"S.ANDREA AP."

  • Museu: Museu dos Biscainhos
  • Nº de Inventário: 662 MB
  • Super Categoria: Arte
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Dimensões (cm): Alt. 30,4 x Larg. 21,2
  • Descrição: Representação devocional de Santo André o qual é identificado como Apóstolo de Jesus Cristo, irmão de São Pedro e conhecido na tradição ortodoxa como Protocletos, em desenho à pena (?) e a tinta da China (?), de cor negra, sobre placas justapostas de madrepérola, que se aplicam diretamente a um suporte de madeira funcionando esta, simultaneamente, como moldura. A composição define-se por um retângulo central verticalizado em que se figura o apóstolo de pé, cabeça radiada de fulguração de santidade, rosto com barbas, trajando túnica de mangas compridas e até meio das pernas, e envolto por longo manto, segurando com braço e mão direitos a cruz em X, com que será martirizado, os pés estão descalços, observando-se um segundo plano que ilustra duas figuras angélicas aladas, uma das quais ostentando uma folha de palma e, a outra, manuseando um manto que a cobre parcialmente, estando o conjunto encimado por arcatura trilobada de cujos ângulos nasce ramagem, e enquadrando na barra inferior a inscrição “S. ANDREA AP.”, apresentando-se uma bordadura constituindo um friso de ornato fitomórfico. Segue-se à descrição supra uma cercadura com a madeira do suporte à vista, que se supõe ter sido originalmente revestida de uma aplicação de papel (?) ornamental sugestivo de rendilhado (?) mas, de que, atualmente, só sobreviveram escassos vestígios. A composição é envolvida por uma moldura que constitui um alteamento do plano em que aquela se insere, em que a aba oblíquada constituída por esta montagem se ostenta como sugestão de embutidos, de pequenas placas losangulares de madrepérola que alternam com outras similares em madeira envernizada. Em plano mais elevado insere-se uma segunda moldura de grande riqueza simbólica, que se define como uma sequência de retângulos e de quadrados, estes para remate angular e que repetem a ilustração de pequena cabeça aureolada (?), lateralizada por asas, interpretada como figuração angélica, e aqueles todos inscritos em círculos, com exceção do superior central, enquadradores de diversificadas representações católicas que passamos a identificar a partir da linha superior, da esquerda para a direita do ponto de vista do observador: coração coroado de espinhos e encimado por motivo crucífero, interpretado como representação do Sagrado Coração de Jesus, seguindo-se o símbolo universal da Ordem Franciscana, a saber, uma cruz, e o cruzamentos dos braços de Cristo e de São Francisco – sendo o único que não se enquadra em círculo -, e continuando-se com a ilustração de outro coração trespassado por punhal e coroado de chamas, identificável como o Imaculado Coração de Maria, representando a espada de dor pela paixão e morte de seu querido Filho Jesus, e pelas contínuas ofensas que os humanos cometem; nas bandas laterais e verticalizadas, integram-se de forma simétrica quatro (4) retângulos de ramagem vegetalista que ladeiam mais dois símbolos, à esquerda, as Cinco Chagas de Cristo, as quais vertem sangue, e também conhecidas como Cinco Santas Chagas, Cinco Chagas Sagradas ou Cinco Chagas Preciosas, são as cinco feridas que Jesus Cristo sofreu durante a crucificação, no peito, mãos e pés; e, à direita, três elementos radiados encimados por estrela, cuja simbologia não foi identificada; na faixa inferior, a sigla IHS com uma cruz que nasce da letra H, são as três primeiras letras de Ihsus, ou Ihcuc, o nome de Jesus em grego, constituindo um cristograma; ao centro desta banda, observa-se uma cruz grega e em cada bissetriz uma cruz menor e, a última, desenha as letras entrelaçadas em monograma AM, que significa AVÉ MARIA, glorificação à Virgem Maria, Mãe de Jesus, no contexto do culto Mariano. A envolver o quadro acima descrito, constitui-se um enquadramento exterior, desenhado na mesma técnica, à pena e a tinta da China (?) sobre madrepérola em que esta assenta igualmente em madeira que acompanha todo o trabalhado, sendo recortada na periferia e abrindo um vão no centro do topo, encimado por uma espécie de frontão coroado pela representação do Espírito Santo, na forma de uma Pomba que, de asas abertas, se volta para baixo, para o conteúdo enunciado, e que emite uma radiação Divina e de formato circular, que sobrepuja todo o conjunto e que se expande lateralmente e destacando os ângulos exteriores sobre a forma de enrolamentos estilizados de inspiração geométrica e vegetalista. Analisando o conjunto da composição e da moldura, consideramos que este terá ter tido, presumivelmente, como fonte iconográfica um registo gráfico homónimo, fórmula devocional do Catolicismo muito divulgada em Portugal a partir do século XVIII, entendendo que as referências ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, apontam para uma data muito mais recente.
  • Incorporação: Senhor Dr. José Maria da Costa Júnior

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