Sem título. (Elemento de rodapé mural)

  • Museu: Museu dos Biscainhos
  • Nº de Inventário: 3293 (g) MB
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Autor desconhecido (Pintor-decorador (?))
  • Datação: Século 18/19
  • Suporte: Tela de linho ou cânhamo revestida de gesso.
  • Técnica: Pintura a têmpera (?).
  • Dimensões (cm): Alt. tela 62; pintura 56,3 x Larg. tela 41,5; pintura 39,3
  • Descrição: A presente tela integra um conjunto constituído por sete painéis parietais que definem um rodapé que se presume ter forrado ornamentalmente um espaço da Casa dos Biscainhos. A composição é comum a todas as peças com adaptação aos diferentes dimensionamentos que apresentam, de forma a uma correcta adaptação aos muramentos a que correspondiam originalmente. Tecnicamente trata-se de pintura a têmpera em policromia sobre tela de linho ou cânhamo revestida de gesso, de formato rectangular, constituindo-se como elemento parcial do lambril, interpretável como remate do lado direito, desconhecendo-se se seria complementado pela peça 3293 (f) MB. A temática decorativa encontra-se interrompida na aresta esquerda e consiste numa cercadura de gregas nas cores azul (?) (ou verde?), amarelo torrado (?) e cinzento, intercalada nos dois ângulos do lado direito por rosetas octafoliares de cores que se interpretam como sendo branco e amarelo torrado (?) sobre um fundo quadrangular vermelho. O campo é delimitado perifericamente por duplo filete a vermelho, enquadrando centralmente um ornato continuado de oliva alternada de motivo de tripla pérola, na cor mencionada e com sombreado a preto; ao centro, inserem-se três elementos fitomórficos, um dos quais sugestivo de folha de parra (?), que se repetem e/ou alternam vertical e horizontalmente, sendo pintados numa tonalidade verde seca sobre fundo branco. A presença do motivo de gregas e da presumida folha de parra poderá apontar para uma estética do período conhecido como Império (?), o que situaria a datação da tela, entenda-se do conjunto, entre cerca de 1796 e 1825 (1). Tendo em consideração a cronologia apontada passamos a reflectir sobre a identificação do presumível encomendador do mural em estudo no contexto da Casa dos Biscainhos, sabendo que Damião Pereira da Silva de Sousa e Meneses, pelo seu casamento em 1792, com Dona Maria Angelina Joana Senhorinha José Justa Pereira Forjaz d'Eça Montenegro, se tornara Senhor da Casa, vindo a falecer a 23 de Dezembro de 1835, cerca de treze anos depois da esposa e após trinta anos de vida em conjunto. Correspondeu a um vasto período que abarcou a Revolução Francesa, a saída de D. João VI com a Família Real e a Corte para a colónia brasileira, as Invasões Napoleónicas e as Lutas Liberais. Será de salientar que o imóvel apresenta intervenções atribuíveis ao gosto Império na ala voltada a Norte, na sequência de espaços ao nível do segundo piso com pinturas parietais e de tecto, em que se observam ornatos de águia imperial e de abelha, caracteristicamente napoleónicas, e de coroa de louros, sendo este último tema retomado nas paredes do Salão de Música (3) do mesmo piso mas integrado no sector voltado para o Jardim, e cujo tecto consiste em abóbada com decoração de estuques artísticos de expressão neoclássica com alguns ornatos império, sendo estes datáveis do período mais tardio - a partir da segundo decénio do século XIX -, e identificáveis com o âmbito de influência dos grandes arquitectos escoceses Robert e James Adam (4). Gonçalo Pereira da Silva de Sousa e Meneses, filho do acima citado, que viria a ser o 1º Visconde (1840) e 1º Conde de Bertiandos (1852), concretizou uma importante união através do casamento, em 1825, com D. Teresa de Jesus Teles da Silva Caminha e Meneses, filha dos 3ºs Marqueses de Penalva e de Alegrete e 7º Condes de Tarouca. Considera-se que por ocasião deste matrimónio, se terão valorizado ornamentalmente os dois importantes edifícios da família, o de Biscainhos (2) e o de Bertiandos, outro momento passível de justificar a inserção das telas decorativas que esta enquadra. Avalia-se que estando vivo o pai, as alterações realizadas poderiam ter sido inspiradas pelas bodas do filho mas garantidas pelo progenitor, ou simplesmente da responsabilidade do noivo, herdeiro de sua mãe já falecida, preparando-se para acolher a futura consorte. As telas em análise revestem-se do maior interesse dado documentarem a evolução artística dos interiores no nosso pais, ao nível da introdução de tratamentos parietais da presente tipologia num período que se estende desde o século XVIII com a estética neoclássica até ao século XIX com o Império e o Romantismo. Avalia-se uma mais que provável autoria portuguesa - eventualmente regional - atribuível a contextos de pintores-decoradores, entendendo-se que o conjunto mural em apreço não reflecte especial criatividade estética e que, originalmente, teria funcionado como uma atmosfera de fundo uniforme, obtida pela repetição de uma articulação singela da linearidade das gregas com a leveza da combinação de três pequenas folhas. Notas / Glossário (1) A designação do estilo em foco, "Império", nascido em França, abarca diferentes momentos da História daquele país, o Directório, 1795/1799, o Consulado, 1799 /1804, o Primeiro Império, 1804 -1814, e os anos iniciais da Restauração, 1815/1826. (2) Vide p.f. Bibliografia, TEIXEIRA, "op. cit", p. 6 e AURORA, "op. cit", p. 289. (3) Temática actualmente desaparecida por remoção no decurso das obras de restauro do imóvel realizadas nas décadas de sessenta e de setenta do século XX. (4) Robert e James Adam influenciaram a Europa e os Estados Unidos da América, através de uma estética que ficou conhecida como estilo Adam.
  • Origem/Historial: O conjunto das sete telas murais que se organizavam como um rodapé ornamental foi desmontado no decurso das obras de restauro do imóvel para adaptação a museu, promovidas pela então Junta Distrital de Braga e orientadas pelo Arquitecto Alberto da Silva Bessa, com início nos finais dos anos 60 e prossecução na década seguinte do século XX. Este objecto está relacionado com os seguintes objectos (2.0): Nº de inventário: 3293 (a) MB; Denominação: Sem título. (Elemento de rodapé mural); Localização: Reserva Nº de inventário: 3293 (d) MB; Denominação: Sem título. (Elemento de rodapé mural); Localização: Reserva Nº de inventário: 3293 (e) MB; Denominação: Sem título. (Elemento de rodapé mural); Localização: Reserva Nº de inventário: 3293 (f) MB; Denominação: Sem título. (Elemento de rodapé mural); Localização: Reserva Nº de inventário: 3293 (b) MB; Denominação: Sem título. (Elemento de rodapé mural); Localização: Reserva Nº de inventário: 3293 (c) MB; Denominação: Sem título. (Elemento de rodapé mural); Localização: Reserva
  • Incorporação: Integrou uma sala da Casa dos Biscainhos sendo adquirida com o imóvel pela então Junta Distrital de Braga ao Senhor 3º Visconde de Paço de Nespereira, Gaspar Lobo Machado do Amaral Cardoso de Meneses.
  • Centro de Fabrico: Braga (?). Antiga província de Entre-Douro-e-Minho (?).

Bibliografia

  • AURORA, Conde d' - "Aquela Casa dos Biscainhos". Braga: "Bracara Augusta". C.M.Braga, Vol. XX, 1966
  • TEIXEIRA, Maria Emília Amaral - «Museu dos Biscainhos». Braga: Assembleia Distrital de Braga, 1978

Multimédia

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