma utilização funcional contemporânea do objecto por parte de elementos femininos da família da citada senhora.
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Incorporação: Doação do Ex.Sr.Dr. António Alberto de Magalhães Barros Lançós Cerqueira Queiroz |Colecção Ex. Sra. Dª Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam,"Casa da Ponte", Arcos de Valdevez.
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Centro de Fabrico: Portugal (?).
Bibliografia
- "Artes e Indústrias Nacionaes: As rendas de Peniche" In Ilustração Portuguesa", II Ano. Lisboa: Jornal "O Século", 15.5.1905
- MAGALHÃES, M.M. de S. Calvet de - "Bordados e Rendas de Portugal", in Colecção Educativa, nº10. Figueira da Foz: Companhia Nacional de Educação de Adultos, s/ data.
- REGO, Pedro; PIRES, Ana - "Rendas de Bilros de Vila do Conde: um património a preservar". Vila do Conde: Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do, s/data (2005?)
- SIQUEIRA, Maria Laura Viana de - "Introdução" in "Sombrinhas". "Ensaios", nº 3. Lisboa: DGPC - Museu Nacional dos Coches, 1976
- CASTRO, Cacilda de.- "O Guarda-sol, a Sombrinha, o Chapéu-de-chuva, a Bengala e o Bastão". In "Ilustração Portuguesa," edição semanal da empresa "Jornal O Século", Lisboa, 9 de Agosto de 1909.