Mantelete
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Museu: Museu dos Biscainhos
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Nº de Inventário: 2786 MB
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (Modista ou costureira (?))
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Datação: 1850/1890
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Dimensões (cm): Alt. máxima 51 x Larg. máxima 105
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Descrição: Mantelete de senhora de cor preta, confeccionado com um formato que cobre os ombros e as áreas frontal e dorsal superiores, compondo uma terminação triangular nas quatro extremidades. A peça é estruturada em tule mecânico, ornamentado por padrão de círculo, apresentando guarnições radiantes de sete tarjas de renda de agulha (?) (ou de bilros?) bordejadas por franzidos de tecido de musselina de seda, em alternância com oito tiras de franzidos mais estreitos, realizadas igualmente neste último têxtil.
Na face da frente concretiza-se a abertura da capa com colchete metálico junto do decote; e, em desenvolvimento vertical, a partir do topo, descai um "fichu" em tecido de musselina de seda desenhando um folho plissado que é rematado pela mesma aplicação de franzido. O mantelete é debruado por pequenos folho e franzido na mencionada musselina; e a orla da capa é constituída por duplo folho, no mesmo têxtil de seda plissada.
Apresenta internamente uma sombra em tecido de seda natural que acompanha o "design" da peça incluindo a aplicação de um folho na parte inferior.
Avalia-se que a confecção pudesse ter sido assegurada por costureira /modista da antiga região de Entre-Douro-e-Minho. Segundo testemunho de uma das herdeiras do doador, a Exª Senhora Dona Guilhermina de Magalhães Barros Lançós, no princípio do século XX, em casa de sua mãe, a Casa da Ponte em Arco de Valdevez, de onde provém o espécimen em análise, era costume chamarem-se costureiras do Porto que permaneciam no imóvel o tempo necessário para a concretização do vestuário pretendido.
Refere-se que as revistas de figurinos eram comuns tanto as importadas de França assim como as edições traduzidas e editadas em Portugal, constatando-se que a sociedade nobre e burguesa da região, à semelhança da capital do reino e da Europa, possuía o conhecimento dos ditames da moda feminina predominantemente francesa.
O abafo exterior em foco projecta a primazia da intenção estético-ornamental sobre a respectiva funcionalidade e insere-se no gosto, ao nível da moda feminina, pelo uso de mantos e xailes que atravessou todo o século XIX.
Glossário|
Mantelete| "Capa curta de tecido, seda ou veludo, de feitio vário que as mulheres usam por cima do vestido, em lugar do xaile, para se preservarem do frio ou como simples enfeite". In LEMOS, Maximiano. - " Enciclopédia Portuguesa. Dicionário Universal", Lemos & C.ª Sucessor, Porto, s/ data, vol. VI. p.846.
"Fichu"| Palavra francesa que, entre outros significados, identifica uma tira de tecido, por vezes sob a forma de folho que se desenvolve frontal e verticalmente com uma feição decorativa.
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Origem/Historial: O mantelete em foco pertenceu à Senhora Dona Maria da Purificação da Rocha Aguiam da "Casa da Ponte", de Arcos de Valdevez. Presume-se uma utilização funcional por parte de elementos femininos da família da citada senhora contemporâneos do objecto.
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Incorporação: Doação do Ex.Sr.Dr. António Alberto de Magalhães Barros Lançós Cerqueira Queiroz| Colecção Senhora Dona Maria da Purificação da Rocha Aguiam da "Casa da Ponte", de Arcos de Valdevez
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Centro de Fabrico: Norte de Portugal (?). Porto (?). Braga (?).Vide p.f. o campo Observações.
Bibliografia
- "Histoire du Costume en France", «Encyclopédie par l'image»: Librairie Hachette, 1924
- BRANDÃO, Ana Maria - 300 anos do Traje. Lisboa: Instituto Português do Património Cultural, 1982
- KYBALOVÁ, Ludmila; HERBENOVÁ, Ludmila; LAMAROVÁ, Milena - "Encyclopédie illustrée du Costume et de la Mode ",. Paris: Gründ, 1989
- TOUDOUZE, G.- - "Le Costume Français", «Collection Arts, styles et techniques». Paris: Librairie Larousse, 1945
- WILCOX, R. Turner - "La Moda en el vestir". Buenos-Aires: Ediciones Centurión