Vestido

  • Museu: Museu dos Biscainhos
  • Nº de Inventário: 2754 (a, b) MB
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Traje
  • Autor: Autor desconhecido (Ateliê de Modista (?))
  • Datação: 1869/1879
  • Dimensões (cm): Comp. mangas 56 x Alt. saia 103 x Larg. ombros 54;cintura cerca de 514
  • Descrição: Vestido de senhora composto por duas peças costuradas mecânica e manualmente, em tecido de seda natural cor de pérola formando listras verticais o qual é forrado /sombreado a tecido de algodão rosa forte. O corpo apresenta um formato cintado com abertura e bico frontal, aquela fechando através de quatro molas e de catorze colchetes; define quatro partes, uma gola alta em tecido de musselina de seda cor de pérola formando pequenos machos drapeados, um escapulário constituído por tiras verticais de renda de linho crú que alternam com outras no mesmo têxtil da gola e contornado por um folho na seda principal, a que se segue uma zona central com um duplo "jabot", guarnecido superiormente por duas flores de seda, e sequenciado por um cinto em tripla prega, aplicado horizontalmente; insere mangas compridas com tufados - que sugerem o modelo "à mameluco" -, nervuras franzidas e machos. Internamente, a peça é protegida na zona abaixo das axilas por dois panos de recorte lobular - que apresentam uma marca carimbada - e é reforçada na cinta através de sete varetas; uma fita larga fixada às costas e que aperta frontalmente ajuda a adelgaçar a cintura. A saia é comprida até aos pés com ligeira cauda, apertando dorsalmente através de dois colchetes e de três molas; é avivada pela aplicação central de tira horizontal formando folho de ambos os lados e no debrum da barra em que se apresenta duplo; a peça é sombreada por saia interior no tecido de algodão mencionado acima, sendo guarnecida com folho em tecido de seda natural rosa. Para além de anáguas interiores, esta seria avolumada ligeiramente atrás, através de uma armação designada de "tournure". O vestido em foco pertenceu a uma família da nobreza, os antepassados da Senhora Dona Maria da Purificação da Rocha Aguiã da "Casa da Ponte" de Arcos de Valdevez, e permite ilustrar o conhecimento entre a sociedade da região dos ditames da moda feminina em voga, à semelhança da capital e da Europa da época. Glossário| Musselina|Termo cuja origem terminológica se liga à cidade iraquiana de Mossul, onde este tecido foi produzido desde tempos muito remotos, sendo adaptado pela língua francesa como mousseline, palavra que influenciou a portuguesa. Corresponde a um tipologia de tecido transparente, liso e muito leve, concretizável em fios muito finos de diferentes materiais como seda, algodão ou lã. "Tournure"|Consistiu num novo sistema de armação interior que visava o avolumar do vulto inferior feminino, mas com incidência dorsal. Surgiu, por um lado como sequência da última forma da crinolina e, por outro lado, pela divulgação de um gosto no traje das damas, por amplos e pesados drapeados, desde finais da década de sessenta do século XIX. Esta situação exigiu uma estrutura que mantivesse o equilíbrio e caracterizou-se por inúmeros modelos na Europa e nos territórios em que esta moda vigorou. Resumidamente, poder-se-á descrever como um saiote concebido para receber de novo barbas de baleia ou tiras muito finas de aço, que permitiam a armação de diferentes volumetrias. As primeiras “tournures” lançaram-se entre 1869 a 1876, seguindo-se um interregno até cerca de 1881, sendo retomadas a partir de então até 1887, para caírem em desuso substituídas por um ligeiro acolchoamento à volta das ancas, no período da criação da silhueta em S (Charles Frederick Worth), do final de oitocentos até aos primeiros ano século seguinte.
  • Origem/Historial: A peça de vestuário em foco pertenceu à família da Senhora Dona Maria da Purificação da Rocha Aguiã, da "Casa da Ponte", de Arcos de Valdevez. Presume-se uma utilização funcional contemporânea da confecção por parte de elementos femininos da família da citada senhora, que foi a esposa do doador, o Senhor Doutor António Alberto de Magalhães Barros Lançós Cerqueira Queiroz.
  • Incorporação: Doação do Senhor Doutor António Alberto de Magalhães Barros Lançós Cerqueira Queiroz | "Colecção Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiã "("Casa da Ponte" em Arcos-de-Vale-de-Vez)
  • Centro de Fabrico: Presumivelmente Portugal.

Bibliografia

  • "Histoire du Costume en France", «Encyclopédie par l'image»: Librairie Hachette, 1924
  • GUEDES, Maria Natália Correia Guedes - O Trajo Civil em Portugal. Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga, 1974
  • KYBALOVÁ, Ludmila; HERBENOVÁ, Ludmila; LAMAROVÁ, Milena - "Encyclopédie illustrée du Costume et de la Mode ",. Paris: Gründ, 1989
  • MENDONÇA, Maria José - "O Trajo Civil em Portugal". Lisboa: DGAC-Museu Nacional de Arte Antiga, 1974
  • TEIXEIRA, Madalena Braz; "et allia" - Museu Nacional do Traje. Roteiro. Lisboa: Instituto Português de Museus, 2005
  • TOUDOUZE, G.- - "Le Costume Français", «Collection Arts, styles et techniques». Paris: Librairie Larousse, 1945
  • WILCOX, R. Turner - "La Moda en el vestir". Buenos-Aires: Ediciones Centurión
  • JOHNSTON, Lucy; KITE, Marion;PERSSON, Helen. - "Nineteenth-century Fashion Detail", V & A Publishing, 2009.
  • IWAGAMI, Miki. - "19th CENTURY" , in "The Collection of the Kyoto Costume Institute, Fashion. A History from the 18th to the 20th Century", Vol. I, Taschen, 2010.

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