Anágua
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Museu: Museu dos Biscainhos
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Nº de Inventário: 2712 MB
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (Confecção têxtil fabril (?))
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Datação: 1863/1900
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Dimensões (cm): Alt. cerca de 95 x Larg. cintura cerca de 84; roda cerca de 310
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Descrição: Anágua de senhora de cor branca, com formato até aos pés e confecionada mecanicamente a linha de linho (?), em tecido de algodão, que se presume da tipologia de abretanhado (?), sendo composto por quatro panos unidos verticalmente entre si e integrados através de um cós que se prolonga na carcela por duas pequenas extensões que apertam lateralmente o saiote através de dois colchetes metálicos; define uma frente lisa com um macho vertical, largo e central, ladeado por cinco pregas de cada lado, estruturando a nível dorsal uma roda obtida a partir de franzido do têxtil de forma a acompanhar dimensionamentos laterais e posterior - o que corresponderia à evolução da crinolina a partir de cerca de 1863 em que o volume se movimentou para as costas, ou à presença de "tournure".
A barra é guarnecida de doze pequenas pregas paralelas e posicionadas horizontalmente; a orla da saia revela-se engomada e é rematada por uma bainha; a extremidade externa desta foi guarnecida com a aplicação de um folho em bordado inglês em tecido que se interpreta como cambraia de algodão com um recorte lobular, ornamentando-se de com pequena folhagem a ponto de ilhó e ponto sugestivo do lançado, a que se segue uma sequência de abertos que sobrepuja um padrão floral continuado e, na borda, acompanhando o movimento ondulante do lóbulo, um pequeno friso retomando o mesmo ponto; na linha de união deste à saia, foi ajustado um galão de confeccão mecanica, imitando os pontos de crivo em quadrícula, que se alterna com uma flor decafólia a cheio.
A peça em análise denuncia utilização funcional ao nível do bordadura da saia pela degradação periférica da mesma, por proximidade com o solo.
Presume-se que a presente anágua seja de confecção fabril nacional, dada a execução técnica mecânica,
Glossário|
Abretanhado|Tecido de algodão em que a urdideira e a trama são da mesma grossura. Tratava-se de um têxtil com capacidade de longa duração, similarmente ao linho, mas rasgando-se com mais facilidade do que este. No século XIX, o de textura mais fina destinava-se à confecção de peças de roupa interior feminina, designadamente, anáguas e corpetes.
Anágua| Também designada de saiote, consistia numa saia interior do vestuário feminino.
Bordado inglês|Bordado a linha branca sobre tecido delicado da mesma cor, simples ou em relevo, onde predominam recortes e ilhozes, e temáticamente incidente sobre flores, folhas e frutoses, tendo sido muito típico do acabamento da roupa interior feminina europeia, e que se produziu mecanicamente a partir do século XIX.
Crinolina |Originalmente referenciou uma tipologia de anágua entretecida de crina de equíduo, de que procede a actual nomenclatura, e que permitia uma dureza específica para manter a saia exterior armada; mais tarde, de 1842 a 1867, passou a designar uma armação interior composta de leves aros de metal, proporcionando um amplo dimensionamento do inferior do vulto feminino, dando uma sustentabilidade de formato semi-esférico que foi evoluindo de um recorte de saia circular para oval, quando a volumetria se movimentou para a parte posterior.
Engomada| Roupa branca, que se engomou, isto é, que foi submetida ao processo de humedecer, embeberar em goma e alisar através de passagem a ferro.
Máquina de costura| A máquina de costura surgiu na sequência da participação de inúmeros inventores que trabalharam este objectivo desde 1790, tendo sido o americano Isaac Merrit Singer que considerando alguns dos princípios concebidos por outros, em 1851, patenteou a primeira máquina de costura realmente prática que foi divulgada no Ocidente em meados do século XIX, a que se seguiram outras empresas.
Tournure| Armação aplicada na parte posterior do corpo feminino e que foi moda de 1869 a 1890, com interrupções, tendo assumido diferentes variantes de volume e que, para o início do século XX, foi substituída por pequenas almofadas ajustada sobre os rins.
Teresa d'Almeida d'Eça| MUSEU DOS BISCAINHOS
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Incorporação: Doação anónima.
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Centro de Fabrico: Fábrica.
Bibliografia
- ALVES, Jorge Fernandes - "Fiar e Tecer. Uma perspectiva histórica da indústria têxtil a partir do Vale do Ave". Vila Nova de Famalicão: C.M. de V.N. Famalicão, 1999
- CORDEIRO, José Manuel Morais Lopes - "A Indústria Portuense no século XIX", vol. II. Dissertação de Doutoramento: Porto, Junho, 2006
- GUEDES, Maria Natália Correia Guedes - O Trajo Civil em Portugal. Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga, 1974
- KYBALOVÁ, Ludmila; HERBENOVÁ, Ludmila; LAMAROVÁ, Milena - "Encyclopédie illustrée du Costume et de la Mode ",. Paris: Gründ, 1989
- TEIXEIRA, Madalena Braz; "et allia" - Museu Nacional do Traje. Roteiro. Lisboa: Instituto Português de Museus, 2005
- TOUDOUZE, G.- - "Le Costume Français", «Collection Arts, styles et techniques». Paris: Librairie Larousse, 1945