Anágua

  • Museu: Museu dos Biscainhos
  • Nº de Inventário: 2992 MB
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Traje
  • Autor: Autor desconhecido (Fabrico textil (?))
  • Datação: Século 19
  • Dimensões (cm): Alt. da saia, frontal c. 78 x Diâm. da roda, 270
  • Descrição: Anágua ou saiote, integralmente cosido à máquina, em tecido de cambraia ou batista de linho branco, e composto por três panos verticais reunidos entre si e integrados através de um cós liso, reforçado interiormente por um tecido de gaze de algodão (?), que aperta na parte posterior através de duplo fitilho de nastro fixo a cada um dos lados da carcela; define uma frente lisa com um macho vertical, largo e central ladeado por dupla prega e uma face dorsal com muita roda de forma a acompanhar o volume de uma "tournure"; a orla da saia é rematada por uma bainha sobrepujada por pequeno macho horizontal decorativo. Presume-se que a presente peça de vestuário seja de confeção fabril nacional, dada a execução técnica mecânica, assim como a inscrição manuscrita a tinta negra com o número 42 inserida no lado externo do cós que aponta para uma referência identificatória de modelo ou medidas, enquadráveis no contexto organizativo de unidades fabris, embora possa constituir igualmente uma nota comercial. Será de avaliar que na segunda metade do século XIX existiam em laboração na antiga região de Entre-Douro-e-Minho, inúmeras fábricas, umas direccionadas para a produção têxtil e outras para a confecção da denominada roupa interior. As dimensões da peça apontam para a possibilidade de ter pertencido a uma jovem (?). A imagem da menina Júlia Morais que viveu na cidade do Porto, e datável de cerca de 1869, documenta que a moda da "tournure" foi adaptada ao contexto infantil. Glossário| Batista|Também conhecido como cambraia em grande parte do mundo, é um tecido produzido por tecelagem plana em fio de algodão ou de linho com tratamento de goma; apresenta caracteríticas de textura fina, leveza e transparência. Cambraia|O mesmo que batista. "Tournure"|Consistiu num novo sistema de armação interior que visava o avolumar do vulto inferior feminino, mas com incidência dorsal. Surgiu, por um lado como sequência da última forma da crinolina e, por outro lado, pela divulgação de um gosto no traje das damas, por amplos e pesados drapeados, desde finais da década de sessenta do século XIX. Esta situação exigiu uma estrutura que mantivesse o equilíbrio e caracterizou-se por inúmeros modelos na Europa e nos territórios em que esta moda vigorou. Resumidamente, poder-se-á descrever como um saiote concebido para receber de novo barbas de baleia ou tiras muito finas de aço, que permitiam a armação de diferentes volumetrias que sustinham e ampliavam os drapeados, dando-lhes sustentabilidade e leveza. As primeiras “tournures” lançaram-se entre 1869 a 1876, seguindo-se um interregno até cerca de 1881, sendo retomadas a partir de então até 1887, para caírem em desuso substituídas por um ligeiro acolchoamento à volta das ancas, no período da criação da silhueta em S (Charles Frederick Worth), do final de oitocentos até aos primeiros ano século seguinte. Teresa d'Almeida d'Eça|MUSEU DOS BISCAINHOS
  • Origem/Historial: Sendo proveniente da doação da Senhora Dona Maria Emília Mendes de Seiça e Santos da Providência Santarém presume-se uma utilização funcional da peça por familiares contêmporâneos da mesma.
  • Incorporação: Doação da Senhora Dona Maria Emília Mendes de Seiça e Santos da Providência Santarém.
  • Centro de Fabrico: Antiga região de Entre-Douro-e-Minho (?). Porto (?); Braga (?).

Bibliografia

  • "Histoire du Costume en France", «Encyclopédie par l'image»: Librairie Hachette, 1924
  • ALVES, Jorge Fernandes - "Fiar e Tecer. Uma perspectiva histórica da indústria têxtil a partir do Vale do Ave". Vila Nova de Famalicão: C.M. de V.N. Famalicão, 1999
  • CORDEIRO, José Manuel Morais Lopes - "A Indústria Portuense no século XIX", vol. II. Dissertação de Doutoramento: Porto, Junho, 2006
  • LEMOS, Carlos Cilia - "Rendas Portuguesas" in "Ilustração Portuguesa", nº140. Lisboa: Jornal "O Século", 16 (?) de Outubro
  • TEIXEIRA, Madalena Braz; "et allia" - Museu Nacional do Traje. Roteiro. Lisboa: Instituto Português de Museus, 2005

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