Anágua
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Museu: Museu dos Biscainhos
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Nº de Inventário: 2991 MB
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (Costureira)
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Datação: 1869/1890
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Dimensões (cm): Alt. saia, frontal, c. 96, dorsal,incluindo cauda c.114 x Diâm. cintura, c. 92
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Descrição: Anágua até aos pés, confeccionada à máquina de costura, em tecido de batista ou cambraia de algodão branco a linha de algodão da mesma cor, e composta por seis panos verticais e quatro nesgas, estas inseridas a partir da altura do joelho proporcionando maior roda na zona inferior, de forma a proporcionar volume na área dorsal. Aperta nas costas, com carcela central ajustável por colchete e argola metálicos.
A anágua prolonga-se na face posterior de forma a constituir-se uma cauda e é rematada inferiormente por um pequeno folho plissado/pregueado.
O "design" corresponde ao período em que a moda era ainda liderada pelo grande costureiro de origem inglesa, Charles Frederick Worth, mas cuja formação e trabalho se concretizou em Paris, e que foi o revolucionário introdutor do conceito de Alta Costura, da crinolina e da "tournure", sendo um dos modelos desta última armação que pensamos que o saiote em foco acompanharia.
Glossário|
Anágua|Saiote interior.
Batista|Também conhecido como cambraia em grande parte do mundo, é um tecido produzido por tecelagem plana em fio de algodão ou de linho com tratamento de goma; apresenta caracteríticas de textura fina, leveza e transparência.
Cambraia|O mesmo que batista.
Crinolina|Originalmente referenciou uma tipologia de anágua entretecida de crina de equíduo, de que procede a actual nomenclatura, e que permitia uma dureza específica para manter a saia exterior armada; mais tarde, de 1842 a 1867, passou a designar uma armação interior composta de leves aros de barba de baleia ou de metal, proporcionando um amplo dimensionamento do inferior do vulto feminino, dando uma sustentabilidade de formato semi-esférico que foi evoluindo de um recorte de saia circular para oval, quando a volumetria se movimentou para a parte posterior.
"Tournure"|Consistiu num novo sistema de armação interior que visava o avolumar do vulto feminino, mas com incidência dorsal. Surgiu, por um lado como sequência da última forma da crinolina e, por outro lado, pela divulgação de um gosto no traje das damas, por amplos e pesados drapeados, desde finais da década de sessenta do século XIX. Esta situação exigiu uma estrutura que mantivesse o equilíbrio e caracterizou-se por inúmeros modelos na Europa e nos territórios em que esta moda vigorou. Resumidamente, poder-se-á descrever como um saiote concebido para receber de novo barbas de baleia ou tiras muito finas de aço, que permitiam a armação de diferentes volumetrias que sustinham e ampliavam os drapeados, dando-lhes sustentabilidade e leveza. As primeiras “tournures” lançaram-se entre 1869 a 1876, seguindo-se um interregno até cerca de 1881, sendo retomadas a partir de então até 1887, para caírem em desuso substituídas por um ligeiro acolchoamento à volta das ancas, no período da criação da silhueta em S (Charles Frederick Worth), do final de oitocentos até aos primeiros ano século seguinte.
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Incorporação: Doação da Senhora Dona Maria Emília Mendes de Seiça e Santos da Providência
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Centro de Fabrico: Presumivelmente Portuguesa, atribuível à antiga região de Entre-Douro-e-Minho.
Bibliografia
- "Histoire du Costume en France", «Encyclopédie par l'image»: Librairie Hachette, 1924
- LEMOS, Carlos Cilia - "Rendas Portuguesas" in "Ilustração Portuguesa", nº140. Lisboa: Jornal "O Século", 16 (?) de Outubro
- TEIXEIRA, Madalena Braz; "et allia" - Museu Nacional do Traje. Roteiro. Lisboa: Instituto Português de Museus, 2005