Cabeção
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Museu: Museu dos Biscainhos
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Nº de Inventário: 2795 MB
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (Modista ou costureira (?))
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Datação: 1850/1900
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Dimensões (cm): Comp. leitura na horizontal: cerca de 30 x Larg. 38
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Descrição: Cabeção composto por dois elementos simétricos unidos na área correspondente ao lado posterior da peça e com uma abertura central para a inserção do pescoço. A gola foi confeccionada definindo duas contrapartes iguais de recorte aproximado de semi-oval em tecido crepe "chiffon" ou crepom de seda cor-de-pérola, envolto por delicada renda de bilros em fio de linho cru, compondo um duplo renque floral envolto por respectiva folhagem, em que os mo...
Ver maistivos da cercadura se apresentam dimensionalmente maiores do que os da fiada interior; a união das duas componentes concretiza-se através de fitilho de tecido misto (?) de algodão e seda (?) da mesma cor, dispondo-se singelo na zona posteror.
A renda poderá ser de confecção portuguesa de Vila do Conde como um dos principais pólos de fabrico rendeiro nacional. No entanto, poderá igualmente constituir produção europeia muito difundida no nosso país embora acedida exclusivamente pelas damas mais abastadas.
A gola em estudo pertenceu a uma família da nobreza minhota, os antepassados da Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam da "Casa da Ponte", de Arcos de Valdevez, e permite ilustrar o conhecimento dos ditames da moda feminina predominantemente francesa, à semelhança da capital e da Europa, entre a sociedade nobre e burguesa da região.
Glossário|
Cabeção| Gola larga e pendente usada ao longo da história do traje europeu. O cabeção foi um elemento de vestuário conhecido desde o Renascimento europeu, difundido entre as cortes europeias ao longo dos séculos XVII e XVIII e que se tornou muito típico entre as senhoras, a partir do segundo quartel do século XIX, sendo usado como um adorno de vestidos, casacos ou capas; era composto por tecidos delicados, lisos ou bordados, frequentemente enriquecidos por rendas, ou estruturado integralmente por estas, constituindo habitualmente conjunto com a guarnição dos punhos.
A gola em estudo pertenceu a uma família da nobreza minhota, os antepassados da Senhora Do
Crepe| Adaptação do termo francês "crêpe" que significa crespo. Corresponde a uma multiplicidade de tecidos caracterizados por aparência granulada, opacidade, toque áspero ou seco. São utilizados fios com alta torção dispostos ao nível da trama e do urdume de forma alternada, isto é, dois no sentido S e dois no sentido Z, que passando pela fase de tingimento sofrem um processo de encolhimento que define a tipologia deste têxtil, correspondendo a uma mistura de tafetá e sarja.
"Chiffon"| Palavra francesa que significa trapo. Designa um tecido fino, leve e transparente, produzido a partir de fios de seda, lã - e no século XX, de fios sintéticos como poliéster e poliamida-, sujeitos a grande torção e organizados ao nível da trama e do urdume de forma alternada, isto é, um no sentido S e outro no sentido Z.
Crepom| Palavra francesa que identifica uma variedade de tecidos que adquirem textura enrugada.
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Origem/Historial: A peça de vestuário em foco pertenceu à familía da Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam da "Casa da Ponte", de Arcos de Valdevez. Presume-se uma utilização funcional contemporânea da confecção por parte de elementos femininos da familía da citada senhora que foi a esposa do doador.
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Incorporação: Doação Senhor Dr. António Alberto de Magalhães Barros Lançós Cerqueira Queiroz| Colecção Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam da Casa da Pnte, Arcos de Valdevez.
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Centro de Fabrico: Noroeste de Portugal (?).
Bibliografia
- ALVES, Jorge Fernandes - "Fiar e Tecer. Uma perspectiva histórica da indústria têxtil a partir do Vale do Ave". Vila Nova de Famalicão: C.M. de V.N. Famalicão, 1999
- ARAÚJO, Manuel - "Indústrias de Braga: Notas dum Jornalista". Braga: Tipografia da "PAX", s/ data
- BRANDÃO, Ana - "Rendas Portuguesas". Lisboa: Museu Nacional do Traje, 1980
- BRANDÃO, Ana Maria - 300 anos do Traje. Lisboa: Instituto Português do Património Cultural, 1982
- GUEDES, Maria Natália Correia Guedes - O Trajo Civil em Portugal. Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga, 1974
- MENDONÇA, Maria José - "O Trajo Civil em Portugal". Lisboa: DGAC-Museu Nacional de Arte Antiga, 1974
- MUSEU NAC. TRAJE - Traje Século XVIII, Império e Romântico: Colecção do Museu Nacional do Traje na Casa dos Biscainhos. Braga: Museu Nacinal do Traje, 1980
- TEIXEIRA, Madalena Braz; "et allia" - Museu Nacional do Traje. Roteiro. Lisboa: Instituto Português de Museus, 2005
- WILCOX, R. Turner - "La Moda en el vestir". Buenos-Aires: Ediciones Centurión